O Campeonato Europeu Sub-21 é o principal torneio de base para os países do continente. E não apenas considerando os troféus disputados em seus limites territoriais, mas também os Mundiais e os Jogos Olímpicos. Afinal, dificilmente os clubes cedem tantos talentos quanto na Euro Sub-21 – cujo limite de idade, na realidade, é de 23 anos durante a sua fase final. Basta ver pela lista de prodígios presentes na Polônia ao longo das últimas semanas. Várias equipes contaram com inegáveis destaques das principais ligas nacionais.

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A Alemanha, apesar das ausências por causa da Copa das Confederações, ratificou o excelente trabalho que faz nas equipes de base. Stefan Kuntz tinha uma missão e tanto ao substituir o vitorioso Horst Hrubesch à frente da sub-21. Ainda assim, contou com um grupo extremamente técnico, capaz de se impor em um grupo difícil na primeira fase, de passar pela Inglaterra e de superar a favorita Espanha na final. Espanhóis e italianos, mesmo sem a taça, apresentam vários jogadores que devem ser úteis no nível principal.

Abaixo, aproveitando o embalo pelo torneio encerrado nesta sexta, listamos os talentos que saem valorizados pelas apresentações com a seleção sub-21 – não necessariamente apenas os melhores, mas também aqueles que tendem a colher os frutos do impacto causado. Confira:

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Julian Pollersbeck (Goleiro, Alemanha)

Formado pelo pequenino Wacker Burghausen, atualmente na quarta divisão, o goleiro se transferiu ao Kaiserslautern em 2013. Fez sua estreia na equipe principal apenas nesta temporada e vinha menos referendado que os outros dois convocados para a posição. Entretanto, ganhou a confiança de Stefan Kuntz e correspondeu com excelentes exibições. Dono de boa envergadura e ótimo tempo de reação, brilhou principalmente contra a Dinamarca e contra a Inglaterra, quando foi o herói da classificação à final, pegando dois pênaltis. Já acertou sua transferência ao Hamburgo, onde terá o peso de substituir René Adler. Pelo Europeu, tem potencial para corresponder.

Jordan Pickford (Goleiro, Inglaterra)

Principal nome em uma seleção inglesa que não contou com as principais estrelas na faixa etária, o goleiro teve papel fundamental no sucesso dos Three Lions na competição. Acumulou ótimas defesas na primeira fase, embora não tenha conseguido ajudar o seu país na disputa de pênaltis contra a Alemanha. Um raro destaque do Sunderland na temporada, pinta como candidato às listas seleção principal, especialmente depois de sua transferência ao Everton, em aposta alta feita pelos Toffees.

 

Milan Skriniar (Zagueiro, Eslováquia)

A Eslováquia teve um desempenho bastante digno no Europeu Sub-21. E, apesar da eliminação na primeira fase, sem conseguir se colocar entre os melhores segundos colocados, o zagueiro terminou eleito para a seleção do campeonato. Uma das lideranças da equipe, ofereceu muita segurança ao sistema defensivo, especialmente pelo ótimo tempo de bola. Contratado pela Sampdoria junto ao Zilina na última temporada, não deve permanecer no Estádio Luigi Ferraris, próximo a ser oficializado pela Internazionale.

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Jeremy Toljan (Lateral, Alemanha)

Contratado pelo Hoffenheim ainda nas categorias de base, vinha ganhando espaço e se saiu bem na atual temporada. Apesar das lesões, foi peça importante no esquema de Julian Nagelsmann, especialmente pela versatilidade. Jogou nos dois lados do campo, tanto na defesa quanto no meio-campo. Já na seleção sub-21, dominou a lateral direita com enorme primazia. A capacidade no apoio valeu demais ao Nationalelf, especialmente pela assistências – foram três, incluindo a do gol do título. Em uma posição em transição na equipe principal, pode concorrer com Benjamin Henrichs pela reserva de Joshua Kimmich, voando na Copa das Confederações.

Niklas Stark (Zagueiro, Alemanha)

Depois de duas boas temporadas no Hertha Berlim, seu moral na seleção sub-21 era inegável. Combinando capacidade física e qualidade técnica, pode atuar em diferentes posições no sistema defensivo. Durante o Europeu, mandou no miolo de zaga do Nationalelf. Apesar de desfalcar o time nas semifinais, lesionado, voltou para fazer uma partidaça contra a Espanha. O Borussia Dortmund já esteve de olho em seu futebol. Seu parceiro Marc-Oliver Kempf, do Freiburg, foi outro que se saiu muito bem na competição.

Jorge Meré (Zagueiro, Espanha)

Formado nas categorias de base do Sporting de Gijón e ainda por lá, não deve defender os rojiblancos por muito tempo. Durante o Europeu Sub-21, salientou os seus predicados, especialmente pela velocidade nas ações, complementando muito bem Jesús Vallejo. Faltou apenas um pouco mais de sucesso na decisão, quando seu companheiro não conseguiu acompanhar Mitchell Weiser no gol decisivo. Valencia e Barcelona tiveram interesses vinculados na imprensa espanhola.

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Dani Ceballos (Meio-campista, Espanha)

A escolha de Ceballos como o melhor jogador do Europeu Sub-21 é plenamente compreensível. Basta ver os vídeos de suas atuações, especialmente nas semifinais contra a Itália. Com um repertório de dribles e passes imenso, o espanhol bagunçou as defesas adversárias. Esteve imparável durante todo o torneio, embora não tenha evitado o revés na decisão contra a Alemanha. Cria do Betis, já vinha em ascensão com o clube, e agora a sua saída parece iminente, com o Real Madrid crescendo os olhos.

Lorenzo Pellegrini (Meio-campista, Itália)

Cria da Roma, estourou mesmo como profissional defendendo o Sassuolo. E, diante da ótima temporada, não tinha como não conquistar a titularidade absoluta no time de Luigi Di Biagio. Precisou de pouco tempo para justificar os créditos, especialmente pelo golaço na estreia contra a Dinamarca. Além disso, manteve a regularidade durante toda a competição. Voltará para a capital depois que os giallorossi acionaram uma cláusula de recompra, trabalhando novamente com o técnico Eusébio Di Francesco.

Martin Chrien (Meio-campista, Eslováquia)

Jogador do Viktoria Plzen com inúmeros empréstimos nas costas, passava longe do radar entre os possíveis destaques do torneio. Contudo, se os eslovacos sonharam com a classificação aos mata-matas, muito se deve ao poder de decisão do camisa 8, com dois gols e uma assistência. Agradou tanto que acabou pinçado por um dos clubes mais observadores do mercado: já assinou sua transferência ao Benfica.

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Max Meyer (Meio-campista, Alemanha)

O Schalke vive um excelente momento em relação aos seus jovens jogadores. Leon Goretzka vem sendo um dos protagonistas da Alemanha na Copa das Confederações. Já Max Meyer se colocou como o melhor do time sub-21, ao menos do meio para frente. O camisa 7 assumiu o papel de cérebro da equipe, coordenando as ações ofensivas e aparecendo bastante na conclusão das jogadas. A Inglaterra cresce os olhos sobre o prodígio de 21 anos, com Tottenham e Liverpool entre os potenciais destinos.

Saúl Ñíguez (Meio-campista, Espanha)

Tudo bem, Saúl já tinha uma reputação imensa antes de desembarcar na Polônia para o Europeu Sub-21. Mesmo assim, o meio-campista do Atlético de Madrid extrapolou as expectativas, com atuações excelentes. Dominou o setor central da Roja. Complementou a influência com dois belos gols na fase de grupos, antes de acabar com a Itália nas semifinais, anotando uma tripleta. Pela artilharia, recebeu a Bola de Ouro. Já na volta para casa, de lambuja, ganhou a renovação de contrato com os colchoneros. Faltou mesmo só a taça.

 

Bruma (Atacante, Portugal)

Os portugueses não justificaram as expectativas de que poderiam competir com a Espanha no Grupo B. Bruma, porém, encheu os olhos até mesmo daqueles que esperavam bastante dele, após ser vendido do Galatasaray ao RB Leipzig. O atacante infernizou as defesas adversárias com seus dribles em velocidade, além de ressaltar o enorme perigo que leva nos chutes de média distância. Carregou o time em diversos momentos.

Bernardeschi, da Itália, comemora gol contra a Alemanha no Europeu sub-21 (Photo by Stephen Pond/Getty Images)

 

Federico Bernardeschi (Atacante, Itália)

Nome de peso na ótima seleção italiana, o atacante foi quem melhor cumpriu as expectativas sobre si. Chamou as responsabilidades em diversos momentos, especialmente por sua qualidade nas conclusões. Definiu a vitória sobre a Alemanha com muita frieza após o erro dos adversários, assim como tentou dar sobrevida na derrota para a Espanha. Escalado tanto no comando do ataque quanto na ponta esquerda, ofereceu mais convicções para a Juventus buscar sua contratação junto à Fiorentina.

Marco Asensio (Atacante, Espanha)

A temporada de Asensio com o Real Madrid já tinha sido espetacular. E o alto nível do ponta no Europeu Sub-21 aumenta ainda mais as suas credenciais rumo ao elenco principal da seleção. A maturidade é imensa, especialmente na tomada de decisões. Sabe criar e ocupar espaços, o que pesou em um time dinâmico como o espanhol. Mas, diferentemente do que aconteceu na Champions, desta vez não conseguiu fazer a sua estrela brilhar na final.

Davie Selke (Atacante, Alemanha)

Levado pelo RB Leipzig após se destacar no Werder Bremen e nas seleções de base, o atacante acabou eclipsado por Timo Werner na atual temporada. Enquanto o companheiro seguiu à Copa das Confederações, seu reserva precisou se contentar com o Europeu Sub-21. Ainda assim, pôde levantar a cabeça com uma participação decisiva para o sucesso da Alemanha, especialmente pelas partidas contra Dinamarca e Inglaterra. Uma pena que não tenha entrado na final, contra a Espanha, por estar lesionado. Aos 22 anos, já tinha sido contratado pelo Hertha Berlim.