É comum ex-jogadores ou dirigentes que aproveitam a popularidade do futebol para tentar, com boas ou más intenções, entrar na política tradicional brasileira. No último domingo, a maioria falhou. Figuras como Eduardo Bandeira de Mello, atual presidente do Flamengo, Marcelinho Carioca, Ademir da Guia, Luizão ou Paulo Rink não conseguiram se eleger. Romário, ex-deputado federal e senador, ficou fora do segundo turno pelo governo do Rio de Janeiro. A seguir, porém, detalhamos um pouco o currículo e o que defendem as figuras do futebol que alcançaram votos suficientes para representar a população pelos próximos quatro ou oito anos.

Bebeto (Podemos) – Deputado estadual do Rio de Janeiro – 25.917 votos

Bebeto reeditou a dupla da Copa de 1994 com Romário ao se filiar, ano passado, ao Podemos, sigla que lançou o Baixinho a governador do Rio de Janeiro e Álvaro Dias à presidência da República. Antes, Bebeto Tetra, como apareceu nas urnas, havia passado por PDT e Solidariedade. Será o seu terceiro mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, mas com a menor votação de todas. Em 2010, teve 28.328 votos. Quatro anos depois, alcançou 61.082 votos. Agora, não chegou nem aos 26 mil.

Na última legislatura, no âmbito esportivo, defendeu o tombamento de dois clubes esportivos e foi autor de leis que proíbem o uso de cerol ou de qualquer produto que possua elementos cortantes na “prática de soltar pipas”, inclusive obrigando motocicletas a terem antenas contra esse tipo de linha. Foi co-autor, ao lado de boa parte da ALERJ, de uma lei que multa e ordena a retirada de publicidade misógina, sexista ou estimuladora de agressão e violência sexual “no âmbito do Estado do Rio de Janeiro”.

Bebeto faltou à sessão extraordinária que definiu a revogação da prisão de Jorge Picciani (MDB), presidente afastado da Assembleia. Ele havia assinado sua filiação ao Podemos na manhã daquela sexta-feira, mas alegou um compromisso em São Paulo. Presidente da sigla no Rio de Janeiro, Romário ordenou a exclusão de dois deputados do partido que se posicionaram a favor da soltura, que venceu por 39 votos a 19, mas não fez nada com Bebeto, que não votou nem a favor e nem contra.

Darnlei (PSD) – Deputado federal pelo Rio Grande do Sul – 102.662 votos

O ex-goleiro Danrlei

Danrlei, ex-goleiro histórico do Grêmio, foi eleito para um terceiro mandato como deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Com 102.662 votos, teve sua pior votação, em contraste com os 173.787 votos da sua primeira eleição e os 158.973 da reeleição. Começou no PTB, pouco depois de se aposentar, mas filiou-se ao PSD, partido fundado pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em 2011.

Nas principais votações da última legislatura, Danrlei posicionou-se a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), da emenda constitucional conhecida como PEC do Teto de Gastos, que limita o gasto público, e da reforma trabalhista. Também votou pela aceitação das duas denúncias por obstrução de justiça e organização criminosa contra o presidente Michel Temer (MDB). 

João Leite (PSDB) – Deputado estadual de Minas Gerais – 56.298 votos

João Leite

O ex-goleiro do Atlético Mineiro servirá um sétimo mandato como deputado estadual de Minas Gerais, graças aos 56.298 votos que angariou, a 40ª maior votação do Estado. Teve breve passagem pelo PSB, mas sua carreira é ligada ao PSDB. Tentou três vezes a prefeitura de Belo Horizonte e em duas chegou ao segundo turno. Acabou derrotado por Célio de Castro (PSB), em 2000, Fernando Pimentel (PT), em 2004, ainda no primeiro turno, e Alexandre Kalil (PHS), em 2016.  Chegou a presidir a Comissão de Direitos Humanos e foi Secretário de Desenvolvimento Social e Esporte no governo Aécio Neves.

Define-se genericamente como “competente, experiente, e em defesa da vida”, em seu site oficial, em que destaca algumas das leis de sua autoria, como o incentivo ao esporte, à doação de órgãos, pela preservação do patrimônio ferroviário de Minas Gerais e pela regulamentação do fumo em recintos fechados. Atualmente, é presidente da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras.

Bobô (PCdoB) – Deputado estadual da Bahia – 57.716 votos

Bobô

Foi presidente da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia durante os dois mandatos de governador do petista Jaques Wagner (2007-2014). Absolvido pela Justiça de homicídio culposo e lesões corporais culposas pela queda de parte do anel superior da Fonte Nova, em 2007, matando sete torcedores. Deixou a Sudesb, em 2014, quando foi eleito deputado estadual pelo PCdoB, com 27.242 votos. Conseguiu a reeleição com um aumento expressivo na contagem: 57.716 votos.

Ao ser eleito pela primeira vez, disse que a sua principal bandeira seria o esporte, mas que desejava ampliar sua área de atuação. A maioria dos projetos de lei apresentados por ele, no entanto, está no âmbito esportivo.

Outros políticos eleitos com relação com o esporte:

Jorge Kajuru (PRP), senador por Goiás – O jornalista esportivo pulou de vereador de Goiânia, eleito em 2016, para o Senado Federal, com 1.557.415 votos. Superou, entre outros, o ex-governador Marconi Perillo. Em apenas dois anos de mandato, apresentou dezenas de projetos e se orgulha de não aceitar benefício, salário e não gastar dinheiro público no seu Gabinete – com exceção da conta de luz.

Eduardo Girão (PROS), senador pelo Ceará – Foi brevemente presidente do Fortaleza, ano passado, antes de ser lançado candidato a senador. Ganhou a segunda vaga, com 12 mil votos a mais do que Eunício Oliveira (MDB), atual presidente do Senado. É contra a legalização do aborto e das drogas, a favor da diminuição da carga tributária e do número de deputados federais de 513 para 300. Apesar de o PROS ser da coligação do candidato à presidência Fernando Haddad, do PT, disse que apoiará Jair Bolsonaro, do PSL, no segundo turno, “com ressalvas”.

Alencar da Silveira Júnior (PDT), deputado estadual de Minas Gerais – O ex-presidente do Conselho de Administração do América Mineiro parte para o sétimo mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Apresentou um projeto de lei que proíbe a contratação de homens que tenham sido condenados por crimes contra a mulher, até oito anos após o cumprimento da pena.

Paulo Ganime (Novo), deputado federal pelo Rio de Janeiro – Com 52.983 votos, o vice-presidente de gestão estratégica do Vasco foi eleito deputado federal pelo Partido Novo. É a favor das reformas da tributária, política e da previdência, da austeridade e da redução da burocracia do Estado.


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