Você já deve ter se deparado com estatísticas acompanhadas pela abreviação “xG”, que avaliam as chances criadas por cada time durante uma partida. O “expected goals” serve para apontar quantos gols poderiam ter saído no jogo, a partir da qualidade das finalizações executadas. Cada arremate passa por uma avaliação sobre a probabilidade que teria de balançar as redes. “Posição no campo”, “maneira como a bola chegou ao atacante” e “forma como a finalização ocorreu” são computadas e comparadas com uma base de dados, que determina qual o percentual de tiros com aquelas características rende um gol. A partir disso, você sabe qual o “xG” de cada lance.

Caso você queira entender melhor o conceito de “xG”, com exemplos mais práticos, o vídeo logo abaixo pode te ajudar. A Opta está entre as empresas que fazem essa avaliação, a partir da comparação com mais de 300 mil finalizações registradas em sua base de dados. A estatística se tornou uma ferramenta vital para aprimorar o desempenho de atletas e mesmo para orientar treinamentos de equipes inteiras. Times que marcam mais gols que o “xG” indicado em uma partida são aqueles que excedem as expectativas e possuem um melhor aproveitamento de seu trabalho.

Vale dizer que a métrica da “xG” é bastante objetiva. Ela não considera o talento do jogador que finaliza, a qualidade de quem criou a jogada ou o percentual de defesas do goleiro logo à frente. Assim, em termos mais básicos, ela determina quem faz mais gols do que a média diante da probabilidade dos arremates que tentou – seja pela própria aptidão ou pela fase atravessada. Neste sentido, um estudo realizado pelo site Infogol é bastante interessante para avaliar o trabalho dos atacantes nas grandes ligas europeias.

A análise compilou dados das cinco grandes ligas da Europa (Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália) desde a temporada 2014/15, para comparar os atacantes. Sem muitas surpresas, o jogador que marca mais gols além do esperado pelo xG é um tal de Lionel Messi. O camisa 10 acumulou 195 tentos nas últimas cinco temporadas e meia, 36 a mais do que a expectativa apontaria a um futebolista médio. Aproximadamente, a cada cinco gols que o argentino anota, um já supera o que suas probabilidades no “xG” sugeririam.

Cristiano Ronaldo, Robert Lewandowski e Edinson Cavani têm mais probabilidades de anotar um gol por jogo, considerando a clareza de suas oportunidades geralmente criadas. Messi, em compensação, consegue fazer mais vezes o inesperado em seus arremates e por isso supera o trio no total de gols, conforme o apontado pelo xG. Nomes como Harry Kane e Ciro Immobile são outros que produzem bem mais tentos do que as probabilidades de um jogador médio indicariam, com um rendimento superior ao trio citado inicialmente.

Abaixo, o Infogol realizou um comparativo geral sobre diversos atacantes das grandes ligas europeias. E mostra como Son Heung-min possui um aproveitamento impressionante. O percentual indica que, a cada 100 gols esperados, o sul-coreano conseguiria anotar 136. É mais que o próprio Messi. Enquanto isso, um jogador negativo como Neymar indica que, a cada 100 gols esperados, ele teria feito 95 – um desperdício acima da média. Tal rendimento inferior afeta principalmente os centroavantes, geralmente com mais finalizações por jogo e mais oportunidades próximas da meta, o que eleva o seu xG.

Vale conferir ainda o post completo do Infogol, que traz análises específicas sobre alguns jogadores, temporada a temporada, e mais alguns números interessantes.