Quase um Superclássico

Numa rápida olhada na tabela da Segundona, se vê lá Boca e River na ponta, separado por apenas quatro pontos. Mas, bem, esse não é o Boca com o qual você está acostumado. Não é o Boca Juniors. Até porque este lidera com sobras a primeira divisão. Na edição de hoje do jornal La Nación, salvo engano, há inclusive uma coluna que fala sobre a imensa superioridade do time sobre os rivais. Dá pra dizer que os xeneizes já são campeões, já podem entregar a taça do Torneio Apertura.

Na Série B, não. A disputa é mais apertada, e não tem, por exemplo, o River em sua liderança, como seria de esperar – algo que pode ser creditado a alguns vacilos dentro de casa. E, diga-se, a despeito da forma do artilheiro Cavenaghi, já especulado na seleção argentina e de tão boas lembranças para a torcida do Inter – concordam, né, colorados? Os Millonarios ocupam a segunda posição no campeonato, somente um ponto atrás do primeiro colocado, o Instituto. Lá, colado a eles, surge o Boca Unidos, com o Rosario Central separando o grupo, no terceiro posto.

Pois bem, o fim de semana é de Superclássico. Não o Superclássico com o qual você está acostumado. Aquele marcado pela explosão de Higuaín alguns anos atrás ou as façanhas do agora aposentado Palermo. Mas, sim, o embate entre River e Boca Unidos. Um Superclássico “fajuto”, que até vale alguma coisa e marca o reencontro das equipes depois de 15 anos.

Em Corrientes, cidade em que os falsos xeneizes que nada têm de xeneizes – explico mais adiante – mandam seus jogos, o clima é o mesmo que vem acompanhando o time comandado por Matías Almeyda em suas viagens pelo interior do país. Uma total loucura, com ingressos que já rondam a casa dos 100 e tantos euros. E não para por aí. Há todo um clima de festa, com o lançamento por parte do Boca de uma camisa especialmente desenhada para este confronto. Nela, está inscrito lá: “Boca Unidos vs River Plate, Dic de 2011”. Bonita, aliás. Vale o esforço dos colecionadores.

Mas, sim, embora não seja um Superclássico, Superclássico, há de se dizer que o jogo gera alguma expectativa e, por que não ? – olha aí você sendo surpreendido novamente – apreensão. O contingente policial foi aumentado para a partida enquanto que o árbitro, veja só, foi a escolhido a dedo, fugindo do tradicional sorteio que indica os juizões de cada rodada – privilégio, se é que assim podemos dizer, de Instituto e Quilmes, que se enfrentam neste mesmo sábado.

Até aqui, com 16 jogos disputados, o River já foi batido por outros dois adversários – Aldosivi e Atlético Tucumán. O técnico do Boca Unidos, Claudio Marini, aposta em nova queda millonaria. Numa vitória por 2 a 1 de sua equipe. Fala demais? Pois saiba que, no ano que vem, mantido o bom momento de seu time e repetido também na Copa Argentina – o que podemos traduzir como vitórias e passagens fase a fase – esse Boca pode vir a encontrar o outro Boca mais famoso, citado nesse início de texto e que muita gente apregoa como sendo inspirador do clube correntino. Não é. O Boca Unidos surgiu de um movimento político de um dos bairros da cidade. Olha aí, nessa até o Cavenaghi foi surpreendido.