Quem foram os melhores jogadores da década? A última parte da Eleição Trivela

Um time de futebol tem todo um processo. Começa com a torcida, principal patrimônio de qualquer clube. Os diretores aproveitam-no para fechar acordos de patrocínio e de direitos de televisão e esse dinheiro é usado para contratar um treinador que, na maioria dos casos, passa as orientações para a formação de um elenco. Depois de tudo isso, ao fim de todo o processo, o que importa mesmo é o que os jogadores fazem dentro de campo e por isso os melhores atletas da última década fecham a Eleição Trivela. 

Como sempre, pedimos ao nosso colégio eleitoral que nos enviasse uma lista com cinco nomes, em ordem de preferência, e pontuamos do primeiro ao quinto (10, 6, 4, 2, 1). Os dois primeiros colocados provavelmente não surpreenderão ninguém. Mas e o resto da lista? 

PS: Todos os números valem a partir da temporada 2010/11 no futebol europeu e 2010 para Neymar. Foram tirados do Transfermarkt e do Soccerway. E obrigado a Murillo Moret ela ajuda com os gráficos

Nossas outras listas

Colégio eleitoral

Felipe Portes – Revista Relvado
Mauro Beting – Esporte Interativo, UOL
Leandro Iamin – Central 3
Taynah Espinoza – Esporte Interativo
Nathalia Perez – Trivela
Mário Marra – ESPN, CBN
Renata Mendonça – Dibradoras
Bruno Formiga – Esporte Interativo
Leo Escudeiro – Trivela
Bruno Bonsanti – Trivela
Joshua Law –  Football Yellow
Douglas Ceconello – Impedimento, Globoesporte.com
Ubiratan Leal – ESPN, Trivela
Vitor Birner – ESPN, Central 3/Trivela
Paulo Júnior – Central 3
Felipe Santos Souza – Espreme a Laranja, Trivela
Victor Canedo – Globoesporte.com
Vitor Sérgio – Esporte Interativo
Matías Pinto – Central 3
Leandro Stein- Trivela
Felipe Lobo – Trivela

9º – Luka Modric  

Luka Modric, do Real Madrid, com a Bola de Ouro (Foto: Getty Images)

Times: Tottenham (2008-12), Real Madrid (2012-), Croácia (2006-)
Títulos: La Liga (2016/17), Copa do Rei (2013/14), Supercopa da Espanha (2012, 2017, 2019/20), Champions League (2013/14, 2015/16, 2016/17, 2017/18), Supercopa da Uefa (2014, 2016, 2017), Mundial de Clubes (2014, 2016, 2017, 2018)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2018), Fifa The Best (2018), Jogador do Ano da Europa (2017/18)
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Apenas um jogador que não se chama Cristiano Ronaldo ou Messi foi eleito o melhor do mundo nesta década, pela Fifa ou pela Revista France Football, responsável pela Bola de Ouro. Foi graças à temporada 2017/18, quando o Real Madrid conquistou seu quarto título europeu em cinco anos, com Luka Modric puxando as cordinhas no meio campo. Depois de Kiev, ele conduziu a história campanha da Croácia à final da Copa do Mundo. Mesmo antes disso, Modric já era um meia de primeira categoria, com a camisa do Tottenham e com a do Real Madrid.

9º – Mohamed Salah

Salah, do Liverpool

Times: Al Mokawloon (2010-12), Basel (2012-14), Chelsea (2014-16), Fiorentina (2015), Roma (2015-17), Liverpool (2017-), Egito (2011-)
Títulos: Superliga da Suíça (2012/13, 2013/14), Champions League (2017/18), Supercopa da Uefa (2019), Mundial de Clubes (2019)
Prêmios individuais: Jogador do Ano da Superliga da Suíça (2013), Melhor Jogaor Africano (2017, 2018), Jogador do Ano da Inglaterra (2018), Prêmio Puskás (2018)

 

Salah ainda estava no Egito quando a década começou. Sua caminhada não foi das mais fáceis. Destacou-se pelo Basel e foi contratado pelo Chelsea. Como muitos jogadores dos Blues, não teria espaço em Stamford Bridge e teve que buscar minutos emprestado a outros clubes. Foi bem na Fiorentina e depois pela Roma, que acabou contratando-o em definitivo. E, enfim, virou gente grande. Fez excelente temporada e chamou a atenção do Liverpool. Era talhado perfeitamente ao estilo de jogo de Jürgen Klopp, mas ninguém poderia imaginar o quanto. Voltou à Inglaterra com um ponto a provar e anotou 44 gols em 52 jogos. A lesão na final da Champions League em Kiev prejudicou sua Copa do Mundo, à qual havia classificado o Egito. Nas temporadas seguintes, não foi tão letal assim, mas seguiu sendo uma das principais peças do time de Klopp.

8º – Kevin de Bruyne

Kevin de Bruyne, do Manchester City (Foto: Getty Images)

Times: Genk (2008-12), Chelsea (2012-14), Werder Bremen (2012-13), Wolfsburg (2014-15), Manchester City (2015-), Bélgica (2010-)
Títulos: Campeonato Belga (2010/11), Supercopa da Bélgica (2011), Copa da Alemanha (2014/15), Supercopa da Alemanha (2015), Premier League (2017/18, 2018/19), Copa da Inglaterra (2018/19), Copa da Liga Inglesa (2015/16, 2017/18, 2018/19, 2019/20), Supercopa da Inglaterra (2019)
Prêmios individuais: Jogador do Ano da Bundesliga (2014/15), Jogador do Ano da Alemanha (2015)

De Bruyne mostrou sua qualidade nas últimas duas temporadas com a camisa do Genk e foi contratado pelo Chelsea. Não encontrou espaço em Stamford Bridge, emprestado ao Werder Bremen e depois repassado ao Wolfsburg. Em seu segundo clube na Alemanha, explodiu, com 21 assistências apenas na Bundesliga e ajudando a conduzir seu time ao título da Copa da Alemanha. Imediatamente, o Manchester City garantiu seus serviços e não cometeu o mesmo erro do Chelsea. Nem dava. De Bruyne tornou-se um dos grandes jogadores da história dos Citizens e, acredite se quiser, passou a jogar melhor ainda sob o comando de Pep Guardiola. Tornou-se o meio-campo perfeito. O passe é apurado, puxa contra-ataques, tem força e potentes chutes de fora da área.

7º – Xavi

Xavi, do Barcelona (Foto: AP)

Times: Barcelona (1998-15), Al-Sadd (2015-19), Espanha (2000-14)
Títulos: La Liga (2010/11, 2012/13, 2014/15), Copa do Rei (2011/12, 2014/15), Supercopa da Espanha (2010, 2011, 2013), Champions League (2010/11, 2014/15), Supercopa da Uefa (2011), Mundial de Clubes (2011), Catar Stars League (2018/19), Copa do Emir do Catar (2017), Copa do Catar (2017, Supercopa do Catar (2017), Eurocopa (2012)
Prêmios individuais: Segundo lugar no Melhor Jogador da Europa (2011), Terceiro lugar na Bola de Ouro (2011)

 

Caso fosse considerada parte da década passada, Xavi estaria em posição muito melhor nesta lista. Como em 2015 trocou o Barcelona por uma boquinha no Catar, aparece apenas em sétimo lugar, uma homenagem apropriada pela maneira como conduziu o Barcelona e a Espanha nos primeiros anos deste período. Se esses dois times foram marcados pela troca de passes, ela nunca teria sido tão eficiente e bonita se não tivesse um maestro de primeira categoria puxando as cordinhas. Nunca foi um jogador de grandes números, mas sim de grande classe.

6º – Manuel Neuer 

Neuer bloqueia arremate de Lewandowski (AP Photo/Alastair Grant)

Times: Schalke 04 (2006-11), Bayern (2011-), Alemanha (2009-)
Títulos: Bundesliga (2012/13, 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18, 2018/19), Copa da Alemanha (2012/13, 2013/14, 2015/16, 2018/19), Supercopa da Alemanha (2012, 2016, 2017, 2018), Champions League (2012/13), Supercopa da Uefa (2013), Mundial de Clubes (2013), Copa do Mundo (2014)
Prêmios individuais: Luva de Ouro da Copa do Mundo (2014), Jogador do Ano na Alemanha (2011, 2014)

 

Há listas de títulos maiores que as de Manuel Neuer, mas poucos têm as duas maiores conquistas que um jogador pode ter, por clube e seleção: a Tríplice Coroa e a Copa do Mundo. Neuer chegou do Schalke 04 para que o Bayern de Munique não precisasse se preocupar com a posição de goleiro por muito tempo, exceto lesões, como a que sofreu na temporada 2017/18. E foi essencial em momentos cruciais dessas caminhadas, sem nem falar das conquistas consecutivas da Bundesliga. Em 513 jogos nesta década, sofreu 406 gols, menos de um por partida, e manteve a sua baliza inviolada 248 vezes. Números que apenas ilustram a qualidade de Neuer porque o mais impressionante é sua capacidade de fazer defesas impossíveis.

5º – Luis Suárez  

Suárez, do Barcelona (Divulgação)

Times: Ajax (2007-11), Liverpool (2011-14), Barcelona (2014-)
Títulos: Eredivisie (2010/11), Copa da Liga Inglesa (2011/12), La Liga (2014/15, 2015/16, 2017/18, 2018/19), Copa do Rei (2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18), Supercopa da Espanha (2016, 2018), Champions League (2014/15), Supercopa da Uefa (2015), Mundial de Clubes (2015)
Prêmios individuais: Craque da Copa América (2011), Melhor Jogador da Premier League (2013/14), Chuteira de Ouro da Europa (2013/14, 2015/16)

 

Ficou registrado na história que o Liverpool trocou Fernando Torres por Andy Carroll, naquela fatídica janela de inverno de 2011, e é verdade que a maior parte do dinheiro da venda do espanhol para o Chelsea foi investida no gigante inglês que não sabe não se machucar, mas sobrou um pouco para contratar Luis Suárez do Ajax. E essa foi certeira. Os Reds encontraram outro atacante de primeiro nível que quase carregou-os ao inédito título da Premier League e à quebra do jejum em 2013/14. Foi por pouco. Suárez se transferiu para o Barcelona, punido por ter mordido Chiellini na Copa do Mundo do Brasil. Precisou esperar um pouco para entrar no time e, assim que o fez, fixou-se de vez como um dos melhores jogadores do mundo. Atacante forte, rápido, bom de cabeça e com um instinto para finalizar que poucos tem. Chuta de qualquer jeito. E marca de qualquer jeito.

4º – Neymar

Neymar, do Brasil (Getty Images)

Times: Santos (2009-13), Barcelona (2013-17), Paris Saint-Germain (2017-), Brasil (2010-)
Títulos: Campeonato Paulista (2010, 2011, 2012), Libertadores (2011), Copa do Brasil (2010), Recopa Sul-Americana (2012), La Liga (2014/15, 2015/16), Copa do Rei (2014/15, 2015/16, 2016/17), Champions League (2014/15), Supercopa da Uefa (2015), Supercopa da Espanha (2013, 2016), Mundial de Clubes (2015), League One (2017/18, 2018/19, 2019/20), Copa da França (2017/18), Copa da Liga Francesa (2017/18), Supercopa da França (2018), Copa das Confederações (2013), Olimpíadas do Rio (2016)
Prêmios individuais: Bola de Prata (2010, 2011), Bola de Ouro Placar (2011), Melhor Jogador do Brasileirão (2011), Rei da América (2011, 2012), Prêmio Puskás (2011), Terceiro lugar na Bola de Ouro (2015, 2017) e no Fifa The Best (2017)

*Assistências apenas por Barcelona e Brasil pela falta de dados confiáveis da época de Santos

 

Nem todo mundo gosta de sua atitude, quase todo mundo critica a facilidade com que é derrubado, mas é difícil contestar que Neymar joga bola para caramba. Desde o começo da década liderando o Santos à conquista da Libertadores, contribuindo decisivamente ao último título do Barcelona na Champions League e agora liderando um Paris Saint-Germain com muitas ambições. Poucos são capazes de lances imprevisíveis como ele, poucos são tão completos e apenas Cristiano Ronaldo e Messi rivalizam na lista de títulos. Em todo lugar pelo qual passou foi campeão, até na seleção brasileira, embora a esta altura se cobre algo mais do que a Copa das Confederações que venceu em 2013. Mas, sempre que vestiu a amarelinha, ficou claro que era o principal jogador. As lesões na segunda metade da década o prejudicaram, no clube e no time nacional. Ainda bem que ele tem apenas 28 anos e muito futebol pela frente.

3º – Andrés Iniesta

Iniesta comemora gol pelo Barcelona (Photo by Alex Capaeros/Getty Images)

Times: Barcelona (2002-18), Vissel Kobe (2018-), Espanha (2006-18)
Títulos: La Liga (2010/11, 2012/13, 2014/15, 2015/16, 2017/18), Copa do Rei (2011/12, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18), Supercopa da Espanzah (2010, 2011, 2013, 2016), Champions League (2010/11, 2014/15), Supercopa da Uefa (2011, 2015), Mundial de Clubes (2011, 2015), Eurocopa (2012)
Prêmios individuais: Melhor jogador da Europa (2012), terceiro lugar na Bola de Ouro (2012)

 

Em termos temporais, estamos considerando o período desde a temporada 2010/11 para o futebol europeu, mas, por questão de meros meses, seria um crime ignorar que Iniesta anotou o gol do primeiro título mundial da Espanha. Em seguida, continuou sendo um dos termômetros do Barcelona na temporada em que ele talvez tenha jogado melhor sob o comando de Pep Guardiola. Pouco depois, foi o craque da sua seleção no bicampeonato da Eurocopa. Iniesta fecha o pódio especialmente pelo que fez nesses primeiros anos, mas também foi importante na conquista da Tríplice Coroa com Luis Enrique. Seguiu defendendo o Barcelona até 2017/18, e se na reta final dessa passagem não tinha mais as mesmas pernas, a classe permaneceu intacta.

2º – Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, por Portugal

Times: Real Madrid (2009-18), Juventus (2018-), Portugal (2003-)
Títulos: La Liga (2011/12, 2016/17), Copa do Rei (2010/11, 2013/14), Supercopa da Espanha (2012, 2017), Champions League (2013/14, 2015/16, 2016/17, 2017/18), Supercopa da Uefa (2014, 2017), Mundial de Clubes (2014, 2016, 2017), Eurocopa (2016), Liga das Nações (2018/19)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2013, 2014, 2016, 2017), Melhor Jogador da Europa (2014, 2016, 2017), Chuteira de Ouro da Europa (2010/11, 2013/14, 2014/15)

 

Não era missão fácil para um jogador como Cristiano Ronaldo chegar ao Real Madrid e se tornar um dos maiores de sua história. Para isso, precisou mudar. O pontinha rápido e driblador virou o artilheiro perfeito: força, impulsão, chute preciso com as duas pernas, cabeceio. Emendou seis temporadas seguidas nesta década com mais de 50 gols e, se mudou seu futebol, mudou também a trajetória do Real Madrid. Contribuiu à quebra de jejum de 12 anos na Champions League, com a conquista de La Décima e depois acrescentou outras três, invariavelmente sendo decisivo. Como se não fosse o bastante, levou Portugal ao seu primeiro título, na Eurocopa de 2016. Embora machucado, foi uma liderança importantíssima fora de campo. Insaciável, ganhou também a primeira Liga das Nações e se mudou para a Itália em busca de um novo desafio com a Juventus.

1º – Lionel Messi

Lionel Messi, do Barcelona (Divulgação)

Times: Barcelona (2004-), Argentina (2005-)
Títulos: La Liga (2010/11, 2012/13, 2014/15, 2015/16, 2017/18, 2018/19), Copa do Rei (2011/12, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18), Supercopa da Espanha (2011, 2013, 2016, 2018), Champions League (2010/11, 2014/15), Supercopa da Uefa (2011, 2015), Mundia de Clubes (2011, 2015)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2011, 2012, 2015, 2019), Fifa The Best (2019), Bola de Ouro da Copa do Mundo (2014), Chuteira de Ouro da Europa (2011/12, 2012/13, 2016/17, 2017/18, 2018/19), Bola de Ouro da Copa América (2015), Jogador do Ano da Europa (2011, 2015)

 

Os números já bastariam. A cada vez que entrou em campo na última década, Messi fez um gol. A cada dois e meio, deu uma assistência. E isso apenas pelo Barcelona. Ainda comandou a seleção argentina a três finais consecutivas, uma de Copa do Mundo, duas de Copa América, embora pese não ter conquistado um título.  Temos também o teste ocular: basta ver seus jogos para notar o quanto Messi é bom, ziguezagueando entre adversários, mantendo a bola sob controle como se ela fizesse parte do seu pé esquerdo. E o fator deslumbramento. Poucos jogadores na história são capazes de surpreender como ele, de fazer aquelas jogadas que nos fazem prender a respiração para não perder sequer um milésimo de segundo, ao fim das quais descobrimos que é possível fazer coisas com a bola que nem imaginávamos. Por tudo isso, e mais umas duas dúzias de títulos, Messi é o melhor jogador da década.

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