Por Bruno Bonsanti

O auge do futebol de clubes europeu é o melhor palco para se escrever a história. O jogador que consegue arrebentar na final da Champions League tem um lugar privilegiado na memória afetiva do torcedor do seu time e merece ser lembrado sempre que possível. Às vésperas de mais uma decisão, com Oblak, Griezmann, Torres, Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale com potencial de serem essenciais, escolhemos 15 jogadores que arrebentaram na final da Champions League.

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Di Stéfano e Puskas – Real Madrid 7 x 3 Eintracht Frankfurt (1960)

Convenhamos: qualquer time que entra em campo com Alfredo Di Stéfano e Ferénc Puskas na linha ofensiva leva grande vantagem. E quando eles estavam em dias iluminados, era quase impossível derrotar o Real Madrid. O Barcelona tentou, nas semifinais, e foi derrotado por 6 a 1 no agregado, com quatro gols do húngaro e dois do argentino. O Eintracht Frankfurt havia destruído ainda mais o Rangers na fase anterior, com vitórias por 6 a 1 e 6 a 3, e ainda abriu o placar na final, em Hampden Park, em Glasgow. Para que cutucar as onças? Di Stéfano foi três vezes à rede, e Puskás, quatro, antes que os alemães pudessem reagir, com dois gols no fim. Atuações tão impressionantes que abrimos uma exceção para encaixar os dois juntos na nossa lista.

José Altafini, o Mazzola – Milan 2 x 1 Benfica (1963)

Cristiano Ronaldo bateu um recorde de 51 anos quando marcou seu 15º gol na temporada 2013/14 da Champions League. A marca pertencia ao brasileiro José Altafini, o Mazzola, que foi às redes 14 vezes em 1962/63, oito em um mesmo jogo contra US Luxembourg, na primeira rodada, e duas na decisão contra o Benfica, completando jogadas de Gianni Rivera.

Pierino Prati – Milan 4 x 1 Ajax (1969)

Quantos jogadores fizeram uma tripleta na decisão da Champions League? A resposta é três: Puskas (duas vezes), Di Stéfano e Pierino Prati. O atacante do Milan estava simplesmente impossível na decisão de 1969, contra o jovem Ajax de Rinus Michels e Johan Cruff. Marcou três vezes na goleada por 4 a 1 sobre os holandeses, que aprenderiam com a experiência e seriam tricampeões entre 1971 e 1973.

Johan Cruyff – Ajax 2 x 0 Internazionale (1972)

Muito mais experiente, e já com um título na prateleira, o Ajax não deu chance para a Internazionale, na decisão de 1972. Jogando em Roterdã, na Holanda, o time de Cruyff fez 2 a 0, com os dois gols marcados pelo craque. No primeiro, a bola praticamente caiu do céu, depois de uma saída em falso do goleiro italiano Ivano Bordon. O segundo saiu de cabeça. Foi o bicampeonato do Ajax, que venceria novamente no ano seguinte.

Gerd Müller – Bayern de Munique 4 x 0 Atlético de Madrid (1974)

A única final que não foi disputada em uma partida só teve Müller como destaque. Depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo, com ambos os gols na prorrogação, a decisão final foi muito mais fácil do que se esperava. Contra um Atlético de Madrid cansado, o Bayern de Munique passeou, e Müller e Hoeness foram às redes duas vezes cada. O segundo tento de Müller foi lindo.

Helmut Duckadam – Steaua Bucareste 0 x 0 Barcelona (1986)

Na segunda chance que o Barcelona teve de ser campeão europeu, Duckadam simplesmente não permitiu. Depois de um 0 a 0 no tempo normal, o goleiro romeno defendeu quatro cobranças dos catalães na disputa de pênaltis. O Steaua Bucareste conquistou um título histórico, mas o destino do seu herói não foi dos melhores. Uma doença sanguínea o afastou dos gramados por três anos e impediu que sua carreira decolasse depois da atuação magnífica em Sevilha.

Ruud Gullit – Milan 4 x 0 Steaua Bucareste (1989)

O Steaua Bucareste voltou à decisão europeia, curiosamente no Camp Nou, estádio do adversário derrotado três anos antes. Dessa vez, o desafio era o Milan com seu trio de holandeses, e um deles, Ruud Gullit, comeu a bola. Marcou dois gols, colocou bola na trave, exigiu defesas do goleiro e liderou a goleada italiana.

Ronald Koeman – Barcelona 1 x 0 Sampdoria (1992)

O Barcelona foi, enfim, campeão europeu, e Ronald Komean conseguiu ser o grande destaque. O zagueiro não apenas teve uma ótima atuação defensiva, como também marcou o gol do título, em cobrança de falta, na prorrogação.

Dejan Savicevic – Milan 4 x 0 Barcelona (1994)

Dois anos depois, o Barça não foi páreo para o Milan de Savicevic. O montenegrino fez a jogada pela direita e deu o passe para o primeiro gol, de Massaro. Marcou o terceiro, um golaço. E acertou a trave na jogada que resultou no quarto, de Desailly. Um atropelo dos italianos sobre o Dream Team de Cruyff.

Oliver Kahn – Bayern de Munique 1 x 1 Valencia (2001)

Mais uma atuação decisiva de um goleiro durante a disputa de pênaltis. Depois de Bayern de Munique e Valencia empatarem por 1 a 1, Oliver Kahn brilhou com três defesas de chutes a partir da marca do cal e deu para os alemães o título que havia escapado pelos dedos, dois anos antes, contra o Manchester United.

Zinedine Zidane – Real Madrid 2 x 1 Bayer Leverkusen (2002)

Acredito que o golaço de Zidane, com um voleio da entrada da área no ângulo, fala por si mesmo.

Steven Gerrard – Liverpool 3 x 3 Milan (2005)

A liderança de Gerrard foi a inspiração do milagre de Istambul, essencial para o Liverpool sair do buraco em que havia se enfiado no primeiro tempo. Fez um gol, sofreu o pênalti do empate, e foi a partir da sua determinação que os companheiros acreditaram que a virada era possível.

 Filippo Inzaghi – Milan 2 x 1 Liverpool (2007)

Um gol de sorte, um gol de habilidade (acredite se quiser): Inzaghi foi o homem responsável por entregar ao Liverpool a revanche do Milan, depois do que aconteceu em Istambul, dois anos antes. O atacante italiano, oportunista como sempre, desviou uma cobrança de falta com o corpo e completou passe de Kaká para fazer o segundo.

Diego Milito – Internazionale 2 x 0 Bayern de Munique (2010)

Dois belos gols de Diego Milito decidiram a parada a favor do time de José Mourinho. No primeiro, o argentino escorou de cabeça para Sneijder, que devolveu a bola para ele abrir o placar. No segundo, arrancou desde a intermediária, entortou Van Buyten e fez um golaço. Foi merecidamente aplaudido ao deixar o gramado.

Didier Drogba – Chelsea 1 x 1 Bayern de Munique (2012)

Drogba sempre foi um jogador decisivo. Tem um longo currículo de gols em decisões e a final da Champions League não foi diferente. Quando tudo parecia perdido, ele marcou de cabeça, aos 43 minutos do segundo tempo, para levar o jogo à prorrogação. E na disputa de pênaltis, foi o responsável pelo chute decisivo do histórico título europeu do Chelsea.

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