Se nas últimas temporadas o Paris Saint-Germain se acostumou aos anúncios bombásticos de contratações milionárias, agora o clube deve se acostumar com uma realidade bem distinta. A limitação imposta pela Uefa devido à quebra do fair play financeiro deve obrigar o time da capital a se separar de alguns de seus atletas trazidos a peso de ouro, mas isso não significa dizer que a era de grandes reforços acabou.

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Para tentar driblar estas limitações, a diretoria do PSG cogita a vinda de Ángel dí Maria por empréstimo. O meia argentino ainda interessa ao Manchester United, mas o preço estabelecido pelo Real Madrid (algo em torno de € 60 milhões) assusta. Depois da chegada do zagueiro David Luiz pela bagatela aproximada de € 50 milhões, o clube da capital agora tenta se desfazer de algum de seus nomes mais caros. Mas quem? Afinal, não será a provável venda de Christophe Jallet ao Lyon por cerca de € 3 milhões que vai equilibrar as contas.

Algumas ideias aparecem pelos lados do Parc des Princes. Javier Pastore foi o primeiro jogador contratado por um valor absurdo após a chegada do QSI ao comando parisiense. O meia argentino deixou o Palermo por € 42 milhões em 2011, mas sempre conviveu com a sombra da desconfiança. Trazido para ser o cérebro da equipe, ele acumulou apresentações para lá de discretas e poucas vezes fez a diferença em campo.

Com a contratação de mais estrelas nos anos seguintes, Pastore foi relegado ao banco de reservas e se tornou um figurante de luxo. Em outras palavras, o argentino não faz diferença ao elenco do PSG. Como ainda tem mercado na Itália (a Juventus está de olho nele), o meia vê a porta de saída como uma alternativa bastante viável para ter mais minutos de jogo e maiores chances de recuperar o futebol que o fez se destacar no Palermo.

Lucas estaria em situação parecida com a de Pastore se não fosse sua idade. Aos 21 anos, o brasileiro tem a seu favor a progressão apresentada na última temporada na Ligue 1 (cinco gols e dez assistências). O meia-atacante continua como uma opção para o futuro, por isso o PSG ainda reluta com a possibilidade de negociá-lo. Vale lembrar que os parisienses pagaram em torno de € 45 milhões pelo ex-são-paulino, que tem deixado uma boa impressão durante a pré-temporada.

Ao contrário de Pastore e Lucas, Marco Verratti se tornou um dos pilares do time. Sua associação no meio-campo ao lado de Thiago Motta e Blaise Matuidi deu outra dimensão ao estilo de jogo do PSG. E é exatamente esse destaque que atraiu os olhares do Real Madrid para o italiano. O desejo intenso do técnico Carlo Ancelotti de vê-lo vestir a camisa merengue, aliado ao interesse dos parisienses em ter Paul Pogba, pode sugerir uma conversa mais longa sobre o futuro do atleta.

Os boatos sobre a chegada de Dí Maria ao Parc des Princes atingem diretamente outro argentino. Ezequiel Lavezzi se valorizou durante a Copa do Mundo por suas boas atuações ao ganhar a posição de titular com a lesão de Sergio Agüero. Após duas temporadas no PSG, ele deseja renovar seu vínculo com o clube, mas também não esconde seu desejo de voltar à Itália. Como tem grande mercado (Chelsea, Arsenal, Milan, Juventus e Galatasaray estão entre os interessados), não é difícil imaginar sua saída.

Edinson Cavani também tem chances de se despedir do PSG, mesmo com apenas uma temporada no clube. O atacante uruguaio deixou claro seu descontentamento com o papel de coadjuvante de Zlatan Ibrahimovic e reclamou por atuar pelos flancos do campo. Nas vezes nas quais teve a chance de atuar centralizado como tanto queria, Cavani não justificou tamanho barulho.

O PSG não gostaria de manter um jogador infeliz em seu elenco, mas precisa lidar com um grande obstáculo. O clube gastou nada menos do que € 64 milhões para contratar Cavani e não o deixaria sair por um valor muito inferior a isto. Quem ousaria pagar tanto pelo atacante? As opções estão rareando (o Chelsea, por exemplo, já se reforçou com Diego Costa). A imprensa inglesa fala que o Manchester United poderia pagar € 70 milhões, mas tudo ainda está no campo dos rumores.

O enigma Gourcuff

O Lyon se prepara para mais uma temporada sem saber muito bem o que esperar de Yoann Gourcuff. O meia promissor da época do Bordeaux não concretizou a expectativa em torno dele quando se transferiu para Gerland. Com sucessivas lesões (a última foi um problema no tornozelo quando ele estava passeando com seu cachorro) e oscilações inadmissíveis para um jogador que deveria ser decisivo, Gourcuff se adapta à nova realidade.

Contratado em 2010 por € 22 milhões (mais € 4 milhões de bônus), o meia retomou os treinamentos ciente de que está cada vez mais em baixa no OL. Dono do maior salário do elenco (cerca de € 550 mil mensais), Gourcuff tem contrato com os lioneses até 2016. Há o desejo de que este vínculo seja prolongado, mas de acordo com a saúde financeira do clube. Em outras palavras, o jogador tem que aceitar uma redução em seus ganhos – e deve aceitá-la sem maiores problemas.

A saída de Gourcuff do Lyon sempre esteve na pauta das especulações de fim de temporada, mas desta vez nada parece comprometer a permanência dele na equipe. Em 2013/14, o meia caiu em desgraça com o técnico Remi Garde, que o criticou publicamente por seus recorrentes problemas físicos e uma suposta falta de comprometimento. Garde saiu e Hubert Fournier, novo comandante lionês, já demonstrou total confiança na recuperação de Gourcuff.

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“Espero muito dele. Gourcuff mostrou, quando estava em plenas condições, muito do que pode trazer para a equipe. É um belo desafio para ele, para mim e para o clube provar que o investimento feito nele foi merecido. Os dois lados devem se aproximar. Cada um deve se esforçar. Estou bastante confiante”, declarou Fournier, com a noção da importância que o meia tem para o time se estiver completamente recuperado.

Preocupado com a saúde financeira, o Lyon adotou nas últimas temporadas uma política de cintos apertados. O clube reduziu sua folha salarial, desfez-se de alguns de seus principais jogadores e apostou com toda sua força nas categorias de base. Aos 28 anos, Gourcuff tem a missão de comandar estes jovens e lhes passar a experiência necessária para não fraquejar diante de um momento tão delicado como este. Mais do que nunca, o meia precisa ser um exemplo para seus companheiros, e não ser uma sombra daquele jovem promissor considerado como um dos maiores expoentes do futebol francês dos últimos anos.