Portugal teve inúmeros craques em sua história. Eusébio e Figo encabeçaram gerações talentosíssimas. No entanto, Cristiano Ronaldo ajudou a mudar os rumos da Seleção das Quinas. O país emendou presenças em Copas do Mundo e conquistou o seu almejado título, a Eurocopa de 2016. Imponência que agora pode ser renovada na Liga das Nações, com a classificação lusitana para a decisão inaugural do torneio. A Suíça fazia um jogo duríssimo no Estádio do Dragão nesta quarta-feira. Vinha muito bem coletivamente e criava ocasiões de gol, buscando o empate. Os portugueses, contudo, tinham um diferencial: um craque chamado Cristiano Ronaldo. Quando a semifinal parecida fadada à prorrogação, o camisa 7 tirou o coelho da cartola e anotou dois lindos gols nos minutos derradeiros. Completou sua tripleta, garantindo a vitória por 3 a 1. Quinze anos depois da decepção na Euro 2004, CR7 poderá reescrever a história em uma final continental diante de sua torcida.

A Suíça começou a partida melhor. Atacando com velocidade e pressionando na marcação, os helvéticos não demoraram a criar boas oportunidades. Apesar do abafa, Rui Patrício conseguiu safar sua meta, sobretudo em lance de frente com Xherdan Shaqiri. Portugal daria sua resposta aos dez minutos, em uma roubada de bola que gerou o contragolpe a Cristiano Ronaldo, que não finalizou bem. De qualquer maneira, os suíços incomodavam mais e se postavam de maneira agressiva. Haris Seferovic e Shaqiri eram incômodos constantes à defesa lusitana.

As chances de Portugal eram mais esparsas. Mesmo assim, o time foi mais eficiente e abriu o placar aos 24 minutos. Cristiano Ronaldo sofreu uma falta na entrada da área e ele mesmo partiu para cobrança. Soltou um daqueles mísseis, passando ao lado da barreira e morrendo no contrapé de Yann Sommer, que só pôde ver o balaço entrando no canto. Apesar do baque, a Suíça ainda buscaria o empate na sequência do primeiro tempo. O melhor lance veio com Seferovic, em pancada que triscou no travessão. Além do mais, João Félix guardou o seu. O prodígio recebeu um lançamento primoroso de Cristiano, mas foi atrapalhado pela marcação e, de frente para o gol, bateu por cima.

Cristiano Ronaldo começou o segundo tempo ameaçando novamente, em chute que passou ao lado da meta de Sommer. E o cenário da partida se transformou logo depois, aos sete minutos. A Suíça reclamou de um pênalti que o árbitro não deu. A jogada seguiu antes da revisão e, do outro lado, Bernardo Silva foi claramente derrubado dentro da área. Desta vez, o alemão Felix Brych assinalou. Todavia, ainda faltava analisar com o apoio do VAR o primeiro lance, favorável aos suíços. O juiz foi até o monitor à beira do campo e, ao avaliar a situação, decidiu anotar a primeira infração. Sua marcação revertida a favor dos helvéticos gerou muitas vaias no Estádio do Dragão. Nada que atrapalhasse Ricardo Rodríguez, responsável por converter a penalidade e possibilitar o empate.

Parecia difícil decretar a vitória para qualquer um dos lados na sequência do segundo tempo. Não surgiam muitas chances de gol, mas ambos os times seguiam acesos. Titular de maneira surpreendente, João Félix deixou o campo entre vaias e aplausos, em perseguição desmedida da torcida do Porto, ao ser substituído por Gonçalo Guedes. A mudança, ainda assim, não ajudou tanto Portugal. A Suíça conseguia se defender com enorme solidez e parecia aproveitar melhor a potência de seu ataque. Quando a situação parecia pender aos visitantes, Portugal decidiu a partida. Cristiano Ronaldo decidiu a partida. Depois dos 42, emendou sua tripleta.

O segundo gol teve participação primordial de Ruben Neves. O volante acertou um lançamento absurdo, do círculo central, conectando perfeitamente com Bernardo Silva dentro da área. O camisa 10 avançou e deu o passe para trás, encontrando Cristiano Ronaldo. O craque bateu de primeira, no canto de Sommer. Por fim, Portugal matou o jogo dois minutos depois. Com a Suíça buscando o empate, Gonçalo Guedes puxou o contragolpe e entregou para Cristiano Ronaldo. O craque fez uma linda jogada com sua assinatura, pedalando para cima da marcação, antes de desferir o tiro cruzado. Chute no cantinho de Sommer, sem chances de defesa. Era mais uma daquelas noites irrepreensíveis da lenda. Mesmo sem aparecer tanto, foi perigoso sempre que acionado e mandou três bolas para dentro.

Portugal agora aguarda seu adversário na decisão, Holanda ou Inglaterra. Independentemente de quem passar, será um oponente duro. Mas a capacidade individual permite aos lusitanos acreditarem. Mesmo com as dificuldades contra a Suíça, os anfitriões se valeram da qualidade de seus jogadores – sobretudo, de Cristiano Ronaldo. O craque abriu os horizontes à Seleção das Quinas. Talvez garanta o segundo título à equipe nacional em três anos, algo enorme. O poder de decisão do camisa 7 é absurdo, comprovado mais uma vez em alto nível.