As figuras importantes da Bulgária entenderam imediatamente a seriedade do episódio racista no jogo da seleção do país contra a Inglaterra, em Sófia, na segunda-feira (14). Depois de repercussão rápida, com o primeiro-ministro búlgaro exigindo e conseguindo a demissão do presidente da federação local, o ídolo e maior jogador da história do futebol búlgaro, Hristo Stoichkov, protagonizou uma cena carregada de emoção na televisão mexicana ao falar sobre o incidente.

Stoichkov, trabalhando como comentarista da emissora mexicana TUDN, foi perguntado sobre qual seria sua solução para combater episódios de racismo como o que manchara a partida da seleção búlgara contra a inglesa. Em sua resposta, cobrou ação enérgica das autoridades e se emocionou.

“Que os torcedores não sejam permitidos no estádio. Ou então punições ainda mais severas, como na Inglaterra, há anos. Cinco anos sem participar. Para que, de uma vez por todas, esses drogados…”, disse, interrompido pela apresentadora, que então frisou que ele falava da seleção de seu próprio país, o qual defendeu na Copa de 1994.

“A seleção e os clubes do meu país”, reiterou, antes de completar e não segurar as lágrimas. “As pessoas não merecem sofrer. Você acha que me sinto confortável (em dizer isso)?”

A existência do protocolo de três passos para lidar com atos racistas, primeiro com interrupções e avisos e depois com a suspensão do jogo, não impediu torcedores búlgaros de mancharem a imagem de seu futebol nacional o suficiente, ainda dentro dos limites do que foi permitido durante o duelo – seja pela arbitragem ou pela vontade da Inglaterra de prosseguir a partida.

Depois do episódio desta semana, a pressão por um processo mais rígido aumentou, vindo até mesmo da Fifa, com o presidente Gianni Infantino pedindo união para se chegar a medidas mais eficazes para lidar com o problema. “Tantas vezes dizemos que não há espaço para o racismo no futebol, mas, ainda assim, enfrentamos desafios para lidar com esse problema em nosso esporte, assim como na sociedade. (…) Faço um chamado para que todos os órgãos diretivos de futebol se juntem a nós e pensemos juntos em maneiras novas, mais fortes e mais efetivas de erradicar o racismo no futebol. Como ponto de partida, sugiro que todos os organizadores de competições ponham em prática regulamentos que prevejam proibições no estádio para o resto da vida para aqueles que sejam considerados culpados de comportamento racista em uma partida de futebol. A Fifa então pode impor tais proibições a nível global”, afirmou Infantino, em declaração publicada pelo site da entidade máxima do futebol.

Nesta quarta-feira (16), foi revelado que a polícia búlgara identificou 15 torcedores suspeitos de terem cometido atos racistas na partida contra a Inglaterra, com seis deles sendo detidos – os outros nove seguem sob investigação.