Quando as bolinhas do sorteio mostraram o caminho do ouro para o Brasil na fase de grupos da Copa de 2002, o prognóstico era praticamente unânime: barbada. A China vinha para a sua estreia internacional. A Costa Rica até possuía seus destaques e fez bom papel em 1990, mas nada que metesse medo. E a Turquia surgia como uma oponente de pouca tradição nos Mundiais. Faltava regularidade a um time que passou cinco anos sem vencer amistosos, apesar das participações nas duas Eurocopas anteriores. Ao final, prevaleceu a impressão de que os turcos foram subestimados. Fizeram milhões de brasileiros suarem frio na estreia, assim como ofereceram perigo nas semifinais. Terminaram coroados com um honroso terceiro lugar, resultado histórico para uma geração que, de fato, merecia mais consideração.

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Tudo bem que a Turquia deu sua dose de “sorte” na sequência da campanha. Eliminou o Japão em um jogo apertadíssimo nas oitavas. Depois, fez um confronto cardíaco contra Senegal, se garantindo graças ao gol de ouro. E a decisão do terceiro lugar contou com uma atuação de gala contra a Coreia do Sul, principalmente do veterano Hakan Sükür, principal referência daquela geração.

Muitos dos jogadores turcos já tinham causado impacto no cenário europeu. A base do time era formada pelo Galatasaray de Fatih Terim, que conquistou a Copa da Uefa em cima do Arsenal em 2000 e ainda desbancou o Real Madrid na Supercopa Europeia seguinte. O esquadrão dos Aslanlar era complementado por craques estrangeiros, como Taffarel e Gheorghe Hagi. De qualquer maneira, sua alma permanecia entre os locais. No elenco, bastante homogêneo e experiente, despontavam ainda alguns jogadores que levariam ao país à semifinal da Eurocopa seis anos depois, como Nihat Kahveci e Emre Belozoglu.

Fato é que, entre os medalhões daquela Turquia, quase ninguém vingou depois do Mundial. Tiveram melhor sorte aqueles que permaneceram na Süper Lig, adorados pelas fanáticas torcidas locais. Raros foram os que impactaram além das fronteiras, e apenas os mais jovens. Lesões, dificuldade na adaptação e outros problemas implacáveis minaram os seus caminhos. Assim, aproveitando as semanas em que os 15 anos da Copa de 2002 voltaram à tona, relembramos quem eram os 23 jogadores turcos e o que foi de cada um deles. Também falamos sobre o técnico Senol Günes, este ainda em alta até hoje, à frente do Besiktas.

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#1 Rüstü Reçber (Goleiro, Fenerbahçe, 29 anos) – Um dos protagonistas da Turquia naquela Copa, esteve entre os melhores goleiros do Mundial. Chamou atenção pelas “marcas de guerra” no rosto, em tinta preta usada (teoricamente) para ajudar contra o reflexos. Mas também fez os seus milagres sob os paus – tanto que acabou eleito para a seleção da Copa e também para o time do ano da Uefa. Ídolo do Fenerbahçe, com mais de 300 partidas disputadas, era uma das referências da seleção turca desde os anos 1990. Deu o grande salto da carreira em 2003, contratado pelo Barcelona. No entanto, o trintão acabou se transformando em um dos flops mais célebres do Camp Nou, em uma infeliz safra de goleiros até que Victor Valdés se firmasse. Depois, teve nova passagem pelo Fenerbahçe, antes de se tornar destaque do Besiktas no final da carreira. Permaneceria sendo convocado regularmente até 2008, participando da Eurocopa, a terceira de sua carreira. Foi reserva na fase de grupos, mas, por conta da expulsão de Volkan Demirel no terceiro jogo, assumiu a meta nas quartas de final e foi o herói na disputa de pênaltis contra a Croácia, que valeu a classificação às semifinais. Tornaria-se ainda o recordista em partidas pela seleção turca, 120 no total.

#2 Emre Asik (Zagueiro, Galatasaray, 28 anos) – Zagueiro conhecido pelo jogo duro e pela indisciplina, entrou no time duas vezes na primeira fase, contra Costa Rica e China, mantido no banco de reservas durante o restante da campanha. É um dos raros jogadores na história que atuou pelos três grandes de Istambul, assim como passou pelo Istanbulspor. Sua maior identificação aconteceu no Galatasaray, onde chegou após a conquista da Copa da Uefa, para reforçar o esquadrão de Fatih Terim. Depois passou pelo Besiktas, antes de retornar aos Aslanlar, onde encerrou a carreira. Também foi reserva na Euro 2008.

ULSAN, SOUTH KOREA - JUNE 03: WM 2002 in JAPAN und KOREA, Ulsan; GRUPPE C/BRASILIEN - TUERKEI (BRA - TUR) 2:1; Buelent KORKMAZ/TUR (Photo by Andreas Rentz/Bongarts/Getty Images)

#3 Bülent Korkmaz (Zagueiro, Galatasaray, 33 anos) – Mais velho do elenco, viveu o ápice internacional de uma carreira bastante condecorada. Pode ser considerado um dos maiores ídolos da história do Galatasaray. Profissionalizou-se em 1987 e vestiu somente uma camisa ao longo da carreira. Durante a Copa do Mundo, não foi titular apenas contra a Costa Rica e compunha uma parte importante no sistema, principalmente por sua capacidade para sair ao jogo pelo lado esquerdo, iniciando os ataques. Dono de uma liderança imensa, permaneceu nos Aslanlar até a sua aposentadoria, em 2005. Superou os 600 jogos pelo clube, 102 deles por competições continentais. Além disso, ergueu 31 taças, capitão em 16 delas. Virou técnico, mas sem grandes trabalhos.

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#4 Fatih Akyel (Zagueiro, Fenerbahçe, 24 anos) – Formado nas categorias de base do Galatasaray, fez parte do histórico time que conquistou a Copa da Uefa em 2000 e também disputou a Eurocopa naquele ano. Transferiu-se ao Mallorca, mas acabaria retornando ao Fenerbahçe às vésperas da Copa do Mundo. Defensor muito enérgico, fechava a linha de três zagueiros pelo lado direito. Foi o único a estar presente em todos os 634 minutos disputados pela Turquia naquele Mundial. Permaneceu no Fenerbahçe até 2004, antes de iniciar uma trajetória de andarilho da bola. Defendeu Bochum, PAOK, Trabzonspor, Kasimpasa, entre outros. Aposentou-se em 2010, no modesto Tepecik. Hoje é técnico.

27 Feb 2001: Alpay Ozalan of Turkey in action during the International Friendly match against Holland played at the Amsterdam ArenA, in Amsterdam, Holland. The match ended in a 0-0 draw. Mandatory Credit: Steve Bardens /Allsport

#5 Alpay Özalan (Zagueiro, Aston Villa, 29 anos) – Bandeira do Besiktas durante os anos 1990, teve uma breve passagem pelo Fenerbahçe antes de assinar com o Aston Villa, em 2000. Participou das duas Eurocopas anteriores, até ganhar a sua convocação ao Mundial de 2002. E foi parte fundamental no sistema de Senol Günes, o melhor defensor da equipe ao longo da competição. Atuando na função de líbero, coordenou a linha de zaga à perfeição, com muita firmeza nos combates e segurança no jogo aéreo. Expulso contra o Brasil, perdeu o restante da fase de grupos, mas retornou voando aos mata-matas. Não à toa, acabou eleito para a seleção do campeonato. Especulado por grandes clubes da Europa continental, caiu de produção no Villa Park, ao entrar em atrito com o técnico Graham Taylor e também arrumar problemas com a torcida. Ainda assim, esteve presente na Copa das Confederações de 2003. Deixou a Inglaterra em 2004, fazendo carreira justamente na Coreia e no Japão, por Incheon e Urawa Red Diamonds. Bem na J-League, voltou à Europa para defender o Colônia, aposentando-se em 2007, com o time na segunda divisão.

#6 Arif Erdem (Atacante, 30 anos, Galatasaray) – Formado nas categorias de base do Galatasaray, foi um dos símbolos do clube por mais de uma década. Viveu seu auge justamente no timaço de Fatih Terim que conquistou a Copa da Uefa em 2000. Chegou a ter uma rápida passagem pela Real Sociedad depois disso, mas voltou aos Aslanlar e terminou a Süper Lig 2001-02 como artilheiro, referendando a sua convocação ao Mundial. Presente nas Eurocopas de 1996 e 2000, era coadjuvante no elenco de Senol Günes, entrando apenas nos minutos finais de quatro jogos. Permaneceu no Galatasaray, mas, enfrentando problemas com lesão, aposentou-se em 2005. Foi assistente e trabalhou como técnico do Istanbul BB, atual Basaksehir.

#7 Okan Buruk (Meio-campista, 28 anos, Internazionale) – Mais um emblema do Galatasaray, surgiu no clube e permaneceu por lá até 2001, como um dos destaques da equipe histórica. Inclusive, foi eleito o melhor em campo na Supercopa Europeia de 2000, quando os Aslanlar derrotaram o Real Madrid. O sucesso facilitou sua transferência à Internazionale no ano seguinte, mas não agradou em Milão. Ainda assim, foi à Copa do Mundo. Reserva durante toda a campanha, entrou apenas nos minutos finais da decisão do terceiro lugar. Deixou a Itália em 2004, passando por Besiktas, Galatasaray e Istanbul BB, onde se aposentou em 2010. Além disso, foi convocado regularmente à seleção até 2005. Hoje técnico, comanda o Akhisar Belediyespor, sétimo colocado da Süper Lig.

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#8 Tugay Kerimoglu (Meio-campista, 31 anos, Blackburn) – Maestro daquela Turquia, o meio-campista despontou no Galatasaray no final da década de 1980. Foi protagonista do clube até 1999, quando Graeme Souness, que havia sido seu técnico em Istambul, o levou para o Rangers. Permaneceu duas temporadas na Escócia, até ser contratado pelo Blackburn, onde foi venerado. Presente nas duas Eurocopas anteriores, viveu seu ápice na seleção justamente sob as ordens de Senol Günes. O treinador confiou ao camisa 8 a função de armador do time, atuando como “regista”, logo à frente da linha de zaga. Dono de enorme qualidade técnica, orquestrava uma seleção de transições rápidas e muito bem organizada. Foi titular em todos os jogos do Mundial. Voltaria com o moral ainda mais elevado à Inglaterra, chegando a ser eleito o jogador do ano no Blackburn e também ganhando a braçadeira de capitão. A classe acima da média era elogiada até mesmo por Sir Alex Ferguson. Permaneceu na ativa até 2009, às vésperas de completar 39 anos, e virou técnico depois, assistente no Galatasaray.

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#9 Hakan Sükür (Atacante, 30 anos, Parma) – Para muitos, o maior jogador turco da história. A questão é que o moral do centroavante dentro de seu país nem sempre foi compartilhado além das fronteiras. Algo que a Copa do Mundo ajudou a quebrar, em seu momento mais emblemático. Com passagens por Sakaryaspor e Bursaspor no início da carreira, chegou ao Galatasaray em 1992. Os muito gols o levaram ao Torino em 1995, em frustrada estadia, logo retornando aos Aslanlar. Então, atravessou sua fase mais implacável. Chegou a anotar 38 gols em 32 jogos pela Süper Lig em 1996-97, artilheiro em três anos consecutivos e eleito o melhor jogador do país ininterruptamente de 1996 a 2000. Parte fundamental na conquista da Copa da Uefa, seguiu à Internazionale, mas não vingou. E vivia uma temporada ruim com o Parma quando foi convocado à Copa do Mundo de 2002. Era o mais tarimbado do elenco, com 73 partidas pela seleção, e não teve problemas para assumir a responsabilidade. Homem de referência na linha de frente, brigava demais pela bola e ajudava a abrir espaços aos companheiros. Contudo, mesmo titular em todos os jogos, permaneceu em incômodo jejum até a decisão do terceiro lugar, quando marcou o gol mais rápido da história das Copas e ainda deu duas assistências. Teve passagem apagada pelo Blackburn após o torneio, até retomar o seu reinado no Galatasaray. Eleito pela Uefa em 2004 o melhor jogador turco no jubileu da entidade, permaneceria na ativa até 2008, aposentando-se como o maior artilheiro da história da Süper Lig. É também o maior goleador da história da seleção. Virou comentarista e parlamentar. Opositor ao presidente Recep Tayyip Erdogan, teve sua prisão decretada no ano passado, acusado de apoiar uma organização islâmica classificada como terrorista pelo governo, responsável por uma frustrada tentativa de golpe de estado em 2016.

DORTMUND, GERMANY - JUNE 05: Yildiray Bastuerk runs with the ball during the International Friendly match between Brazil and Turkey at the Signal Iduna Park on June 5, 2007 in Dortmund, Germany. (Photo by Lars Baron/Bongarts/Getty Images)

#10 Yildiray Bastürk (Meio-campista, 23 anos, Bayer Leverkusen) – Filho de imigrantes turcos, nasceu na Alemanha e por lá fez toda a sua carreira. Formado pelo Wattenscheid 09, também jogou pelo Bochum, até ser contratado pelo Bayer Leverkusen. E o meia teve papel de destaque na famosa temporada do “tri vice” dos Aspirinas, concomitante com seu período de afirmação na equipe nacional. Titular em todos os jogos da Copa, o camisa 10 oferecia consistência ao meio-campo e tinha ótima capacidade na criação. Todavia, quando se esperava mais, não estourou da maneira desejada. Permaneceu mais duas temporadas na BayArena, cada vez perdendo mais espaço. Teve uma passagem satisfatória pelo Hertha Berlim, mas novamente sairia sem moral. Chegou ao Stuttgart campeão nacional e não agradou, antes de rumar ao Blackburn, onde encerrou a carreira em 2010, disputando uma mísera partida. Ainda continuou sendo convocado até 2008, mas sem ser titular absoluto. Esteve presente na Copa das Confederações de 2003.

MIYAGI, JAPAN - JUNE 18: WM 2002 in JAPAN und KOREA, Miyagi; Match 55/ACHTELFINALE/JAPAN - TUERKEI (JPN - TUR) 0:1; Hasan SAS/TUR (Photo by Martin Rose/Bongarts/Getty Images)

#11 Hasan Sas (Atacante, 25 anos, Galatasaray) – Um dos melhores de sua posição na Copa do Mundo. Estourou no Ankaragücü, até ser contratado pelo Galatasaray em 1998. E logo se transformaria em uma referência dos times, por seu estilo voluntarioso, brigando demais na linha de frente, tanto como ponta quanto como segundo atacante. Titular na seleção a partir de 2001, ausentou-se apenas da decisão do terceiro lugar no Mundial. Fez uma partidaça contra o Brasil, anotando o gol dos turcos na estreia, e ainda carregou o time na primeira fase, com mais um tento e três assistências. Jogou nos dois lados do ataque, assim como no apoio a Sükür durante a Copa. Apesar das especulações fortíssimas sobre o seu nome após a competição, que incluíam Milan e Liverpool, nunca deixou o Galatasaray. Era um jogador regular, mas longe da voracidade vista na Coreia do Sul e no Japão. Defendeu os Aslanlar até 2009, nem sempre como titular, e deixou de ser convocado em 2006. No início da década, trabalhou como assistente de Fatih Terim no Galatasaray.

#12 Ömer Çatkiç (Goleiro, 27 anos, Gaziantepspor) – Eterno reserva de Rüstü na virada do século, fez sua carreira em times médios da Turquia. Começou no Eskisehirspor e se firmou no Gaziantepspor, quando começou a ganhar as primeiras convocações. Esteve presente na Euro 2000, na Copa do Mundo de 2002 e na Copa das Confederações de 2003. Inclusive, chegou a entrar contra a China, quando o arqueiro titular se lesionou. Continuou sendo convocado até 2005. Passou por Gençlerbirligi e Bursaspor, até encerrar a carreira no Antalyaspor em 2012, já aos 38 anos.

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#13 Muzzy Izzet (Meio-campista, 27 anos, Leicester) – Reserva em toda a Copa do Mundo, entrou apenas nos minutos finais da semifinal contra o Brasil. Ainda assim, é um dos jogadores daquela geração que possui carreira consistente nas grandes ligas europeias. Nascido em Londres, o volante deu os primeiros passos no Chelsea, até ser levado pelo Leicester. Grande ídolo das Raposas, participou das conquistas da Copa da Liga em 1997 e 2000. Assim, ganhou notoriedade para começar a ser convocado pela seleção, participando da Euro 2000, além do Mundial de 2002. Mesmo vestindo poucas vezes a camisa da equipe nacional, permaneceu querido pela torcida em Leicester. Foi fundamental no acesso em 2003 e um dos melhores do time na Premier League em 2004, apesar do rebaixamento. Transferiu-se ao Birmingham, mas logo seria atrapalhado pelas frequentes lesões, encerrando a carreira em 2006.

#14 Tayfur Havutçu (Meio-campista, 32 anos, Besiktas) – Nascido na Alemanha, profissionalizou-se no Darmstadt, mas emigraria à Turquia por causa do futebol. Jogou por Fenerbahçe e Kocaelispor, até se estabelecer no Besiktas a partir de 1997 como um de seus principais jogadores. Convocado à Euro 2000, voltou ao Mundial de 2002 como reserva, ganhando minutos apenas nos instantes finais das partidas. Ainda assim, desfrutava da idolatria em seu clube. Capitão, superou as 300 partidas, atuando como volante e como zagueiro. Depois de pendurar as chuteiras em 2006, também foi assistente e técnico dos alvinegros, mas sem durar muito tempo no cargo.

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#15 Nihat Kahveci (Atacante, 22 anos, Real Sociedad) – Um dos melhores jogadores turcos da década era mero coadjuvante em 2002. Formado nas categorias de base do Besiktas, ascendeu rapidamente e se tornou uma das maiores promessas do país. Seis meses antes do Mundial, transferiu-se à Real Sociedad. E, compondo elenco na Coreia do Sul e no Japão, entrou apenas no final de duas partidas durante a campanha. Seu ápice viria pouco depois, estrelando a Real no vice-campeonato espanhol de 2002-03. Dono de um chute bastante potente e muito rápido, permaneceu no clube até 2006. Depois, ainda viveu bons momentos no Villarreal vice-campeão em 2007-08, pouco antes de voltar para o Besiktas, onde encerrou a carreira em 2011, com apenas 31 anos. Pela seleção, participou da Copa das Confederações de 2003 e se transformou em uma das referências nos anos seguintes. Foi um dos destaques na campanha até as semifinais da Euro 2008, especialmente por sua atuação no jogo insano contra a República Tcheca, que selou a classificação aos mata-matas.

#16 Ümit Özat (Lateral, 25 anos, Fenerbahçe) – Defensor de múltiplas aptidões, foi revelado no Gençlerbirligi, antes de ser levado pelo Fenerbahçe em 2001. Vivia bom momento no clube quando ganhou a convocação à Copa do Mundo. Titular nas duas primeiras partidas, especialmente por sua capacidade de também sair para o jogo, acabou parando no banco de reservas na sequência da competição. Integrou equipes marcantes do Fener, embora sua sequência na seleção não o tenha levado para outras competições internacionais. Permaneceu no clube até 2007, transferindo-se ao Colônia, onde pendurou as chuteiras duas temporadas depois. Atualmente trabalha como técnico, dirigindo equipes medianas da Süper Lig durante os últimos anos.

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#17 Ilhan Mansiz (Atacante, 26 anos, Besiktas) – Era o homem de confiança de Senol Günes para o segundo tempo. Nascido na Alemanha, rodou por clubes pequenos e ascendeu graças a uma boa temporada na segundona do Campeonato Turco. Defendeu o Samsunspor por três temporadas, ganhando moral para seguir ao Besiktas. Transferência providencial para o sucesso na Copa. Artilheiro da Süper Lig em sua primeira temporada pelos alvinegros, em 2001-02, ganhou as primeiras convocações e logo viajou à Coreia e ao Japão. Anotou o gol de ouro contra Senegal, deu uma célebre lambreta em Roberto Carlos e, no único jogo como titular, arrebentou contra a Coreia do Sul, com assistência e dois gols. Apesar das possibilidades no mercado, preferiu ficar no Besiktas, mas nunca repetiu o desempenho. Seguiria ao Vissel Kobe em 2004, jogando pouquíssimos. Acertou com o Hertha Berlim, mas sequer entrou em campo, até se aposentar em 2006, aos 31 anos, após uma passagem apagada pelo Ankaragücü. Nos últimos anos, participou de competições oficiais na patinação artística ao lado da então namorada, patinadora profissional.

ISTANBUL, TURKEY - DECEMBER 05: Ergun Penbe of Galatasaray in action during the UEFA Champions League group C match between Galatasaray and Liverpool at the Ataturk stadium on December 5, 2006 in Istanbul, Turkey (Photo by Mark Thompson/Getty Images) *** Local Caption *** Ergun Penbe

#18 Ergün Penbe (Lateral, 30 anos, Galatasaray) – Após surgir no Gençlerbirligi, juntou-se ao Galatasaray em 1994. Tornou-se um dos jogadores mais importantes dos Aslanlar no período, atuando tanto na lateral quanto no meio-campo. O sucesso do clube elevou o seu moral e o levou à seleção, participando da Euro 2000, antes de disputar a Copa do Mundo de 2002. Titular apenas contra a Costa Rica na primeira fase, ganharia a posição durante os mata-matas. Atuava na ala esquerda, primando por sua resistência e por seu senso coletivo. Seguiria a carreira no Galatasaray, cultuado pelos torcedores. Despediu-se do clube em 2007, com mais de 300 partidas disputadas apenas pela Süper Lig. Ainda teria rápida passagem pelo Gaziantepspor, antes de se aposentar e virar técnico. Não teve muito sucesso na nova empreitada, com trabalhos pouco relevantes.

#19 Abdullah Ercan (Lateral, 30 anos, Fenerbahçe) – Lançado pelo Trabzonspor, fez carreira na seleção turca desde cedo e disputou a Euro 1996. Era um dos principais ídolos da equipe, em tempos de conquistas notáveis nas copas nacionais. Seguiu para o Fenerbahçe em 1999, onde ganhou maior projeção, mas sem o mesmo protagonismo. Também foi à Euro 2000, antes de ser chamado por Senol Günes, seu treinador nos grenás. Reserva em todos os jogos da Copa do Mundo, permaneceu no Fener até 2003, antes de jogar por Galatasaray e Istanbulspor. Aposentou-se em 2006 e voltaria à seleção como técnico, comandando o time sub-21 e fazendo o papel de assistente no elenco principal.

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#20 Hakan Ünsal (Lateral, 29 anos, Blackburn) – Despontou no Karabükspor, até chegar ao Galatasaray em 1994. Dono de um bom cruzamento e um chute potente, não demorou a cair nas graças da torcida durante o período dourado dos Aslanlar e, assim, cavar seu espaço também na seleção. Disputou a Eurocopa em 2000, seguindo no grupo até o Mundial de 2002. Era titular no início da campanha e ficou famoso pela estreia contra o Brasil, quando deu a famosa bolada em Rivaldo. Ainda permaneceu na alinhação até as oitavas de final, indo para o banco de reservas depois. Compôs rapidamente a colônia no Blackburn antes da Copa, retornando depois ao Galatasaray, sem o mesmo impacto. Encerrou a carreira em 2006, pelo Rizespor.

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#21 Emre Belozoglu (Meio-campista, 21 anos, Internazionale) – O mais jovem do grupo era também um dos mais habilidosos, dono de muita qualidade nos passes e a capacidade de coordenar seus times – o que compensava a personalidade difícil e as constantes polêmicas. Descoberto pelo Galatasaray, logo se incorporou a outros tantos jogadores históricos na senda de conquistas durante a virada do século. Em 2001, virou aposta da Inter e seguiu a Milão bem cotado. Titular na primeira fase da Copa e também nas quartas, perdeu espaço justamente nas duas últimas partidas. Mesmo assim, voltou com boa reputação à Itália e viveu ótima temporada com os nerazzurri, antes de cair de nível. Passou pelo Newcastle, antes de assinar com o Fenerbahçe em 2008. A transferência causou grande controvérsia, diante da revolta dos torcedores do Galatasaray, mas o meia era fanático pelos canários desde a infância. Atravessou uma boa fase no clube, especialmente pela parceria com Alex. Viveria meses apagadíssimos no Atlético de Madrid em 2012-13, já com Simeone, antes de voltar para o Fener. O ídolo permaneceu por lá até 2014-15. Então, se tornou um dos líderes do projeto do Basaksehir, classificado à Liga dos Campeões em 2017-18. Aos 36 anos, é o único do time de 2002 que continua na ativa. Era titular e capitão no início da Euro 2008, mas lesionou-se logo na estreia. Seguiu convocado até 2014, despedindo-se da seleção com 93 partidas no currículo.

Unit Davala of Turkey whose winning goal sent his country into the quarter finals of the World Cup

#22 Ümit Davala (Lateral, 28 anos, Milan) – Um dos melhores jogadores turcos na Copa do Mundo, o ala direito nasceu na Alemanha. Rodou por equipes pequenas do país, até ganhar uma chance no Istanbulspor. De lá, seguiu para a consagração no Galatasaray. Ótimo no apoio e bastante regular, era peça-chave no esquema de Fatih Terim durante as conquistas na virada do século. Não à toa, seguiu com o treinador ao Milan em 2001. Presente na Euro 2000, chegou com moral no Mundial, apesar da falta de espaço nos rossoneri após a demissão do comandante. Titular a partir do segundo jogo, ajudou bastante a equipe de Senol Günes, sobretudo nas oitavas de final, quando fez o gol da classificação contra o Japão. Não permaneceria em Milanello, envolvido em uma negociação com a Internazionale, onde nunca jogou. Passou uma temporada emprestado ao Galatasaray, antes de rumar ao Werder Bremen, mas as seguidas lesões abreviaram o final de sua carreira em 2006. Foi assistente do Galatasaray posteriormente e hoje comanda o Tuzlaspor.

#23 Zafer Özgültekin (Goleiro, 27 anos, Ankaragücü) – Terceiro goleiro, não entrou um minuto sequer na Copa do Mundo. Em boa fase pelo Ankaragücü, teve a sorte de ganhar as primeiras convocações meses antes do Mundial, seguindo à Ásia. Disputou apenas cinco partidas pela seleção. Ficaria no clube até 2005, antes de rodar por equipes de médio porte do futebol turco, sem nunca emplacar.

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Senol Günes (Técnico, 50 anos) – Antes de iniciar sua carreira como treinador, Günes foi uma lenda em campo. Considerado um dos maiores goleiros da história do futebol turco, defendeu a meta do Trabzonspor por 15 anos, de 1972 a 1987. Liderou os grenás em seis títulos nacionais, quebrando a hegemonia histórica do trio de ferro de Istambul. Além disso, também disputou 31 jogos pela seleção. Começou a carreira como técnico pouco depois de pendurar as luvas, no próprio Trabzonspor. Na segunda passagem pelo clube, entre 1993 e 1997, o levou a novos títulos e se referendou para assumir a seleção em 2000, logo após a Eurocopa. Dirigiu a classificação à segunda Copa do Mundo dos turcos, a primeira em 48 anos. Permaneceria à frente do time até 2004, responsável também pela boa campanha na Copa das Confederações de 2003. Depois, teve mais uma rápida estadia no Trabzonspor, até trabalhar na Coreia do Sul, à frente do Seoul. De volta ao Trabzonspor, viveu bons momentos entre 2009 e 2013, botando o clube na Liga dos Campeões e conquistando a Copa da Turquia. Pelo Bursaspor, foi vice-campeão nacional em 2014-15. A partir de então, assumiu o Besiktas, em ótimo período dos alvinegros. É o atual bicampeão nacional, assim como levou o time às quartas de final da última Liga Europa, igualando a melhor campanha continental do clube em sua história. O horizonte ainda promete novas glórias.


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