A crise interna vivida pelo Barcelona parece longe de terminar – e pode ter ganhado um capítulo especial nesta segunda-feira (17). A rádio Cadena SER Catalunya afirma que o clube contratou uma empresa de redes sociais para difamar uma série de figuras ligadas aos culés, entre eles ex-jogadores e treinadores, possíveis candidatos à presidência, figuras da política catalã e até mesmo atuais membros do elenco, como Messi e Piqué.

O programa La Llotja del Què t’hi Jugues, da Cadena SER, afirma que a empresa I3 Ventures foi contratada não só para estes ataques à reputação de indivíduos como também para falar bem de Josep Maria Bartomeu, presidente do Barcelona.

A rádio alega que a I3 Ventures administra dezenas de páginas de Facebook e Twitter com publicações visando, além de Messi e Piqué, Pep Guardiola, hoje técnico do City; Xavi, atual treinador do Al-Sadd; o antigo capitão Carles Puyol; figuras políticas catalãs como Quim Torra, presidente do governo catalão, e seu vice, Oriol Junqueras; e o líder separatista Carles Puigdemont, exilado na Bélgica.

Uma das publicações contra Messi teria relação com sua renovação de contrato, enquanto um dos posts visando Piqué o criticava por seu envolvimento na organização da Copa Davis, da qual se tornou um investidor por meio da empresa Kosmos, alegando que isso estaria lhe tirando o foco do Barça.

Possível futuro candidato à presidência do clube, Victor Font também foi visado, e sua plataforma, a Sí al futur, declarou que a suposta campanha de difamação “nos envergonha como membros (do clube) e piora ainda mais a situação do clube, porque, além do momento político e esportivo delicado, acrescenta-se agora uma ruptura moral”.

Em comunicado oficial, o Barcelona reconheceu ter contratado os serviços da I3 Ventures, mas apenas para monitorar redes sociais, observando comentários positivos e negativos sobre a organização. O clube negou com firmeza que as contas de redes sociais descritas pela Cadena SER sejam administradas pela I3 Ventures e afirmou que, caso alguma ligação fosse descoberta, encerraria imediatamente seu acordo e buscaria a ação legal necessária para “defender seus interesses”.

Ainda sem o desenrolar desta história, este episódio é mais um barulho político que chega em um momento delicado ao clube. Esportivamente, o Barça conta com um elenco reduzido para a reta final da temporada e, publicamente, encara crises de relacionamento – com o maior exemplo na discussão entre Messi e o diretor de futebol, Eric Abidal, por comentários do francês questionando a entrega dos jogadores depois da saída de Ernesto Valverde.