A Roma oficialmente foi vendida, segundo informa um comunicado no site do clube. O Friedkin Group assinou um contrato para comprar o clube do atual proprietário, James Pallotta. Tanto o comprador quanto o vendedor são americanos. A compra será realizada por € 591 milhões. Segundo o comunicado, a transferência de dono tem prazo para ser concluída até o final de agosto. A esperança para os torcedores é que a sua gestão seja mais próxima do clube do que era a de Pallotta, que sempre pareceu querer dirigir o clube dos Estados Unidos, sem estar em Roma.

Dan Friedkin é conhecido também por ser piloto. Tem habilitação para dirigir seus próprios aviões. Segundo a lista da Forbes, é o 590º mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 4,2 bilhões. Ele é também o dono da maior coleção de aviões de guerra dos Estados Unidos. Não por acaso, o grupo do qual é presidente tem vários negócios envolvendo aviação.

“Eu estou satisfeito em anunciar que nós chegamos a um acordo com o Friedkin Group para a venda da Roma. Nós assinamos os contratos nesta noite e, nos próximos dias, nós iremos trabalhar juntos para completar os processos legais e formais que irão resultar no clube mudando de mãos”, informa James Pallotta no site da Roma.

“No último mês, Dan e Ryan Friedkin demonstraram comprometimento total em finalizar este negócio e levar o clube em uma direção positiva. Eu tenho certeza que eles serão grandes futuros donos para a AS Roma”, continuou Pallotta.

“A transação está prevista para acabar no final de agosto de 2020 e esta sujeita às condições habituais de fechamento. Tanto a AS Roma quanto Friedkin têm o direito de encerrar a transação sem qualquer multa no caso da transação não estar concluída até o dia 31 de agosto de 2020”, informa ainda o clube.

“Todos nós do Friedkin Group estão muito felizes em dar esses passos em se tornar parte deste clube e cidade icônicos. Nós estamos ansiosos para fechar a compra o mais rápido possível e nos imergirmos na família AS Roma”, afirmou Dan Friedkin, presidente do grupo que assinou a compra do clube da capital.

O Friedkin Group negociava com a Roma desde dezembro, mas o acordo ficou entre idas e vindas. Em junho, os relatos era que a negociação tinha sido abandonada e que o clube procuraria outras ofertas junto com a Goldman Sachs, banco americano contratado para ajudar a vender o clube. Um grupo do Kuwait, liderado por Fahad Al-Baker, surgiu como possível interessado no começo de agosto, mas o acordo com o Friedkin Group foi retomado e fechado. Resta agora confirmar se será concluído até o fim de agosto, como previsto.

O Friedkin Group e seus braços

O Friedkin Group é um consórcio grande que investe em diferentes setores econômicos, como setores automotivos, turismo, entretenimento, golfe e aventura. O grupo teve um faturamento de US$ 9 bilhões em 2019. Uma das suas principais atividades é a Gulf States Toyota, um dos maiores distribuidores independentes da marca automotiva japonesa, que não apenas vende carros, como peças e acessórios. O grupo é responsável por 13% de todos os automóveis Toyota vendidos nos Estados Unidos.

Uma das empresas do grupo é a Friedkin Aviation, que fornece pilotos, manutenção e outros serviços de apoio para donos de aviões. A empresa tem outras empresas de aviação, algumas com motivação de caridade, com shows de acrobacias aéreas com aviões da época da Segunda Guerra Mundial e da Guerra do Vietnã, por exemplo, como uma forma de lembrar aqueles que serviram nos Estados Unidos.

Entre os empreendimentos também está a Legendary Expeditions, que promove excursões de luxo na Tanzânia para quem gosta de ver vida selvagem. O grupo descreve como safari de luxo, com serviços de primeira classe e com uma experi6encia “verdadeiramente de 5 estrelas”.

O consórcio também tem a Imperative Entertainment, um estúdio que desenvolve, produz e financia entretenimento de marca com foco em filmes, televisão e documentários. O grupo também é dono do Auberge Resorts Collection, um grupo de hotéis de luxo em diversos lugares, especialmente Estados Unidos, mas também no México, Costa Rica, em Anguilla, no Caribe, Santorini, na Grécia, e em Fiji.

Quem irá cuidar diretamente da Roma é Ryan Friedkin, filho de Dan, que trabalhou como produtor em alguns filmes e tem algumas iniciativas de caridade, com foco em preservação do meio ambiente. Vivia em Los Angeles, mas se mudará para Roma, onde ele visitava frequentemente antes da pandemia. Está pronto para mudar-se para a cidade eterna e ser, de lá, o braço operacional do Friedkin Group na Roma. Ele é considerado o grande trunfo de Dan, seu pai, para fazer uma boa administração da Roma.

O trabalho de Ryan, que tem 30 anos, está sendo comparado com o de Steven Zhang, jovem executivo responsável por ser o presidente da Internazionale, representando do Suning Holdings Group, empresa chinesa que comprou o clube de Milão em 2016. O dono da empresa é Zhang Jidong, pai de Steven Zhang.

Quando se fala em esporte, o Friedkin Group já tem uma participação na NBA. O grupo tentou comprar, há alguns anos, o Houston Rockets, mas não conseguiu. Ainda assim, a Toyota, parceria mais importante do grupo, se tornou patrocinadora do ginásio da franquia, que se tornou o Toyota Center.

Também através da Toyota, a empresa de Friedkin tem um investimento ligado ao futebol: o Toyota Field, estádio específico de futebol que é casa do San Antonio FC. O clube joga a USL, segunda liga de futebol dos Estados Unidos (por alguns chamada de segunda divisão, embora não seja uma estrutura de pirâmide em relação à MLS). A Roma será um investimento muito maior, e mais importante, que os dois anteriores em esporte que o grupo já teve. Ainda mais porque, desta vez, não terá a Toyota como parceira, embora seja possível imaginar que a proximidade pode levar a parcerias no futuro envolvendo a marca japonesa e o clube italiano, com os americanos como intermediários.

A era Pallotta termina sem grandes feitos, ainda que o clube tenha conseguido uma campanha excelente na Champions League de 2017/18, quando caiu para o Liverpool. No geral, a gestão Pallotta ficou muito distante dos torcedores e da Itália em geral. Muitas vezes, a Roma pareceu mais um problema para seu dono do que um investimento. Até por isso, a ideia de ter Ryan Friedkin, o herdeiro de Dan Friedkin, como o nome que encabeçará o projeto da Roma parece uma boa notícia. Tal como no caso da Inter, parece ser algo de tal importância que o dono coloca o filho para cuidar, enquanto ele cuida dos demais negócios.

Resta saber, primeiro, se o negócio será concluído até o dia 31 de agosto. Depois, se os novos donos estarão realmente mais perto, ouvirão seus torcedores e trabalharão para que a Roma se aproxime da Juventus, o grande exemplo na Itália, mas também de outros times, como a Inter, que parece no caminho de uma reestruturação. Ter a Roma como um time mais forte, nacional e internacionalmente, seria uma grande propaganda para o Friedkin Group, além de uma comprovação de competência de Ryan Friedkin. É certamente a esperança dos torcedores romanistas.