Quinze tirinhas em que Quino, o criador da Mafalda, falou sobre futebol

Mafalda se tornou, ao longo das décadas, um símbolo da Argentina e da América do Sul. A garotinha com um imenso senso crítico não tratava só de humor, mas da preocupação com os temas sociais e políticos. Falou muito às crianças, mas bastante também aos adultos, sobretudo em anos de chumbo no seu país e nos vizinhos. Ganhou fama como um dos quadrinhos mais geniais e pertinentes, por seu conteúdo leve e ao mesmo tempo profundo. Uma criação de Quino, cartunista argentino que faleceu nesta quarta-feira aos 88 anos, deixando como legado uma obra eterna – em especial, por sua “filha” mais conhecida.

Quino sofreu um acidente vascular cerebral durante os últimos dias, embora a causa da morte não tenha sido divulgada. Sua memória segue viva através de Mafalda, personagem criada nos anos 1960 e que se tornaria ainda mais simbólica durante a ditadura militar na Argentina. Em mais de seis décadas como cartunista, Quino produziu tirinhas para jornais e outras obras que iam além de Mafalda, embora quase sempre trouxessem a discussão política como tema principal. Inclusive, abordando o futebol.

Quino chegou a assinar uma sessão na revista esportiva El Gráfico, ainda que não fosse dos mais apaixonados por futebol – era simpatizante do Independiente, mas não exatamente um grande torcedor.  Em entrevista ao Diário Uno, em julho de 2012, o desenhista revelou que apenas duas vezes na vida foi a um estádio e que não compreendia os jogadores que, saindo de camadas humildes, se tornavam astros insuportáveis. “Não acho que seja bom o fato do futebol servir de válvula de escape a um mundo repleto de repressões, porque a energia que se escapa nos estádios poderia ser invertida para melhorar a realidade”, declarou. Uma opinião que foi perceptível em suas histórias de Mafalda.

“Por que o futebol é um esporte que leva a torcida a ser tão violenta entre si? Creio que é uma invenção muito inglesa, na qual uma pessoa comete o erro e pega toda a equipe. O futebol me importa como um fenômeno social. Fico intrigado com a cegueira que cria e que não se dá em outros esportes. Sempre me pergunto o que torna os torcedores tão violentos”, comentou também em 2000, durante a Feira Internacional do Livro em La Paz.

O futebol, de qualquer forma, é um elemento secundário que serve para levantar outros temas nas tirinhas. Por mais que questione a força do esporte, Quino não ignora sua importância para a sociedade. As próprias histórias de Mafalda passariam pelo assunto. Abaixo, aproveitamos e ampliamos um post de setembro de 2014, com 15 tirinhas de Quino sobre o esporte: seis com Mafalda e outras nove dos tempos em que trabalhou para a El Gráfico. Confira:

Mafalda

Mafalda1

Mafalda2

Mafalda3

Quino3

Quino1

Quino2

Quino5

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Quino4