O anúncio da saída de Tito Vilanova do Barcelona foi um choque. É algo difícil de lidar e o próximo passo para o Barcelona será difícil: escolher um sucessor.  Depois da saída de Pep Guardiola, o time apostou na continuidade do estilo, promovendo Tito, até então auxiliar, a técnico principal. É preciso lembrar também que o time foi campeão espanhol com tranquilidade, apesar dos momentos de instabilidade na temporada, que resultaram na eliminação na Copa do Rei e principalmente na Liga dos Campeões.

Passado o susto pela notícia, o Barcelona tem que colocar a cabeça no lugar e fazer um trabalho minucioso para escolher quem será o sucesso de Tito. Muitos nomes são especulados na imprensa espanhola e resolvemos analisar alguns deles e até outros, que nem foram especulados, mas que por algum motivo poderiam se encaixar no estilo da equipe. Vamos a eles:

Frank De Boer
Frank de Boer é o técnico do Ajax (AP Photo/Jon Super)
Frank de Boer é o técnico do Ajax (AP Photo/Jon Super)

Lado positivo

Ex-jogador do Barcelona, o holandês faz um bom trabalho à frente do Ajax, conquistando dois títulos consecutivos do Campeonato Holandês. O Ajax aplica um estilo de formação que foi copiado e aprimorado pelo Barcelona e tem semelhanças em campo com o que é feito no Camp Nou, com dois pontas, muitas vezes sem um centroavante típico.

Lado negativo

O problema é que o Ajax não varia muito de esquema de jogo, algo que fez falta ao Barcelona depois de Guardiola. Além disso, é um técnico de um só trabalho em um ambiente que está totalmente em casa, como era Guardiola no Barcelona. Fora do Ajax, ainda precisará provar seu valor.

André Villas-Boas
Villas-Boas comanda o Tottenham (AP Photo/Sang Tan)
Villas-Boas comanda o Tottenham (AP Photo/Sang Tan)

Lado positivo

Técnico que gosta de inovar, conseguiu fazer um bom trabalho no Porto em um 4-3-3 e soube adaptar o esquema tático do time ao craque do Tottenham, Gareth Bale, algo que é importante para os blaugranes. Tem também as credenciais de ser um treinador estudioso, que analisa metodicamente o próprio time e os adversários.

Lado negativo

Um dos problemas de Villas-Boas no Chelsea foi a administração do elenco com senadores. É verdade que esse é um problema que muitos treinadores tiveram, mas com tantos jogadores com muito tempo de casa, como o Barcelona, esse cenário pode se repetir. Ainda mais com um grupo fragilizado pelo problema com Tito.

Joan Francesc Ferrer “Rubi”

Rubi chegou nesta semana ao Barcelona para integrar a comissão técnica
Rubi chegou nesta semana ao Barcelona para integrar a comissão técnica

Lado positivo

Entrou na comissão técnica do Barcelona para esta temporada e seria o auxiliar técnico de Tito. Na temporada passada, treinou o Girona, clube menor da Catalunha, que joga a segunda divisão da Espanha. Mostraria uma ligação e um compromisso com a região. Foi especulado por veículos espanhóis para assumir o cargo, embora isso pareça muito, mas muito improvável – e só entrou na lista por isso.

Lado negativo

Não tem experiência no primeiro nível do futebol, não tem o respaldo de trabalhar no Barcelona, como era o caso de Guardiola e Tito, que também não tinham experiência. Com o tamanho do problema e da pressão que o Barcelona terá que enfrentar, pode facilmente ser engolido pelo turbilhão, como, em parte, aconteceu com Jordi Roura quando assumiu interinamente a equipe.

Cesare Prandelli

Brazil Soccer Confed Cup Spain Italy

Lado positivo

Tem feito um grande trabalho à frente da seleção italiana. É um técnico que mostrou um compromisso com o jogo ofensivo e seus dois últimos trabalhos mostram isso – além da Azzurra, a Fiorentina também tinha essa característica. É um técnico com tamanho para chegar com moral frente ao elenco.

Lado negativo

Não tem experiência no futebol espanhol e a língua também pode atrapalhar. Além disso, tirá-lo de um grande trabalho na seleção do seu país seria altamente improvável. Até por isso, o seu nome sequer aparece nas especulações.

Marcelo Bielsa
Marcelo Bielsa é um dos treinadores que inspirou Guardiola e por quem é admirado
Marcelo Bielsa é um dos treinadores que inspirou Guardiola e por quem é admirado

Lado positivo

O apreço pelo jogo ofensivo já seria uma credencial natural a Bielsa no Barcelona. No entanto, o argentino foi uma espécie de tutor na formação de Pep Guardiola, que passou por um período de estágios na seleção do Chile. Essa proximidade poderia auxiliá-lo junto à cúpula blaugrana. Menosprezar a escalação de zagueiros e montar esquemas táticos mirabolantes, como a torcida tanto viu nos últimos anos, não seria problema para El Loco. Em 2012, quando Guardiola relutava em renovar seu contrato, Bielsa era apontado como forte candidato, especialmente pelo ótimo trabalho à frente do Athletic Bilbao.

Lado negativo

Desde então, muita coisa aconteceu com Marcelo Bielsa. Saiu no braço com o empreiteiro que cuidava da reforma do CT do Athletic, discutiu publicamente com dirigentes, criou caso com jogadores e, principalmente, fez o time basco despencar do alto nível atingido na temporada anterior. O ano ruim queimou um pouco de sua imagem na Espanha. Além disso, a diretoria do Barcelona precisa levar em conta que trabalhará um cara cheio de dogmas e manias. Confetes não costumam agradar muito a Bielsa, que não demoraria a dar patadas sobre a autopromoção costumeira dos culés.

Michael Laudrup
Michael Laudrup no tempo que era jogador do Barcelona
Michael Laudrup no tempo que era jogador do Barcelona

Lado positivo

Do Swansealona ao Barcelona. O gosto de Michael Laudrup pela posse de bola é famoso, mantendo a tradição de Roberto Martínez e Brendan Rodgers no clube galês e, da mesma forma, o tiki-taka catalão. A boa campanha dos Swans em sua temporada de estreia ajudou a promovê-lo bastante, assim como a capacidade de encontrar verdadeiras pechinchas no mercado de transferências espanhol. Além do mais, é um velho conhecido dos blaugranas, treinado por Johan Cruyff e cérebro do Dream Team entre 1989 e 1994.

Lado negativo

Laudrup, porém, nunca foi submetido a um grande teste como treinador. Começou muito bem no Brondby e fez a fama no Getafe que chegou à final da Copa do Rei. Depois, fracassou no Spartak Moscou e teve um desempenho apenas razoável no Mallorca, até ser pinçado pelo Swansea. Nunca viveu um ambiente grandioso como o do Barcelona e todas as suas implicações, como pressão da torcida, interesses da diretoria e egos de craques. Convenhamos, treinar Messi e Xavi está em um patamar muito acima de Michu e Britton.

Luis Enrique
Luis Enrique treinou o Barcelona B
Luis Enrique treinou o Barcelona B

Lado positivo

Mesmo não sendo uma cria autêntica de La Masia, Luis Enrique incorporou o barcelonismo como poucos. Companheiro de Guardiola enquanto jogador, foi seu pupilo no início da carreira como técnico. Lucho passou a comandar o Barça B em 2008, mesmo ano em que Pep assumiu o time principal. E o trabalho na filial foi bem avaliado, com a conquista do acesso à segunda divisão e o auxílio na formação de algumas promessas, como Pedro e Thiago Alcântara. O trânsito na base é um ponto favorável.

Lado negativo

O grande problema de Luis Enrique é não ter mostrado serviço quando recebeu a primeira grande chance na carreira. O trabalho no Barcelona B o credenciou para assumir a Roma em 2011. O treinador permaneceu à frente dos giallorossi por uma temporada, marcado por decisões equivocadas, pela campanha mediana na Serie A e pela eliminação nas preliminares da Liga Europa. Nesta pré-temporada, foi nomeado técnico do Celta e terá nova oportunidade para se provar na primeira divisão.

Frank Rijkaard
Frank Rijkaard comandou o Barcelona no sucesso do clube na Liga dos Campeões de 2005/06
Frank Rijkaard comandou o Barcelona no sucesso do clube na Liga dos Campeões de 2005/06

Lado positivo

Dois Campeonatos Espanhóis e uma Liga dos Campeões. A galeria de títulos de Rijkaard no Barcelona não traz a dimensão de sua passagem pelo banco de reservas do clube. Mais importante que as taças foi o futebol vistoso, cadenciado pelo toque de genialidade de Ronaldinho e pela ascensão de uma geração que só então ficou marcada como vencedora. O fato de conhecer o estilo do clube a fundo ajuda o holandês, bem como o fato de já ter trabalhado com vários veteranos do elenco.

Lado negativo

A última temporada no comando do Barça, contudo, depõe totalmente contra Rijkaard. Não soube domar os egos das estrelas, entrou na linha de tiro da disputa política entre Sandro Rosell e Joan Laporta, acumulou resultados ruins em campo. Para piorar, o técnico só fracassou em suas empreitadas posteriores. Levou o Galatasaray à segunda pior campanha na história do Campeonato Turco e caiu ainda nas fases iniciais das Eliminatórias Asiáticas com a seleção saudita. Difícil imaginar que teria as portas abertas novamente no Camp Nou.