Rafael Tolói se estabeleceu como um esteio da Atalanta, na ascensão da equipe desde a chegada de Gian Piero Gasperini. O zagueiro brasileiro está em sua quinta temporada em Bérgamo e supera as 150 aparições com a camisa nerazzurra. Tem importância no papel defensivo que desempenha, mas também contribui à própria dinâmica de jogo da Dea com suas subidas mais à frente. E, aos 29 anos, o camisa 2 não pensa apenas em seu sucesso com os Orobici. Em entrevista à revista Undici, Tolói admitiu que aceitaria uma convocação à seleção italiana.

Por suas raízes familiares, Rafael Tolói já tinha o passaporte italiano. E o trabalho com a Atalanta, obviamente, deixa o jogador em evidência para um possível chamado à seleção. Sem nunca ter sido convocado pelo Brasil no nível principal, ele permanece com a possibilidade em aberto. No máximo, o zagueiro disputou o Mundial Sub-20 de 2009 com a Canarinho, titular em cinco partidas na campanha em que os brasileiros terminaram com o vice-campeonato. Isso não seria, todavia, empecilho à Azzurra.

“Seria uma honra vestir a camisa da seleção italiana. Tenho bisavós italianos e estou no país há cinco anos, é um belo lugar. Eu atenderia instantaneamente a um chamado de Roberto Mancini”, declarou Tolói. Por enquanto, a possibilidade não passa de um interesse do próprio jogador – que, há nove meses, em entrevista à Calciopedia, indicava certas dúvidas. De qualquer maneira, não parece nenhum disparate imaginar que ele seja observado pelos azzurri, em uma seleção que atravessa um momento de reformulação. Mancini costuma realizar vários testes.

Atualmente, a seleção italiana conta com dois brasileiros naturalizados: o ala Emerson Palmieri e o volante Jorginho. Tolói também ressalta como o contato com outros jogadores do país se fez importante em sua adaptação ao futebol italiano.

“No Brasil, diferentes times me fizeram propostas, mas eu sonhava em jogar na Europa e queria vir para a Itália. Escolhi a Roma de primeira porque a equipe tinha muitos brasileiros, eles poderiam me ajudar. Eles fizeram com que eu me sentisse em casa imediatamente. Se não tivesse qualquer compatriota, talvez eu encontrasse mais dificuldades e minha história fosse diferente. No fim, alcancei meu objetivo de me tornar reconhecido na Europa. Mesmo que não tenha permanecido na Roma, foram meses importantes à minha carreira”, comentou.

Tolói guardou elogios especiais a Gasperini durante a entrevista. O zagueiro ressaltou como pôde evoluir sob as ordens do treinador, assim como toda a equipe da Atalanta: “Tenho sorte de ter conhecido Gasperini, ele sempre está muito concentrado. Estou em Bérgamo desde sua chegada. Seu trabalho é do mais alto nível. Ele nos fez crescer, ficamos mais fortes graças a ele”.

Além do mais, o brasileiro também falou sobre o seu gosto de disputar a Champions League. Conforme sua análise, o torneio continental beneficia a Atalanta, por guardar partidas mais abertas e mais intensas. E a empreitada tem tudo para continuar, após a boa vantagem conquistada pela Dea no primeiro jogo contra o Valencia.

“É outra coisa jogar contra adversários que desejam vencer. Para nós, a Champions é uma bela experiência. Aproveitamos muito nossa atuação contra o Valencia e esperamos continuar no torneio. A Serie A é diferente, também em sua fórmula. Há mais partidas e muitos times jogam contra você por um empate. Na Champions, todos os jogos são verdadeiras batalhas”, analisou.

Valencia e Atalanta voltam a se enfrentar na próxima terça-feira, no Estádio Mestalla, em partida que acontecerá sob portões fechados por conta da prevenção ao coronavírus. Rafael Tolói esteve entre os titulares durante a goleada por 4 a 1 na ida. Já pela Serie A, os Orobici devem voltar a campo no próximo dia 15, quando receberão a Lazio em Bérgamo.