A Ponte Pueyrredón, que sob as margens do Riachuelo cruza a Capital Federal(Buenos Aires) rumo a Avellaneda, fica pequena para transportar a grandeza e as emoções do segundo clássico mais importante do futebol argentino. Neste domingo, Racing e Independiente se enfrentam no Cilindro para escrever um novo capitulo dessa rivalidade atroz que leva 103 anos de paixão, ódio e folclore.

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”Prefiro perder com Independiente e brigar pelo título” com personalidade e sinceridade incomum, Diego Cocca logo em seu primeiro clássico  dirigindo o Racing, proferiu esta profética  frase. O Independiente em seu regresso a primeira divisão recebia seu rival “de toda la vida” no estádio Libertadores da América, a antiga Doble Visera, em jogo válido pela quinta rodada do Torneio de Transição. Logo aos 12 minutos, Diego Milito, que regressava ao clássico após 10 anos de hiato, anotaria o primeiro gol após linda jogada de Centurión. Saltando o seu lado “hincha”, beijou o escudo do Racing de frente a plateia do Independiente, desatando a fúria e um cartão amarelo. Pelo lado do Rojo, também debutava no clássico o treinador Jorge Almirón, que vinha de um excelente trabalho pelo Godoy Cruz. Foi então, que aos 24 minutos, Federico Mancuello cobrou a falta nos pés de Sebastián Penco para empatar a partida. Minutos depois, Mancuello se antecipou a Saja, após belo passe de “Rolfi” Montenegro, para anotar o gol decisivo do clássico de Avellaneda.

Na sequencia do campeonato uma nova derrota contra o Lanús desatou a crise interna no Racing, com a torcida invadindo o treino e cobrando treinador pela frase que desdenhava deste campeonato particular para os “hinchas”  que consiste em vencer o Independiente e ser o dono transitório de Avellaneda. Os ânimos se acalmariam após a vitória de virada contra o Boca em La Bombonera, na sétima rodada, com dois gols de Gustavo Bou. O artilheiro, ao lado de Milito e Centurión levariam o Racing ao título após 13 anos de seca. Eis que, este domingo, às 15 horas(com transmissão da Fox Sports e do site Fútbol Para Todos) no estádio Juan Domingo Perón, o popular Cilindro de Avellaneda, o Racing recebe o Independiente em jogo valido pela decima terceira rodada do novo torneio de 30 equipes, batizado oficialmente como Campeonato Julio Humberto Grondona – em homenagem ao finado ex-mandatário da AFA e do Independiente.

Racing

racing quartas

Diferentemente do clássico de 2014, Diego Cocca dá toda a importância ao clássico de Avellaneda deste final de semana. Cocca indicou na conferencia de imprensa no Paraguai após a derrota contra o Guarani que utilizará o que tem de melhor para o confronto do próximo domingo. Para Diego Milito é um jogo especial, talvez um dos últimos de sua carreira, que remete ao inicio de sua trajetória no Racing quando enfrentava o seu irmão Gabriel, hoje treinador do Estudiantes de La Plata, em embates épicos e discussões acaloradas.

O Racing esta na sétima colocação, tem 5 vitorias, 6 empates e apenas 1 derrota. Gustavo Bou é o artilheiro da equipe com 4 gols. O esquema tático deve ser o habitual 4-4-2 com Ivan Pillud, Luciano Lollo, Yonathan Cabral e  Leandro Grimi na linha defensiva; Gaston Diaz(Marcos Acuña), Ezequiel Videla, Francisco Cerro e Washington Camacho completam o quarteto  do meio campo, com a famigerada dupla de ataque formada por Milito e Bou como fator de desequilibrio. A boa noticia é o retorno de Luciano Aued, disponível como opção para o meio campo após 2 meses parados por uma lesão muscular. O Racing sabe que vencer o Independiente daria um animo extra para reverter a vantagem no Guarani, no jogo de volta pela Libertadores, na próxima quinta, em pleno Cilindro de Avellaneda.

Independiente

INDEPENDIENTE PREVIA CLASSICO

O Independiente é o rei dos empates no atual campeonato, acumulando sete paridade, duas derrotas e apenas três vitorias. O ataque anotou 17 gols, sendo que 6 deles foram concretados pelo artilheiro Lucas Albertengo. O jovem goleador oriundo do Atlético de Rafaela é a grande aposta de Jorge Almirón para o confronto. O Rojo atua no sistema 4-2-3-1. O Independiente terá os retornos do lateral-direito Gustavo Toledo e do zagueiro Victor Cuesta; o  ex-palmeirense Mauricio Victorino e o lateral Nicolás Tagliafico completam a linha defensiva. Outro destaque do time é o jovem Matias Pisano, de 23 anos. O baixinho, surgido nas categorias de base do Chacarita Juniors,  atua como meia de criação e interessa ao Borussia Dortmund para a próxima temporada.No meio campo, o veterano Emiliano Papa, ex-Velez e seleção argentina,  deve começar o jogo aberto pela esquerda no lugar de Francisco Pizzini; do lado oposto o jovem Martin Benitez completa a linha de armadores. Jesus Mendez, ex-Boca e Rosario Central, forma uma excelente dupla de volantes centrais ao lado de Federico Mancuello, o grande ídolo atual do Rojo de Avellaneda. Mancuello, convocado por Tata Martino para a Copa América, desatou a polêmica após ser expulso tolamente na última rodada contra o Boca. O Independiente entrou com recurso para habilitar o meia apelando para o insólito artigo 225 que diz:” O período de suspensão de até 10 jogos imposta a um jogador, poderá ser interrompido a pedido do respectivo clube em caso que a AFA convoque para integrar sua seleção, em época simultânea com aquele período, a qualquer jogador do mesmo clube, que esteja atuando tanto pela Seleção principal ou Sub-20″. Rodrigo Moreira, que sequer estreou como profissional pelo Independiente, foi convocado para o Mundial sub-20 da Nova Zelândia, habilitando Mancuello para o clássico de Avellaneda.

Histórico

O Independiente leva uma grande vantagem no confronto na era do Profissionalismo, assumindo a “paternidade”  perante ao Racing: são 71 vitorias do Rojo, 63 empates e 48 triunfos  de La Acade. A distancia começou a alargar-se na década de 70 com o timaço comandado por Ricardo “El Bocha” Bochini que venceu 4 Libertadores, além de disparar no historial do clássico de Avellaneda com 16 vitorias e apenas 4 derrotas de 1971 a 1980. Na década seguinte o Racing seguiu em franca decadência esportiva, aumentando a distancia contra o Independiente, e para colmo, sendo rebaixado em 1983 pela primeira vez na sua história. Quis o destino que La Academia, já rebaixado, enfrentasse na ultima rodada do Metropolitano ao Independiente na Doble Visera. O timaço de Bochini, Clausen, Trossero e Burruchaga venceria por 2 a 0, levando o titulo diante de um rival destroçado. No ano seguinte, sob o comando de Pastoriza, o Rojo levaria a Libertadores contra o Grêmio e a Copa Interncontinetal contra o Liverpool. O Racing voltaria a primeira divisão em 1985, sob o comando do ídolo Alfio “Coco” Basile.

Vitória recordada do Racing

A torcida do Racing lembra com especial carinho a vitória por 3 a 1 no Apertura de 1998. O dia em que apagaram a luz da Doble Visera, quando La Academia de Angel Cappa bailava ao máximo rival com show do tridente Marcelo Delgado, “Matute” Moralez e Diego Latorre. Haviam transcorrido 39 minutos do primeiro tempo e o placar marcava a vitória do Racing por 2 a 0, quando apagaram os refletores do estádio do Independiente, forçando o adiamento do confronto. No complemento do cotejo, marcado para o final de semana, o Racing sacramentou o triunfo histórico com um sonoro 3 x 1.

Vitória recordada do Independiente

Para a metade vermelha de Avellaneda o triunfo mais festejado foi sem duvidas a recordada tarde de 1983 no desenlace do Metropolitano, com volta olímpica e comemoração dupla pelo rebaixamento do Racing. As novas gerações contaram com 3 grandes goleadas nas ultimas décadas: O 4×1 no Monumental de Nuñez em 2002 com show de “Rolfi” Montenegro, “Cuqui” Silvera e “Pocho” Insua,  O 4 a 1 pelo Claurura de 2002 – em jogo recordado pela briga no vestiário do Racing, com Teófilo Gutierrez sacando uma arma de brinquedo – além do show de Sergio ”Kun” Aguero no 4 a 0 pelo Apertura de 2005, culminado uma jornada memorável com um golaço antológico.