A Internazionale foi capaz de uma reação incrível contra o Tottenham. Depois de perder por três gols de diferença em White Hart Lane, os nerazzurri igualaram o placar no Giuseppe Meazza. O empate por 1 a 1 na prorrogação levaria o jogo para os pênaltis, correto? Nada disso. O gol em Milão dava vantagem aos Spurs, que puderam segurar o resultado para avançar às quartas de final da Liga Europa.

O gol qualificado tem grande serventia nas competições da Uefa. Garante confrontos abertos, com disputa mais concentrada com a bola rolando e menores possibilidades de seguir para os pênaltis. Não é qualquer placar que dará sobrevida ao time em desvantagem, impulsionado a buscar os gols. A Libertadores dá o exemplo da eficiência da regra e o assunto já foi tratado aqui na Trivela.

Considerar o gol qualificado também na prorrogação, no entanto, é um demérito da Uefa. O mandante do segundo jogo, que em teoria tem a vantagem de decidir em casa, acaba prejudicado. O visitante tem mais 30 minutos para marcar longe de seus domínios. E o exemplo desse desequilíbrio foi dado em Milão. Tottenham e Inter foram iguais em 180 minutos. No tempo extra, o empate prevaleceu novamente, mas a balança pendeu para os Spurs.

Neste caso, italianos e ingleses não eram distinguidos por melhores campanhas nas fases prévias. Poderia ser pior, por exemplo, se acontecesse nas oitavas de final da Liga dos Campeões, quando os líderes dos grupos enfrentam aqueles que ficaram em segundo. Se o Barcelona vencesse o Milan por 2 a 0 no Camp Nou e os dois times empatassem por 1 a 1 na prorrogação, os rossoneri avançariam. Mas não foi o Barcelona quem teve a melhor campanha? Seria a deixa para o choro.

A solução? Zerar o placar durante a prorrogação. Se der empate, como foi o 1 a 1 entre Inter e Tottenham, a decisão segue para os pênaltis. Ou eliminar de vez o tempo extra, como a Libertadores faz. Ao menos neste ponto, a Conmebol pode se gabar de ser mais justa que a Uefa.