Texto de Pedro Reinert*, originalmente publicado no Medium.

Esta ideia nasceu aqui, quando um designer gráfico ranqueou as peças de escalação de todos os times da Premier League, da pior para a melhor. Fredrik analisou cada uma das postagens mais esperadas do pré-jogo nas redes sociais e as avaliou considerando aparência e informações contidas.

Levando em consideração a crescente preocupação dos clubes ao redor do mundo com sua forma de se posicionar em plataformas digitais por meios cada vez mais assertivos, relacionáveis, representativos e de fácil absorção, essa lista nos ajuda a entender melhor os requisitos, restrições e tendências dessa comunicação.

A partir disso, decidi trazer a ideia para o Brasileirão, em que os “estagiários” dos clubes  —  termo que se generalizou como apelido de quase todo social media ou community manager por aí  —  ganham mais fama à medida que conseguem explorar as necessidades e desejos do torcedor.

Sem mais, vamos à tabela. A análise foi feita considerando dois aspectos primordiais das peças: visual e conteúdo. Ou seja, a postagem precisa não só ser bonita e funcional, mas também cumprir seu objetivo enquanto mensagem sem deixar linhas soltas.

O sistema de pontos funciona assim:

Visual

  • Fonte: 2 pontos
  • Cores: 2 pontos
  • Imagens incorporadas: 2 pontos
  • Formato: 2 pontos
  • Diagramação: 2 pontos

Conteúdo

  • Informações essenciais (data, hora, local, rodada, adversário): 5 pontos
  • Time titular: 0,5 ponto
  • Time reserva: 1 ponto
  • Numeração: 0,5 ponto
  • Técnico: 0,5 ponto
  • Capitão: 0,5 ponto
  • Disposição tática: 1 ponto
  • Transmissão: 1 ponto

Certo? Certo.

Athletico Paranaense

Visual: 8 | Conteúdo: 3,5

A opção por não usar uma imagem estática é tendência para quase todo tipo de conteúdo, mas não funciona para a escalação. Dificilmente o seguidor assiste ao vídeo até o fim, até porque já é possível ver os titulares no texto do post  —  ainda bem, afinal, imagine esperar quase um minuto para saber quem é que vai jogar na frente do seu time na rodada. Esse modelo também não traz algumas das informações essenciais, nem a perspectiva de formação tática. Os nomes no banco de suplentes só aparecem no tuíte seguinte.

Nota: 5,75

Atlético Mineiro

Visual: 9 | Conteúdo: 7

Sóbrio e objetivo, mas foge do ideal por não conter a formação tática e o indicativo da rodada. Tem grafismos e elementos interessantes, como as linhas do gramado vazadas à direita e a foto de um atleta em destaque por vez.

Nota: 8

Avaí

Visual: 6 | Conteúdo: 4

Sem informações de local, horário ou rodada na imagem, o Avaí se limitou a focar só o time titular (com uma diagramação no mínimo irritante). Pelo menos os reservas ganharam um espaço. No mais, técnicos veteranos posando como jogadores marrentos: gostamos.

Nota: 5

Bahia

Visual: 9 | Conteúdo: 8

Uma das peças que mais beira a perfeição. Disposição tática, numeração, banco de reservas, horário, data e local — mal precisa do texto de apoio no tuíte. Para ser um 10, faltou só lembrar o número da rodada e o canal que vai transmitir o esquadrão.

Nota: 8,5

Botafogo

Visual: 9 | Conteúdo: 7

O Botafogo não tinha uma arte de divulgação da escalação até a postagem original desse texto, mas resolveram dar um jeito nessa lacuna a partir da quarta rodada — e não fizeram feio. A peça veio com cores caprichadas, fontes bem legíveis e grafismos ótimos que trazem uma leitura fluida, mesmo que a assimilação da coisa toda leve um pouco mais de tempo. Só pecaram na disposição e divulgação de algumas informações, mas o ponto fraco primordial é, por óbvio, o atraso.

NOTA: 8

Ceará

Visual: 7 | Conteúdo: 2,5

Bem como o Athletico Paranaense, o Vozão usa o vídeo para dar um toque de modernidade ao anúncio da escalação, mas mantém as mesmas lacunas: não contempla as informações primordiais da partida, não mostra quem é o capitão e nem passa perto de trazer a disposição tática da equipe  —  os reservas são citados apenas no texto. Os jogadores com um filtro de opacidade também ficaram estranhos, mas as animações são legais.

Nota: 4,75

Chapecoense

Visual: 8 | Conteúdo: 7

A Chape faz com que a imagem da escalação se pareça com uma tela de celular, onde cada jogador é um ícone de app  —  menção honrosa para a indicação do capitão, que lembra uma notificação embutida, genial. Não é ortodoxo, mas funciona bem e fica bonito (melhor que o Avaí, que quase segue na mesma linha). Assinala um X em quase todas as caixinhas, exceto pelo número da rodada e a formação tática.

Nota: 7,5

Corinthians

Visual: 8 | Conteúdo: 4,5

Sucinto, funcional e pragmático, bem como o time de Fábio Carille —  mas tal qual a própria equipe, podia ser melhor. As cores são bonitas, e os grafismos foram acertados em cheio, mas ficou faltando o horário, a rodada, a disposição tática e a indicação do capitão.

Nota: 6,25

Cruzeiro

Visual: 9 | Conteúdo: 9

Um dos poucos que trazem a noção do progresso do campeonato dentro da imagem com o número da rodada (ou da batalha, como astutamente descrito). A peça é simples, concisa, funcional e bonita. Traz tudo de essencial, exceto pela disposição tática do time.

Nota: 9

CSA

Visual: 6 | Conteúdo: 6,5

As duas linhas com logotipos de patrocinadores roubam a cena tanto quanto a foto do atleta em destaque. O tamanho das informações da partida, logo abaixo dos símbolos dos times, só é facilmente legível para quem tem menos de 35 anos de idade. Também faltou apontar o capitão, a rodada e a formação. Pelo menos as cores e fontes ficaram ótimas.

Nota: 6,25

Flamengo

Visual: 10 | Conteúdo: 9

Visualmente imponente, o layout do Fla dá inveja. Patrocinadores são levados em consideração, mas a diagramação inteligente os deixa em segundo plano. Também mal precisa do texto de apoio. Único defeito é não trazer o número da rodada.

Nota: 9,5

Fluminense

Visual: 6 | Conteúdo: 6

Falando em informações, o Fluminense só deixa de informar o local —  dado mais do que necessário se tratando de um time do Rio de Janeiro. A formação tática também não veio, mas talvez por conta do visual frenético, que ainda traz um jogador bizarramente tomando quase metade da peça por partida.

Nota: 6

Fortaleza

Visual: — | Conteúdo: 2,5

Vou dar mais 0,5 pelo esforço em tentar transmitir a formação tática sem a imagem, usando o mágico advento do ponto e vírgula pra delimitar os setores do campo.

Nota: 1,25

Goiás

Visual: 8 | Conteúdo: 3

O Goiás criou um layout em vídeo que lembra bastante uma transmissão na TV, e isso é tanto um pró quanto um contra dessa peça. A animação é moderna, fluida e até dá um senso de interatividade, mas é aquela coisa: para descobrir qual é o time, você precisa esperar uma pequena abertura de filme da Marvel terminar. No mais, não traz quase nenhuma informação essencial sobre a partida além do time titular.

Nota: 5,5

Grêmio

Visual: 8 | Conteúdo: 5

Layout bonito demais, pena que parece que a Uber é quem vai jogar. Pelo menos a disposição da equipe fica legal  —  menção honrosa para a indicação do capitão, em amarelo, que ficou show  —, e os reservas são contemplados. Só faltou todo o resto.

Nota: 6,5

Internacional

Visual: 7 | Conteúdo: 7,5

Uma pena o visual da peça não ser tão caprichado, porque ela não deixa nada a desejar do ponto de vista informativo (exceto pelo número da rodada e indicação do capitão, mas são detalhes). Escalação pequena, leitura prejudicada e fotos dos atletas diminuídas  —  tudo isso como consequência do espaço dado para essa imagem com o filtro vermelho no terço esquerdo, que não tem absolutamente nada a acrescentar nessa peça.

Nota: 7,25

Palmeiras

Visual: 8 | Conteúdo: 7,5

A proposta do Palmeiras tinha quase tudo para ser perfeita, mas a fonte escolhida para a peça parece desnecessariamente alternativa. Mesmo assim, mostra tudo o que há de necessário (exceto pelo capitão e pelo número da rodada) e traz grafismos bem interessantes.

Nota: 7,75

Santos

Visual: 8 | Conteúdo: 10

Impecável nas informações, desde as essenciais até as extras preciosas, como o indicativo da transmissão. O icônico ‘Z’ indicando o capitão (uma homenagem a Zito), como na própria braçadeira, é sempre um detalhe gostoso de ver. A única coisa que deixa a desejar é a disposição dos atletas em linha, sem mostrar a formação.

Nota: 9

São Paulo

Visual: 9 | Conteúdo: 6,5

A peça do São Paulo talvez seja a mais bonita do campeonato em termos de construção visual, mas o formato retangular não é o ideal para as redes sociais (exige o clique, como o Goiás). Das informações, ficam faltando o número da rodada, o capitão e a formação. Foi quase.

Nota: 7,75

Vasco da Gama

Visual: 6 | Conteúdo: 3

Até aqui o Vasco vai flertar com a lanterna. Afinal, só os atletas convocados e o treinador são levados em consideração nessa peça  —  e absolutamente mais nada é trazido para o jogo. Nem horário, nem local, nem adversário, nem nada. Para funcionarem, simplicidade e objetividade precisam ser muito bem pensadas.

Nota: 4,5

Resultado

Assim ficou a tabela do Brasileirão de divulgação de escalações 2019. O Flamengo parou com o cheirinho, o Bahia visitará a elite do continente, e o CSA dorme tranquilo no meio da tabela em sua volta à Série A, enquanto Avaí, Ceará, Vasco e Fortaleza são os rebaixados.

Já que não temos saldo de gols, o critério de desempate é a nota dada para as informações contidas na peça. Já para os que ainda assim seguiram empatados  —  no caso, Santos e Cruzeiro, Galo e Botafogo  — , considerei o peso e valor das informações dentro da arte. O Cruzeiro incluiu o canal de transmissão e o número da rodada, por isso merece a dianteira. Já o Botafogo fica à frente por trazer fotos de todos os jogadores sem comprometer o entendimento do conteúdo, diferente do Atlético que só destaca um atleta por vez.

* Sambando entre o jornalismo e o marketing, Pedro Reinert é redator formado em publicidade e ex-integrante do ESPN FC. Quer ser visceral como Maradona, mas sem fazer alarde, como Recoba. Escreve sobre música, videogame, cotidiano e coração, mas nem seus TCCs conseguiram fugir do futebol.