Escolher o time ideal da Copa do Mundo é algo extremamente subjetivo e pessoal. Alguém que jogou bem para você pode não ter brilhado a outra pessoa, e aí que nasce o debate. Assim, desta vez, a gente decidiu não fazer uma “Seleção Trivela da Copa do Mundo”, e sim publicar a seleção de cada um que nos ajudou a fazer a cobertura do Mundial – incluindo também a galera da Central 3, parceiros do podcast, e a equipe que prepara o almanaque da Copa, a ser publicado nos próximos dias. Abaixo, os times ideais de cada um, com suas justificativas. E a caixa de comentários também está aberta para você, caro leitor, opinar. Confira:

Bruno Bonsanti

Pickford; Thiago Silva, Godín e Varane; Kanté, Pogba, Modric e Rakitic; Griezmann, Hazard e Cavani.

Coloquei três zagueiros. Enquanto houve vários laterais direitos jogando bem, como Meunier, Vrsaljko, Trippier, o outro lado foi mais difícil. Lucas Hernández acabou se destacando na França, mas acredito que o nível geral dos zagueiros foi maior. Por isso, Thiago Silva e Diego Godín, apesar de terem perdido nas quartas de final, entram na minha seleção, ao lado do campeão Raphaël Varane. Jordan Pickford foi o goleiro, na minha opinião, mais decisivo para a caminhada dos times até as semifinais. Fez defesas difíceis em todas as fases do mata-mata e pegou um pênalti nas oitavas.

O meio-campo é inteiramente formado por finalistas: Kanté, o homem que mais correu na Rússia no último mês, e Luka Modric, o maestro da Croácia. Com a decisão, Paul Pogba e Ivan Rakitic ganharam seus lugares. A mesma coisa aconteceu com Antoine Griezmann no ataque. Eden Hazard é incontestável porque, para mim, foi o melhor jogador da Copa do Mundo. A camisa 9 fica com Edinson Cavani porque o atacante do Paris Saint-Germain foi excepcional em todos os jogos que disputou – e porque outros centroavantes que começaram bem, como Lukaku e Harry Kane, caíram de rendimento no mata-mata.

Caio Maia

Courtois, Vrsaljko, Godín, Stones, Hernández; Casemiro, Pogba; De Bruyne, Modric, Perisic; Cavani

Kanté saiu na final. Fez falta desnecessária que gerou o gol, além de ter falhado na jogada do gol em si, e ainda levou o amarelo. Por isso, fica fora do meu time.

Emmanuel do Valle

Pickford; Trippier, Godín, Thiago Silva e Vrsaljko; Kanté e Modric; Mbappé, Cavani, Griezmann e Hazard.

A exemplo de Subasic e Kasper Schmeichel, Jordan Pickford pegou pênalti. Mas é pelas defesas espetaculares que fez com bola rolando mesmo é que meu voto é dele. Courtois também foi um monstro e Lloris foi muito bem até falhar na final. Mas o garoto do Everton foi impressionante. A lateral direita talvez tenha sido a posição com o maior número de destaques da Copa. Acho que Pavard foi bem (embora oscilando um pouco), assim como Mário Fernandes (o melhor da Rússia) e Meunier, que, na minha opinião, foi desfalque sensível na Bélgica contra a França. Mas, numa disputa dura com Vrsaljko (que em breve será recompensado), escolho Kieran Trippier.

Na zaga também muitos foram bem. Escolhi dois que caíram nas quartas, Diego Godín e Thiago Silva, mas saíram numa nota alta. As duplas dos dois finalistas também foram bem, assim como o Maguire e o Granqvist (o melhor da Suécia). Ao contrário do lado direito, na ala esquerda não houve um grande destaque, na minha opinião. Mesmo Lucas Hernández, o melhor, esteve abaixo da média dos destros. Então remanejo Sime Vrsaljko pro lado de cá. No meio, escalo uma dupla que dispensa apresentações: N’Golo Kanté e Luka Modric. E, jogando abertos, Kylian Mbappé e Eden Hazard – este, pra mim, o craque da Copa. E na frente, Edinson Cavani – que fez sempre grandes atuações, mesmo parando nas oitavas – e Antoine Griezmann, que, talvez discretamente, teve participação da maioria dos gols da França ao longo do torneio e ganhou a vaga de Romelu Lukaku no meu ataque na reta final.

Felipe dos Santos Souza

Pickford (desculpe, Courtois); Pavard, Varane, Vida e Hernández; Pogba e Kanté; Griezmann, Modric e Hazard; Kane

Não adianta: uma seleção de Copa quase sempre terá a maioria de jogadores das quatro semifinalistas. Nem sempre é assim (como não incluir um jogador camaronês em 1990, por exemplo?), mas em 2018 acho que não houve muita dúvida. Claro que houve atletas de ótimas atuações, que certamente estariam numa convocação “completa” de 23 – penso agora em Thiago Silva, Ochoa, Granqvist e Mário Fernandes. Houve ainda gente dos próprios semifinalistas que poderia até ter sido escalada (pensei muito entre Strinic e Hernández na lateral esquerda). Mas… fui numa escalação meio óbvia. Já que não sou muito bom fazendo essas coisas, optei pela “bola de segurança”.

Felipe Lobo

Courtois; Trippier, Varane, Vida e Hernández; Kanté, Pogba e Modric; Griezmann, Hazard e Mbappé.

A França pode não ter sido brilhante, mas teve jogadores atuando em altíssimo nível em todos os setores. As exibições nos jogos de mata-mata foram decisivas para escolher os nomes. Algumas posições foram difíceis de escolher. No gol, Schmeichel e Pickford fizeram uma grande Copa, mas Courtois foi mais decisivo. Na lateral direita, Vrsaljko fez uma Copa primorosa, mas Trippier (como ala) foi a arma mais importante da Inglaterra. Na zaga, Thiago Silva foi impecável, Godín foi uma fortaleza e Maguire e Stones foram ótimos, mas Vida se superou nos jogos eliminatórios. No meio, Kanté foi o melhor da posição, Pogba cresceu de forma impressionante no mata-mata e Modric foi um maestro que conduziu a Croácia à final. O ataque tem Hazard, talvez o melhor da Copa; Griezmann decisivo como se esperava dele, atuando também para o time; e Mbappé leva a melhor sobre Mandzukic por pouco, mas com o peso da final sendo preponderante.

Leandro Iamin

Ochoa, Godín, Varane e Mina; Kanté, Henderson, Pogba, Rakitic e Hazard; Griezmann e Cavani.

Uma seleção que não se preparou taticamente, arrancou os laterais nota 6 e deu uma moral para uns times que foram embora cedo (fez quatro jogos, pode entrar no time, foi como pensei). A 10 e a faixa de capitão é do Hazard.

Leandro Stein

Pickford, Vrsaljko, Varane, Thiago Silva, Hernández; Kanté, Modric; Mbappé, Griezmann, Hazard; Lukaku.

Montar uma seleção da Copa do Mundo nunca é fácil. Principalmente quando algumas posições contaram com uma quantidade abundante de jogadores brilhando mais ou menos no mesmo nível. Assim, priorizei quem chegou às fases finais – uma pena com Kasper Schmeichel, Yerry Mina, Edinson Cavani e outros que poderiam ter vida mais longa na competição. No gol, Pickford fez defesas brilhantes ao longo dos mata-matas e termina centímetros à frente de Courtois. Sime Vrsaljko entra pela consistência ao longo da competição, assim como Lucas Hernández, estupendo no apoio quando não se esperava tanto.

Na zaga, Varane pelo comando na defesa campeã e Thiago Silva por beirar a perfeição – com o meu pedido de perdão a Godín. Kanté não jogou bem a final, mas carregou esta França em alguns momentos e anulou craques, então merece seu lugar. Ao seu lado, uma decisão difícil entre Pogba, Modric e Rakitic, mas dou a preferência ao Bola de Ouro pela maneira como atuou em seu máximo empenho – apesar de, na decisão, Pogba e Rakitic terem influência bem maior. Mbappé vem na ponta direita, pelos momentos de brilhantismo nos mata-matas. Griezmann, o melhor camisa 10 desta Copa, organizando e pensando o jogo. Já na ponta esquerda, Hazard fazendo um torneio grande, de dribles infernais e muita responsabilidade. Por fim, Lukaku poderia ser bem mais imponente na reta final, mas o sucesso da Bélgica passa por ele, principalmente pelo duelo contra o Brasil.

Matias Pinto

Pickford, Vrsaljko, Godín, Thiago Silva, Hernández; Kanté, Pogba, Modric, Hazard; Griezmann, Lukaku.

Apesar das variações táticas da última década, ainda não consigo conceber o time com os destaques de qualquer campeonato que não seja alinhado no popular 4-4-2. Se os torcedores ingleses cantavam “Football It’s Coming Home” foi graças a Pickford e suas importantes defesas, principalmente nas oitavas-de-final contra a Colômbia. Na lateral direita, Vrsaljko cresceu demais de produção no mata-mata, cumprindo bem o seu papel no ataque e defesa. Para o miolo, nenhum dos zagueiros semifinalistas jogou de forma tão segura quanto Godín e Thiago Silva, que raramente falharam nos cinco jogos que fizeram, comandando defesas que foram vazadas em apenas três oportunidades cada. E na lateral esquerda, talvez a posição com menos destaques nesta edição, opto pela regularidade de Hernández.

A principal virtude da seleção treinada por Didier Deschamps foi a combatividade e transição de jogo dos seus volantes, por isso escolho Kanté e Pogba. Abertos pelas pontas, pode-se debater a ordem entre os três melhores jogadores da Copa do Mundo, mas é difícil achar articuladores mais decisivos do que Hazard e Modric. Por fim, ao ataque, o terceiro do pódio da Bola de Ouro também não poderia ficar de fora, com Griezmann participando diretamente de metade dos tentos franceses. Já Lukaku foi o melhor da posição, marcando quatro gols e abrindo caminho para os seus companheiros de ataque.

Paulo Júnior

​Courtois; Godín, Thiago Silva e Varane; Rakitic, Kanté, Modric, Pogba e Hazard; Griezmann e Cavani.

Individualmente foi uma Copa de meio-campistas, então a seleção precisa ter a dupla da Croácia e a dupla da França, pedindo pro Rakitic quebrar um galho aberto na direita, voltando só até a linha do volante (até porque esse time não perderia a bola). Hazard aberto no falso ala-esquerdo como naquele espetacular começo da semifinal, Griezmann jogando solto e o Cavani de 9, dono do melhor jogo grande dum centroavante na Copa. O goleiro eu tiraria da final, e tirei mesmo, mas os dois, então subiu o Courtois. A zaga podia ter o Mina, foi minha maior dúvida, mas acho que fica de bom tamanho com um uruguaio, um brasileiro e um francês. Para mim, o cara que mais jogou bola na Rússia foi o Hazard, mas eu também daria o prêmio ao Modric por comandar o time em três jornadas de duas horas – e também jogar muito, claro. Griezmann e Kanté também não muito longe, acho que são esses os 4 maiores nomes. E o Mbappé? Jogou bem mas para o meu gosto ainda não coube, fica para o segundo tempo, assim que alguém aí cansar.