Pode faltar o glamour, o dinheiro, os craques, o peso das camisas da Liga dos Campeões. Pouco importa. Quem gosta de futebol internacional não deixa de acompanhar a Liga Europa por causa desses fatores. Afinal, é pelas peculiaridades que a “segunda divisão” do futebol europeu tem graça. A fase de grupos costuma ser morna, com os principais times sem tanto interesse. No entanto, é neste momento que dá para observar os clubes mais curiosos em ação. Já nos mata-matas, o bicho começa a pegar e costuma fazer campeões de respeito – Porto, Atlético de Madrid e Chelsea são três bons exemplos. E é por isso que separamos 15 motivos pelos quais você não pode perder a LE:

– Os gigantes adormecidos querem acordar

A Liga Europa, desta vez, não conta com nenhum gigante europeu que fracassou na tentativa de ir à Liga dos Campeões – Liverpool e Internazionale até poderiam estar, mas foram ainda piores e sequer disputarão os torneios continentais nesta temporada. Assim, as atenções se voltam para uma porção de clubes médios da Europa, que já tiveram momentos mais gloriosos no passado. Lyon, Valencia, Sevilla, Tottenham, PSV, Dynamo Kiev, Fiorentina, Lazio, Eintracht Frankfurt, Bordeaux e Dinamo Zagreb compõem o grupo de camisas pesadas, que já fizeram grandes campanhas, mas que andam um pouco adormecidos nos últimos anos.

– O torneio mais oriental da história da Europa

Liga Europa 2013-14

A participação do Shakhter Karaganda na Liga Europa estabelece um marco histórico: nunca a fase de grupos de uma competição europeia teve um clube mais oriental. É a primeira participação de um clube do Cazaquistão, que possui apenas uma pequena porção de seu território a oeste dos Montes Urais, o marco geográfico que divide Europa e Ásia. Além dos cazaques, outros três clubes localizados na Ásia disputam esta LE: Trabzonspor, Maccabi Haifa e Maccabi Tel Aviv.

– Os extremos geográficos

Graças à presença do Shakhter, mas também ao Tromso, ao Estoril e ao Maccabi Tel Aviv, a Liga Europa 2013/14 quebrou dois recordes: a de maiores distâncias registradas em uma fase de grupos de competição europeia. De leste a oeste, Estoril e Karaganda estão separadas por 6,4 mil km, superando os 5,8 mil km que separavam Funchal e Baku em 2012/13. Já de norte a sul, Tromso e Tel Aviv estão a 4,3 mil km de distância, superando a marca estabelecida entre Tromso e Petah Tivka na Copa da Uefa 2005/06.

– Uma oportunidade para vários principiantes

A Liga Europa será um festival de estreantes. Dos 48 clubes que iniciam a competição, 14 deles nunca estiveram presentes na fase de grupos de um campeonato europeu. São eles: Estoril, Paços de Ferreira, Swansea, Wigan, Freiburg, St. Gallen, Esbjerg, Rijeka, Pandurii, Ludogorets, Chernomorets Odessa, Kuban Krasnodar, Apollon Limassol e Shakhter Karaganda. Destes, Estoril, Wigan, Pandurii e Kuban sequer tinham participado das preliminares de um torneio continental.

– A interferência dos ‘mais fracos’ da Liga dos Campeões

Netherlands Soccer Europa League Final

A Liga Europa costuma se transformar a partir dos mata-matas. Afinal, além da peneira feita pela fase de grupos, o torneio incorpora oito equipes eliminadas na Liga dos Campeões. E, apesar de serem minoria, os times vindos da LC costumam impor respeito. Desde 1999/00, quando a regra foi estabelecida, cinco campeões tinham caído na Champions anteriormente, como o Chelsea em 2013. Porto (2003 e 2011), Sevilla (2006 e 2007), Liverpool (2001), Valencia (2004), Zenit (2008) e Atlético de Madrid (2012) são os vencedores “100% Liga Europa”.

– O duelo entre Europa ocidental e oriental

Pegando os antigos integrantes da “Cortina de Ferro” como referência, a Liga Europa deste ano tem uma divisão razoavelmente equilibrada entre os países da parte oriental e da parte ocidental do continente. Vinte deles estão sediados a leste, sendo 14 de antigos países comunistas, enquanto outros 28 vêm do oeste. Resta saber se dentro de campo esta divisão fará diferença, já que desde 2008/09 o título não fica com os orientais, quando o Shakhtar Donetsk se sagrou campeão.

– Tottenham e Sevilla, candidatos a maiores campeões da história

Soldado comemora o gol da vitória do Tottenham (AP Photo/Sang Tan)

Dos 48 participantes da Liga Europa, cinco já possuem o título da competição – contabilizando também os tempos de Copa da Uefa. PSV, Eintracht Frankfurt e Valencia tiveram o gosto de levantar a taça uma vez, enquanto Tottenham e Sevilla são bicampeões – podendo igualar as três conquistas de Internazionale, Juventus e Liverpool. Os Spurs surgem como o time a ser batido nesta LE. Segundo o site Transfermarkt, 10 dos 15 jogadores mais valiosos do torneio são dos londrinos, incluindo Erik Lamela e Roberto Soldado, no topo da lista. André Villas-Boas até já afirmou sua vontade em ganhar com a taça, mas isso não ficou tão claro em 2012/13. O Sevilla, por sua vez, está distante de seus tempos áureos, quando repetiu a conquista em 2006 e 2007. Mas, considerando o domínio dos ibéricos no torneio, fazendo sete dos últimos 11 campeões, é melhor não duvidar.

– PSV, o único dono de Champions e o maior veterano da Liga Europa

O PSV é um participante peculiar nesta Liga Europa. É o único entre todos os clubes na fase de grupos que já teve o gosto de conquistar a Liga dos Campeões. E também o mais rodado na fase moderna da LE, o único a aparecer em todas as edições do torneio desde que foi remodelado e deixou de se chamar Copa da Uefa. Por esses dois motivos, os Boeren já poderiam pintar como favoritos. Mas os holandeses têm uma motivação a mais: em 2013, comemoram os 100 de fundação do clube. Um novo título continental, o primeiro desde 1988, não seria nada mal para as celebrações.

– Os italianos se darão conta da ameaça de Portugal?

Giuseppe Rossi e Mario Gómez marcaram dois gols cada na rodada (AP Photo/Tano Pecoraro)

A Itália já perdeu a terceira colocação no Ranking da Uefa para a Alemanha, o que custou uma vaga do país na Liga dos Campeões. Agora, o país pode deixar o quarto lugar com Portugal, que ameaça cada vez mais e está apenas a 1,305 pontos de distância. Uma nova perda de posição não acarretaria consequências drásticas aos italianos, mas custaria um pouco de moral. E levar a Liga Europa a sério é importantíssimo para isso. Os portugueses contam com três clubes, enquanto a Serie A é representada apenas por Lazio e Fiorentina – a Udinese poderia estar aí, mas deu vexame nas preliminares. Considerando que a Itália descarta uma pontuação superior na próxima edição do ranking, ser superior a Portugal é fundamental.

– Dynamo Kiev, o elenco mais tarimbado da competição

O Dynamo Kiev anda em baixa ultimamente. O clube da capital viu o Shakhtar Donetsk dominar a Ucrânia nos últimos quatro anos e hoje ocupa o meio da tabela na liga nacional, mesmo tendo investido pesado em reforços. A Liga Europa aparece como consolo para o Dynamo. E um dos trunfos é contar com o elenco com maior média de partidas disputadas na competição: são 11,42 jogos por atleta, à frente de Lazio, Rubin Kazan e Tottenham. Jeremain Lens, um dos novatos, é o mais experiente, com 31 aparições no torneio.

– Os galeses terão que honrar as cores da Inglaterra

A situação não é inédita. O Monaco esteve presente em competições europeias 25 vezes, sempre como representante da França. Já o Vaduz conquistou a vaga 18 vezes por Liechtenstein, mas disputa o Campeonato Suíço. O Swansea, no entanto, é o primeiro clube de um país que tem uma liga nacional a disputar um torneio continental representando outra. Os Swans recusaram a participar do recém-criado Campeonato Galês, em 1992, por já disputarem o Campeonato Inglês. Antes, até tinha participado da Recopa Europeia em seis oportunidades, mas sempre como dono da Copa de Gales. Agora, os atuais campeões da Copa da Liga Inglesa surgem como um dos principais times na LE.

– O meio de campo da Seleção na Copa sairá daqui

Paulinho e Hernanes

Duas das principais opções de Luiz Felipe Scolari para o meio-campo da seleção brasileira estarão na Liga Europa. Paulinho é titular absoluto na equipe nacional, enquanto Hernanes é reserva imediato. E os volantes são os jogadores mais valiosos de seu setor na LE, segundo o Transfermarkt. Peças-chave em Tottenham e Lazio, a dupla tem tudo para brilhar no torneio. Além deles, quem também sonha com uma vaga na Copa é Sandro, reserva dos Spurs, mas o oitavo meio-campista mais valioso do torneio. Além deles, outros brasileiros de destaque são Giuliano (Dnipro), Henrique (Bordeaux), Neto (Fiorentina), Jucilei (Anzhi), Manduca (APOEL), Jonas e Diego Alves (Valencia).

– A definição do centroavante titular da Alemanha na Copa

Dentre os candidatos a artilheiro da Liga Europa, dois alemães se sobressaem: Mario Gómez e Miroslav Klose. E os centroavantes de Fiorentina e Lazio vivem uma situação bastante peculiar, já que disputam um lugar no time titular da Alemanha, classificado ao Mundial de 2014. Neste primeiro momento, Klose leva vantagem. Não apenas por ser o atual titular, mas também por conta da lesão nos ligamentos sofrida por Gómez, que o afastará dos gramados por até três meses. Ronaldo já pode começar a temer por seu recorde de maior artilheiro das Copas.

– A última edição em que os campeões chupam os dedos

A partir da temporada 2014/15, o campeão da Liga Europa passará a ter vaga garantida na Champions do ano seguinte. Esta temporada será a última na qual a desculpa de quem pretere a competição continental para tentar ficar com as primeiras posições na liga nacional valerá. E a impressão é de que o prêmio futuro deve realmente influenciar o ímpeto de muitos clubes, em especial daqueles que empurravam a fase de grupos com a barriga só para não ter que enfrentar a maratona de jogos no segundo semestre – ingleses e italianos, este recado é para vocês.

– A primeira final no novo estádio da Juventus

O Juventus Stadium foi inaugurado em 2011, como um dos mais modernos da Europa. E, menos de três anos depois de sua estreia, a casa da Vecchia Signora será palco de uma final continental. O estádio, com capacidade para 41 mil espectadores, receberá a partida marcada para o dia 14 de maio. Será a sétima decisão europeia disputada em Turim – outras quatro aconteceram no Estádio Comunale e duas no Delle Alpi.

Confira os grupos da Liga Europa 2013/14:

Grupo A: Valencia-ESP, Swansea-ING, Kuban Krasnodar-RUS e St. Gallen-SUI
Grupo B: PSV-HOL, Dinamo Zagreb-CRO, Chornomorets Odessa-UCR e Ludogorets Razgrad-BUL
Grupo C: Standard Liège-BEL, Red Bull Salzburg-AUT, Elfsborg-SUE e Esbjerg-DIN
Grupo D: Rubin Kazan-RUS, Wigan-ING, Maribor-ESL e Zulte Waregem-BEL
Grupo E: Fiorentina-ITA, Dnipro Dnipropetrovsk-UCR, Paços de Ferreira-POR e Pandurii-ROM
Grupo F: Bordeaux-FRA, APOEL-CHP, Eintracht Frankfurt-ALE e Maccabi Tel Aviv-ISR
Grupo G: Dynamo Kiev-UCR, Genk-BEL, Rapid Viena-AUT e Thun-SUI
Grupo H: Sevilla-ESP, Freiburg-ALE, Estoril-POR e Slovan Liberec-TCH
Grupo I: Lyon-FRA, Betis-ESP, Vitória de Guimarães-POR e Rijeka-CRO
Grupo J: Lazio-ITA, Trabzonspor-TUR, Legia Varsóvia-POL e Apollon Limassol-CHP
Grupo K: Tottenham-ING, Anzhi Makhachkala-RUS, Sheriff Tiraspol-MOL e Tromso-NOR
Grupo L: AZ-HOL, PAOK-GRE, Maccabi Haifa-ISR e Shakhter Karanganda-CAZ