São 53 torneios consecutivos na elite. 24 Liguillas disputadas nesse período. Duas finais. E um título nacional na temporada 1993/94. Do outro lado, são 49 torneios consecutivos e um total de 83 em toda a história (quarta maior marca do futebol mexicano). 20 Liguillas. Quatro finais e um título nacional (1950/51). Uma dessas histórias está perto de ser encerrada na Primera División. Ou, ao menos, interrompida durante uma estadia na Liga de Ascenso.

Esses números referem-se ao histórico de Estudiantes Tecos, desde sua chegada ao topo, em 1975, e Atlas, de fora de apenas três temporadas na Primera División desde o início da competição na era profissional, em 1943. Os tecolotes são, hoje, os principais candidatos ao rebaixamento na temporada 2011/12. E somente um dos seus maiores rivais pode ocupar seu lugar na degola e salvá-lo da queda.

Para quem não sabe, o descenso no campeonato mexicano é definido pela média de pontos da primeira fase nas últimas três temporadas, que compreendem seis “torneos cortos” (Apertura e Clausura). Com um desempenho extremamente baixo, a Autónoma tornou-se a grande favorito à queda.

Nesse período (2009/10 a 2011/12), é bem verdade que o Estudiantes não foi o lanterna em nenhum torneio (a pior colocação foi a 17ª posição no Apertura 2010, mesma posição do campeonato atual). Esse talvez tenha sido o motivo principal de o clube não ter participado da briga contra a queda nos últimos três anos.

Em contrapartida, o Tecos também não passou nem perto de brigar por uma vaga nos playoffs no período, com sua melhor colocação sendo um modesto 12º lugar no Apertura 2009. A manutenção desse desempenho fraco, aliada a queda de times de pontuação baixa (Indios e Necaxa), bem como a melhora na pontuação de antigos ameaçados (Tigres e Jaguares) e a boa performance de clubes recém-chegados (Tijuana e Querétaro), levaram o status do time de Guadalajara de “com algum risco” para “principal candidato” ao descenso.

Com 99 pontos em 99 partidas, o clube de Jalisco tem três partidas para tirar uma diferença de cinco pontos para um de seus principais rivais, o Atlas. Com a vitória dos Gallos Blancos sobre o Cruz Azul no domingo, a briga contra a queda ficará restrita à Guadalajara, já que o Querétaro, com 109 pontos, não pode mais ser alcançado.

Vejamos abaixo os confrontos de ambos nas três rodadas derradeiras:

Estudiantes
Puebla (casa), Cruz Azul (fora) e Querétaro (casa)

Atlas
Monterrey (casa), Chivas (fora) e Santos (casa)

A tabela dá alguma esperança ao Tecos. O time enfrenta três equipes com poucas (ou nenhuma) chances de brigar pela Liguilla. Talvez o único desafio mais duro seja contra o Cruz Azul, na capital, mas dependendo da próxima rodada, os azuis nem tenham mais grandes aspirações à vaga.

Em contrapartida, os rivais da Academia pegam três equipes em bom momento. Serão dois duelos em casa, contra os líderes do Clausura e finalistas da Concachampions. E mesmo o duelo contra o Chivas perderá o fator casa por tratar-se do jogo contra seu maior rival no Clásico Tapatío.

Mesmo com três duelos duros, ainda é difícil imaginar uma reviravolta no cenário atual. Os rojinegros perderam apenas quatro partidas no Clausura, em duas séries de duas derrotas consecutivas. Por outro lado, ganharam apenas dois jogos, não vencem há seis partidas e contam com o pior ataque (quatro gols marcados) da elite.

A Autónoma precisa, entretanto, preocupar-se mais com seu próprio desempenho. O empate arrancado do líder Santos no último fim de semana marcou apenas a primeira vez no ano que o clube completou duas rodadas seguidas sem derrotas. O maior desafio, portanto, será obter a pontuação necessária, sendo que o clube perdeu para os três próximos adversários no Apertura 2011.

Precisando de um quase milagre para manter-se na Primera División, há pouca coisa para a torcida de Zapopán apegar-se. Mas a esperança de continuar na divisão principal e afundar um dos maiores rivais mantém-se viva, pelo menos nas palavras de seus atletas e comissão técnica.

Seja qual o resultado, contudo, uma certeza já fica: a crise do futebol tapatío. O sobrevivente da disputa começará a próxima temporada fortemente ameaçado pelo descenso. E nem o gigante Chivas vem salvando a honra da cidade de Guadalajara, com um modesto 12o lugar e distante da briga pelos playoffs. Um verdadeiro drama para uma cidade apaixonado por futebol.

Notas

– Seleção da rodada do site Mediotempo: Rodolfo Cota (Pachuca), Paul Aguilar (América), Hiram Mier (Monterrey), Diego Reyes (América) e Carlos Gerardo Rodríguez (Pachuca); César Delgado (Monterrey), Fernando Arce (Tijuana), Israel López (Querétaro) e DaMarcus Beasley (Puebla); Aldo De Nigris (Monterrey) e Luis Gabriel Rey (Jaguares). T: Victor Vucetich (Monterrey);

– Confira mais desse colunista e sobre o futebol mexicano pelo twitter: @renanbarabanov