O primeiro semestre sempre traz a discussão: o que fazer com os Campeonatos Estaduais? Há quem defenda eliminá-los do calendário brasileiro. Outros preferem reduzi-lo, o que parece mais sensato. Porque além de complicar a vida de times pequenos e atrapalhar grandes rivalidades locais, nós ficaríamos sem essas grandes histórias que você conhecerá ou relembrará a seguir.

LEIA MAIS: Mapa interativo: Todos os campeões estaduais que se consagraram neste final de semana

São 15 anedotas folclóricas, derivadas de desorganização, aspectos culturais, personagens pitorescos ou mesmo puro amadorismo. Aquelas notícias que nós da imprensa, por falta de uma definição melhor, gosta de classificar como inusitadas. Coisas que só poderiam ter acontecido nos nossos muito simpáticos estaduais.

Técnico da Amax não estava prestando muita atenção ao jogo
O técnico Afonso Alves do Amax
O técnico Afonso Alves do Amax

“Tivemos jogador expulso agora? Nesse jogo? Não vi”. Perceba a segunda pessoa do plural no tempo verbal: quem falou essa frase foi o próprio técnico do Amax, Afonso Alves, que simplesmente não percebeu que teve um jogador expulso na metade do segundo tempo na derrota por 2 a 1 para o Atlético do Acre. O volante Paulo Henrique cometeu pênalti quando seu time vencia por 1 a 0, levou o segundo amarelo e foi para o chuveiro mais cedo. “Foi na hora em que eu estava conversando com os meninos lá. Ele anotou o cartão e pensei que tinha sido amarelo (foi mesmo: o segundo)”, admitiu o treinador, em bate papo com os repórteres após a partida. Ele deixou o comando do Amax, rebaixado à segunda divisão, aproximadamente duas semanas depois. Veja a entrevista aqui.

Éder Louco faz jus ao apelido

O camisa 10 do Água Santa não é chamado de Éder Louco por acaso. Em uma partida contra o Linense, pelo Paulistão, uma cobra sorrateiramente invadiu o gramado. A partida foi paralisada, e enquanto os agentes envolvidos nela deliberavam sobre o que fazer com a serpente, Louco perdeu a paciência e deu um chute na coitada, expulsando-a do gramado. Nada demais para um jogador que admite fazer xixi no calção durante todos os seus jogos por superstição.

Ele realmente não gostou da substituição

O atacante Igor havia entrado no intervalo do empate sem gols entre Cuiabá e Operário VG, pelo Campeonato Mato-Grossense, e em menos de 20 minutos em campo, foi substituído pelo técnico Fernando Machiori. Ele realmente não gostou nada da decisão. Saindo de campo, foi para cima do chefe com muita agressividade e teve que ser seguro pelos companheiros para não chegar às vias de fato. Marchiori chamou-o de “sem caráter”. Igor rebateu dizendo que o técnico era “traíra”. Marchiori pediu demissão no dia seguinte.

O interino de si mesmo

O Figueirense demitiu Hudson Coutinho, que treinava a equipe desde o fim do ano passado, depois de um começo de Catarinense bem ruim. Foram apenas duas vitórias em 11 jogos. Mas não demitiu mesmo. Rebaixou o profissional para auxiliar técnico e saiu em busca de um novo técnico principal. Enquanto não o encontrava, o próprio Hudson Coutinho assumiu o time interinamente para o jogo contra o Inter de Lages, pelo Catarinense. Coutinho foi, portanto, interino de si mesmo, um cargo que exige muita reflexão e autoconhecimento. Vinicius Eutrópio foi contratado antes da próxima partida, evitando mais confusão.

Hudson Coutinho

Não há dinheiro que pague

O Estrela do Norte passou por sérias dificuldades financeiras durante o Campeonato Capixaba deste ano, mas não dá para dizer que não foi criativo na maneira que encontrou para minimizá-la. Com salários atrasados, e jogadores pulando do barco, o presidente Adílson Conti decidiu pagar suas dívidas com ingressos do show de 75 anos de Roberto Carlos que foi realizado no Estádio Mário Monteiro, em Sumaré. Dos 450 ingressos cedidos ao Estrela pela utilização do estádio, 250 já haviam sido vendidos quando Conti teve esse brilhante momento de iluminação. Os outros 200 foram reservados para os próprios jogadores venderem e usarem o dinheiro para pagar as contas no fim do mês. O Estrela do Norte foi rebaixado.

Roberto Carlos
Roberto Carlos
Subiu no telhado

Desculpem, mas o trocadilho foi inevitável. O técnico uruguaio do Guarani de Palhoça, Sergio Ramírez, foi expulso no começo do segundo tempo do empate por 2 a 2 com o Figueirense, pelo Catarinense. Impedido de ficar no banco de reservas, e com a boa resiliência de um uruguaio, subiu no telhado do estádio, agarrou um cone para amplificar a sua voz e continuou dando ordens como se nada tivesse acontecido. Ordens e muitas broncas.

Um boneco solitário

Como os bombeiros não tiveram tempo de inspecionar barras antiesmagamento que foram colocadas nas arquibancadas, o estádio Cristo Rei foi liberado apenas parcialmente. Para piorar, a diretoria do Aimoré cobrou preço único para a torcida do Internacional, a salgados R$ 100. O público foi lamentável: 744 pagantes. Um solitário boneco com a camisa do Aimoré foi posto nas bancadas vazias em forma de protesto.

O boneco de protesto do Aimoré
O boneco de protesto do Aimoré
E o vento levou

A torcida do ABC, antes da final que selou o seu 53º título potiguar, lançou um bandeirão do clube amarrado em balões à mercê do vento, que foi um pouco sádico e levou a festa dos alvinegros diretamente para o setor do Frasqueirão onde estavam os apaixonados pelo América-RN. Resultado: o bandeirão foi rasgado sem dó, nem piedade.

Três pagantes

Achamos um jogo com apenas 29 pagantes no Campeonato Capixaba, e achamos virtualmente impossível haver um público pior que esse nos estaduais, mas como fomos inocentes com a desorganização do nosso futebol. Em Rondônia, na terceira rodada, três pessoas pagaram ingresso para ver o empate por 2 a 2 entre o mandante Ji-Paraná e o Morumbi. Sem o estádio regularizado, o Ji-Paraná teve que realizar a partida a 174 quilômetros da sua sede habitual e pagou um alto preço por isso: teve renda bruta de R$ 60 para pagar gastos de R$ 1.049,84 com a partida.

A malandragem não deu certo

Valia vaga nas semifinais da Série A-2 do Paulistão. Pênaltis. Douglas Silva errou a nona cobrança e mandou a bola para a arquibancada. O Batatais teve a classificação nos pés, e bastava Eliandro acertar o décimo pênalti contra Felipe, AQUELE, ex-Corinthians e Flamengo. O camisa 9 converteu a cobrança, mas, na mesma hora, a torcida do Bragantino, time da casa, jogou de volta a bola que Douglas Silva havia isolado. O árbitro repetiu o lance, e na segunda tentativa, Eliandro chutou por cima do travessão. A artimanha dos torcedores do Braga quase funcionou, mas, nas alternadas, Edson Sitta bateu para fora, e o Batatais acabou não sendo injustiçado.

Criticou? Faz melhor!

A Portuguesa brigava contra o rebaixamento para a terceira divisão do Campeonato Paulista, um novo fundo do poço inaceitável para a torcida. A Lusa acabou escapando, mas, quando a situação estava bem difícil, os torcedores invadiram o Centro de Treinamento do Parque Ecológico uniformizados e com um nariz de palhaço, desafiando os jogadores para um amistoso. O desafio não foi aceito, mas foi o bastante para chamar a atenção. O elenco ouviu as demandas do grupo de torcedores.

A torcida da Portuguesa protestou com narizes de palhaço
A torcida da Portuguesa protestou com narizes de palhaço
Roubou a cena

Um cachorro, que já zanzava pelas arquibancadas, invadiu o campo durante o primeiro tempo de Oeste e Capivariano, em Itápolis, pelo Paulistão, e a partida foi paralisada. O bichano acabou sendo retirado na base de muito carinho, nos braços do atacante Alex. E o próprio Alex foi recompensado pelo respeito aos animais com um gol na vitória por 2 a 1 do Capivariano.

Cara ou coroa

O regulamento da decisão do Campeonato Acreano determina que, em caso de empate em pontos, o campeão será definido pelos seguintes critérios: número de vitórias, saldo de gols, maior número de gols marcados, menor número de gols sofridos, confronto direto e sorteio. O que ninguém percebeu até o começo do mês é que em duas partidas de ida e volta esses critérios de desempate são inúteis. Caso haja uma vitória para cada lado pela mesma diferença de gols, ou dois empates, o melhor time do estado será conhecido na sorte mesmo.

Em entrevista ao UOL, o presidente da Federação de Futebol do Acre, Antônio Aquino Lopes, confirmou a solução seria mesmo um sorteio, mas está otimista que os times vão partir para o “tudo ou nada” e evitarão as igualdades. Ainda brincou que a definição tem que ser realizada logo depois do jogo, “para o cara comemorar, né?”. Não sabe, no entanto, qual será o método utilizado e prometeu “criar uma técnica para fazer o sorteio”. O bom cara ou coroa deve bastar.

Em um regulamento futuro, poderiam retomar as regras do Campeonato Acreano do ano passado e decidir o empate com prorrogação e pênaltis, como faz o mundo inteiro.

Desgraça pouca é bobagem

Destaque do Bangu no Carioca, o meia Almir enfrentava o Flamengo quando disputou uma bola com o zagueiro Juan e levou a pior. Com o joelho direito luxado, teve que ser retirado do gramado e se dirigiu à ambulância que o levaria ao hospital. No trajeto, como se a lesão não fosse o bastante, a maca quebrou e o jogador caiu. Ficou no chão aguardando uma nova maca para que fosse levado ao automóvel, completando uma tarde desagradável.

Mudar de ideia nem sempre é pecado

A grande rotatividade de técnicos no futebol brasileiro não é novidade para ninguém, mas o Socorrense, time da primeira divisão do Campeonato Sergipano, exagerou um pouco. Depois de perder todos os três primeiros jogos do estadual, demitiu Guidon Santos na segunda-feira. Na terça, mudou de ideia e readmitiu o profissional. Na quarta, após o empate por 1 a 1 com o Lagarto, mudou de ideia de novo e colocou Guidon na rua pela segunda vez em três dias. Adivinha se o time não acabou sendo rebaixado para a Segundona com a pior campanha do Quadrangular da Morte?

Guidon Santos, ex-técnico do Socorrense
Guidon Santos, ex-técnico do Socorrense