Virgil van Dijk possui uma história de superação singular. O zagueiro passou grande parte de sua adolescência atuando em clubes amadores (e trabalhando em um restaurante) até dar o seu salto profissional aos 18 anos, quando se juntou às categorias de base do Willem II. Já a estreia profissional do holandês aconteceu no Groningen, onde não apenas sua trajetória quase foi interrompida, mas também sua vida. Uma série de problemas de saúde demoraram a ser diagnosticados e deixaram o defensor em condições críticas. Van Dijk chegou mesmo a assinar o seu testamento, até que se recuperasse.

A história foi relembrada por Dick Lukkien, assistente técnico do Groningen na época, em entrevista à FourFourTwo. Van Dijk tinha 20 anos e fazia a sua primeira temporada como titular na equipe principal dos alviverdes. Havia disputado 23 partidas até março, quando passou a sentir mal com frequência. Depois da vitória sobre o Excelsior, pelo Campeonato Holandês, não voltou mais a campo.

“Virgil estava doente e não sabíamos quão grave era. De início, pensamos que ele estava gripado. Ficou em casa por alguns dias, mas estava com muita dor. Fomos ao hospital e eles não descobriram nada, então Virgil voltou para casa novamente. A dor ficou pior e, quando sua mãe viajou para visitá-lo, percebeu como a situação era ruim. Ela o levou para outro hospital, o que se tornou crucial. Fiquei chocado. Quando ele retornou ao clube, mudou de um grande homem para uma pessoa apática. Felizmente ele conseguiu se recuperar rapidamente”, contou Lukkien.

Van Dijk foi diagnosticado com apendicite, peritonite e infecção nos rins. O zagueiro passou por uma cirurgia de emergência, até que sua recuperação de fato começasse. O holandês não atuou mais naquela temporada e levou dois meses até voltar às atividades com o clube. Retomou a posição em 2012/13 e, destaque dos alviverdes, acabou negociado com o Celtic ao final da campanha na Eredivisie.

Em 2012, Van Dijk também havia relatado o seu drama: “Ainda me lembro de estar deitado naquela cama. A única coisa que eu podia ver eram os tubos pendurados fora de mim. Meu corpo estava arrebentado e eu não conseguia fazer nada. Naquele momento, as piores coisas passam por sua cabeça. Minha vida estava em risco. Minha mãe e eu oramos, discutimos o que deveria ser feito. Em algum momento, assinei alguns papéis. Era como um testamento. Se eu morresse, o dinheiro seria partilhado. Obviamente, ninguém queria discutir isso, mas precisávamos fazer. Tudo poderia ter acabado”.

Seis anos depois, Van Dijk atravessa a melhor fase de sua carreira, um dos grandes responsáveis pelo sucesso recente do Liverpool e também protagonista da seleção holandesa na Liga das Nações. Os riscos deixaram uma lição de vida e uma motivação a mais para o zagueiro triunfar.