Um time que marca muitos gols costuma estar sempre alto no tabela. Afinal, quem faz muitos gols tem mais chances de vencer, certo? Bom, isso é verdade, mas se pensarmos no posto mais alto da tabela, não tomar gols também é importante. Uma frase que é famosa na NFL já foi muito usada também no futebol: “Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”. Pois é nisso que o Liverpool derrapa. Neste sábado, isso ficou claro na derrota em casa para o Swansea por 3 a 2.

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O miolo da defesa do Liverpool é um dos pontos mais fracos do time. Klavan e Lovren são jogadores cumpridores, mas nenhum deles é um zagueiro totalmente confiável. Ao lado de um jogador mais técnico e melhor em posicionamento, o desempenho de ambos cresce. Juntos, os dois são razoáveis apenas e as falhas aparecem em um time que usa muito a saída de bola classificada. No esquema de Jürgen Klopp, os zagueiros precisam sair jogando. Com esses dois, é mais difícil. Até por isso o técnico alemão contratou Joel Matip – que está fora dos últimos jogos por causa da confusão pela Copa Africana de Nações, embora estivesse no banco neste sábado.

O primeiro tempo da partida deste sábado do Liverpool não foi grande coisa. O time até teve mais chances, mas não foi uma pressão que justificasse o placar favorável. O empate em 0 a 0 era ruim para o time que buscava diminuir a diferença para o Chelsea. Mas o segundo tempo ficaria ainda pior.

Logo a três minutos, a defesa do Liverpool ficou assistindo uma bola pipocar dentro da área e o centroavante espanhol Fernando Llorente aproveitou para marcar 1 a 0. Quatro minutos depois, aos sete, novamente Llorente marcou, desta vez em um cruzamento da esquerda, em uma bela jogada trabalhada pelo clube galês. A situação ficou difícil.

Fernando Llorente: dois gols e participação no terceiro do Swansea contra o Liverpool (Photo by Julian Finney/Getty Images)
Fernando Llorente: dois gols e participação no terceiro do Swansea contra o Liverpool (Photo by Julian Finney/Getty Images)

Quem recolocou o Liverpool no jogo foi Roberto Firmino. O atacante foi quem marcou o primeiro gol, de cabeça, aos 11 minutos, depois de um bom cruzamento de Milner, lá da lateral esquerda. Depois, em uma jogada de Wijnaldum, Firmino dominou no peito e girou bonito para empatar o jogo, aos 24 minutos. O desenho do jogo parecia mais um dos épicos dos times de Klopp.

Só que cinco minutos depois de empatar, o Liverpool tomou uma ducha de água fria. E olha que no frio de Liverpool, com 4°C, isso não é nada bom. Aos 29 minutos, em um contra-ataque, a defesa do Liverpool parecia correr atrás do próprio rabo e a bola sobrou para Sigurdsson, que marcou.

Jogando em casa, é claro que o Liverpool pressionou muito para tentar a vitória. Mas o time não conseguiu criar tantas chances claras em jogadas trabalhadas. Ficou mais no abafa, aproveitando bolas na área. Não deu. A derrota acabou sendo desastrosa para o time de Anfield.

Com 45 pontos, o time corre o risco de cair mais na tabela. Atualmente é o terceiro colocado, mas o Arsenal tem 44 pontos e pode ultrapassar, assim como o Manchester City, caso vença o Tottenham. O Chelsea é o líder com 52 pontos e pode ampliar a vantagem se vencer o Hull.

Klopp precisa começar a trabalhar a defesa para não entregar tantos gols se quiser pensar em algo mais para cima na tabela. Não só porque o título começa a ficar complicado, mas também porque a briga pelos quatro primeiros lugares na tabela deve ser dura. O Liverpool marcou 51 gols até aqui, o melhor ataque da liga neste momento, mas tomou 27 – a pior entre os sete primeiros colocados. A melhor defesa é a do Tottenham, que só tomou 14 gols. É um time mais equilibrado.

Se lembrar da frase famosa da NFL, “Ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”, o Liverpool entenderá que precisa encontrar o equilíbrio para chegar em maio na disputa pela taça e dentro do grupo de quatro primeiros colocados. Caso contrário, correrá risco demais até lá e a loucura da Premier League pode levar o time a cair algumas posições. Ser campeão com uma defesa que toma muitos gols só é possível se você tiver um time de gênios, um Santos de Pelé. O Liverpool de Mané, Coutinho e Firmino não chega a tanto.