O Racing sacramentou o título argentino neste domingo, em um empate por 1 a 1 com o Tigre. Como o Defensa y Justicia também empatou com o Unión, a Academia celebrou a conquista da taça com uma rodada de antecedência, já que a diferença de quatro pontos se manteve. O clube chega, assim, ao 18º título argentino na sua história na era profissional. Um dos grandes nomes da conquista é um ídolo do clube: Lisandro López, 36 anos, atacante que passou pelo futebol europeu e regressou para ser campeão, assim como já tinha acontecido com Diego Milito.

O domingo era decisivo porque a 24ª rodada foi aberta com quatro pontos de vantagem e o Racing jogando fora de casa com o Tigre, na noite de domingo, enquanto Defensa y Justicia jogaria contra o Union. O Racing conseguiu o primeiro gol, com Augusto Solari, aos 12 minutos do primeiro tempo. Os jogadores já sentiam o gosto do título quando souberam que Augusto Lotti marcou 1 a 0 para o Union na casa do Defensa y Justicia.

Praticamente no último lance do jogo, o Tigre empatou contra o Racing com Lucas Rodríguez em cobrança de falta aos 49 minutos. Com a derrota do Defensa y Justicia, porém, o Racing seria campeão. O Defensa ainda empatou, com Matías Roja, aos 53 minutos do segundo tempo, mas já era tarde para uma virada. O Racing ficou com a taça.

Os jogadores do Racing comemoraram a conquista em campo. Menos um deles. Lisandro López foi para o vestiário. Não quis comemorar contra um time que está lutando pela permanência na primeira divisão, na casa do adversário. Celebrou, já fora de campo, com os companheiros, já no vestiário e fora do estádio.

Jogadores do Racing comemoram em campo (Foto: Getty Images)

O grande nome do Racing é Lisandro López. O camisa 15 é o artilheiro do Campeonato Argentino, com 17 gols, cinco à frente de Emanuel Gigliotti, do Independiente, com 12 gols. Curiosamente, o jogador com mais assistências estava em campo no jogo do campeão, mas com a camisa do Tigre: Walter Montillo, ex-Cruzeiro e Botafogo, que tem nove assistências. Além dos gols, López foi importante como líder, por ser o capitão do time, e também por ser um jogador que deu respaldo a Eduardo Coudet, o técnico. É um dos principais defensores do treinador no elenco e no clube. E isso tem um peso grande quando se trata de alguém tão identificado com a camisa.

O Racing tem, até o momento, a melhor defesa e o melhor ataque da liga argentina. Tem 17 vitórias em 24 jogos, com cinco empates e duas derrotas. São 42 gols a favor (um a mais que o Boca Juniors, que tem 40 e é terceiro colocado). Entre defesas, tem 15 gols sofridos, dois a menos que Defensa y Justicia e Boca Juniors.

É o segundo título do Racing em cinco anos. Um clube que no início do século entrou em falência, teve que fechar as portas para reabrir e buscar recriar a sua glória através da paixão da torcida. Um episódio que tem 20 anos, aconteceu em março de 1999. Em março de 2019, o clube é o campeão argentino depois de ter conseguido a taça também em 2014. Na época, outro centroavante tinha brilhado: Diego Milito, campeão de tudo em 2009/10 pela Internazionale, com a tríplice coroa.

“Um título não me fará um melhor técnico, uma pessoa melhor, ou um pai melhor. Mas vivemos em uma loucura que temos que conquistar coisas para validar. Todos jogamos para ganhar. Mas estou contente com o elenco, por rapazes que talvez não haviam tido essa sensação. A mim, o futebol presenteou muito, mas estou feliz por eles”.

“O grupo de jogadores me deu um dia a dia grandioso. Estamos acostumados a viver no Vietnã ou na cadeira elétrica, mas pessoas de fora sofrem muito e é por isso que essa alegria é para eles”, disse ainda o treinador. “A única coisa que quero das minhas equipes é que joguem bem e que sejam competitivos. Um não é o mais vivo por ser o primeiro ou mais burro por ser o segundo. Temos que tentar melhorar o futebol argentino e acredito que se viram boas propostas”, afirmou ainda Coudet.

“Fomos ganhadores justos. Nós bancamos tudo desde a quarta rodada e é difícil tentar jogar bem nos clubes grandes porque se jogam muitas coisas. Quero felicitar o Defensa porque nos fez melhores. Não duvidei que iam lutar até o final e têm um grande mérito”, declarou ainda o técnico do Racing. “Não é fácil ganhar e jogar com esta pressão. Para ganhar partidas determinantes temos que jogar constantemente. É muito difícil estar à altura se você joga uma partida chave a cada dois ou três anos. Nós administramos a pressão porque nos acostumamos a estar lá”.

O técnico ainda comentou sobre o principal jogador do time, o ídolo Lisandro López. “Quero que aproveitem os jogadores porque de verdade me deram um dia a dia extraordinário. E tive que acompanhar a um louco como Licha [Lisandro López] que nos presenteou o coração e teve o prêmio que merece”, afirmou o treinador.

Além do título argentino, o Racing se coloca como um time para ser visto, apreciado e assistido. Tem o goleiro chileno Gabriel Arias como um dos destaques, tem o lateral esquerdo Eugenio Mena, também chileno, o centroavante Jonatan Cristaldo e o reserva Andrés Ríos. O meio-campo, com Marcelo Díaz, volante chileno que também vai muito bem. Leonardo Sigali foi muito bem como zagueiro, Guillermo Fernández, meio-campista, outro a ir muito bem.