Erling Haaland tem vivido um começo de carreira meteórico, e um dos maiores sinais do status de estrela que o jovem alcançou tão rapidamente foi a reação efusiva dos jogadores do PSG após a vitória que eliminou o Borussia Dortmund da Champions League, em março. Reagindo a um post (vazado) de redes sociais do norueguês em que dizia que Paris era “sua cidade”, o elenco parisiense provocou e imitou a comemoração de meditação de Haaland ainda no gramado do Parque dos Príncipes, no jogo de volta. Perguntado nesta semana sobre o episódio, Haaland foi debochado e criativo.

Em entrevista ao ESPN FC, publicada nesta quinta-feira (30), Haaland negou que tenha se incomodado com a resposta dos jogadores do PSG. Com uma voz serena e mantendo um tom comicamente sério, até “agradeceu” aos adversários: “Eles me ajudaram muito a divulgar a meditação e mostrar a todo o mundo que a meditação é importante, então sou grato a eles por terem me ajudado com isso”.

Recapitulando um pouco, o Borussia Dortmund de Haaland havia vencido o PSG no jogo de ida na Alemanha por 2 a 1, com dois gols do norueguês, que fazia seu primeiro jogo na competição com a camisa dos aurinegros – embora já houvesse dado show na fase de grupos pelo RB Salzburg.

Na partida de volta, o PSG devolveu a derrota, eliminou os alemães, e a comemoração de Neymar em seu gol já indicava o desejo de vingança. Acompanhado por poucos de seus companheiros, imitou, em um Parque dos Príncipes vazio, a meditação de Haaland. O gesto foi repetido mais tarde, já após o apito final, agora com quase toda a equipe.

Tudo isso teve a ver com uma selfie que Haaland compartilhou em conversa privada com um ex-companheiro de RB Salzburg, Antoine Bernède, revelado pelas categorias de base do PSG. Nela, Haaland havia chegado a Paris para o confronto e havia escrito: “Minha cidade, não sua”.  O vazamento da imagem, como revelou Kimpembe, zagueiro parisiense, virou motivação à equipe de Thomas Tuchel, que por fim conquistou a classificação.

A eliminação foi frustrante ao Dortmund e a Haaland, que é completamente apaixonado pela Liga dos Campeões. Um de seus maiores sonhos é vencer a Orelhuda, mas, com apenas 19 anos, sabe que tem muito tempo pela frente e busca aproveitar o rico aprendizado que tem tido logo cedo na carreira: “Aprendi muito desses dois jogos. É experiência, é preciso viver no momento e ter a experiência”.

Para chegar a seus objetivos, Haaland deverá continuar aliando a cabeça boa com o talento nos pés e a fantástica potência física que já demonstra. E tem os modelos perfeitos para seguir em sua busca por aperfeiçoamento. Fã de Cristiano Ronaldo e Messi, seus olhos brilham ao falar da dupla e da imagem de profissionais dedicados que os dois passam.

“Uma coisa que eles têm em comum é a fome de gols que eles têm, e você vê isso neles antes de todos os jogos. Eu assistia a muitos jogos quando estava no Molde, na Noruega. E, vendo a Champions League, você via no rosto do Cristiano Ronaldo, por exemplo, que ele estava pensando: ‘Hoje eu sou o cara, hoje irei marcar gols’. E é o que ele fazia. É isso que eu mais gostava neles, o quão dedicados eles são a ter sucesso e serem os caras.”

O tempo de análise é curto, mas, neste início de carreira, a impressão é de que Haaland tem assimilado bem as lições dos ídolos. Em 33 jogos na temporada, já são 40 gols marcados, além de recordes individuais estabelecidos com frequência assustadora. E estamos falando apenas de seus primeiros passos no futebol.