A frase dita por Muricy Ramalho é banalizada por todos os guetos e confrarias do país, mas faz todo o sentido aqui no Brasil, na Mongólia e até na casa do chapéu. A bola  pune. E pune severamente quem não a trata como ela deve ser tratada. Com o carinho e a intimidade que sempre fazem bem, mas também com uma atitude vencedora, decisiva nos momentos necessários. E na segunda rodada da Liga dos Campeões a bola puniu os três clubes alemães que participam do torneio.

A maior vítima do ditado foi o Borussia Dortmund. Vencia por 1 a 0 o milionário Manchester City em casa, havia criado diversas, inúmeras oportunidades para matar o jogo. Quando Robert Lewandowski perdeu sua chance cara a cara com Joe Hart finalizando para fora, ficou claro que os aurinegros levariam o empate. E levaram, no finzinho, com um pênalti discutível, mas longe de ser absurdo. Agora, são vice-líderes do Grupo D, o “grupo da morte”, com quatro pontos, mas encaram o Real Madrid em duas partidas e precisam pelo menos de um empate para chegar à Alemanha em boas condições de ganhar do City e  depois, contra um provável eliminado Ajax, consolidar a classificação.

De positiva, fica a grande atuação da equipe, que parece finalmente ter perdido o medo de jogar uma Liga dos Campeões. Mario Götze, apesar de ter perdido pelo  menos três chances claras de gol, em momento algum foi encontrado pela marcação do City. Ilkay Gündogan, jogando como volante, fez um partidaço, um jogo para gravar e mostrar aos netinhos um dia. Lukasz Piszczek foi imbatível pelo lado direito e Roman Weidenfeller também cumpriu seu papel, assim como Mats Hummels, um gigante na zaga enquanto teve forças para ficar em campo. Por fim, Marco Reus fez um golaço e mostrou que pode ser o jogador de decisão que o time tanto precisa.

 

No Schalke 04, o empate em casa contra o Montpellier é mais inexplicável do que batom na cueca. Não há desculpas, motivos ou justificativa plausível e esses dois pontos jogados fora no último minuto poderão fazer falta a um time que tem condições de lutar com o Arsenal pela primeira colocação do Grupo B. Além do empate, o time perdeu Julian Draxler, com uma lesão no pulso no início do segundo tempo. O meia de 19 anos já havia feito um gol e se tornou o mais jovem jogador alemão a marcar em uma Liga dos Campeões, superando Lars Ricken, ex-meia do Borussia Dortmund.

 

No Bayern Munique, as coisas são piores ainda. A vitória do Bate Borisov parecia impossível antes do início da partida, mas foi construída com muita eficiência nos contragolpes. Aos bávaros, faltou paciência em muitos momentos, segurança defensiva em outros e Arjen Robben em outros. O holandês faz a diferença quando as coisas estão difíceis, apesar de ter falhado na final da última Liga dos Campeões. Franck Ribéry, apesar do gol, não teve boa atuação, assim como Thomas Müller, que fez uma partida constrangedora, para dizer o mínimo. Mario Mandzukic acertou uma boa cabeçada, e só.

 

O lance determinante do jogo, porém, caiu nos pés de Toni Kroos. O meio-campista roubou a bola da defesa, saiu cara a cara com o goleiro bielorrusso, driblou-o e rolou mansamente. A bola bateu na trave. O jogo estava 0 a 0 ainda, e é claro que se a bola entrasse o Bayern teria totais condições de enfiar uma goleada, porque é superior tecnicamente. Mas um time multicampeão como esse não pode depender de conjunções condicionais para derrotar o Bate. Precisa ir lá, fazer o serviço e voltar para Munique com os três pontos na bagagem. A derrota pode complicar os bávaros na briga pela primeira colocação do grupo, e isso pode ser determinante, sobretudo se os colocar no caminho de algum gigante nas oitavas de final.

A derrota do Bayern e os empates de Dortmund e Schalke não são definitivos. Longe, muito longe disso. Mas é fundamental para os clubes entender que deslizes como esses não serão mais perdoados. Nem na luta por uma classificação, e muito menos na fase eliminatória, se os três passarem. A Liga dos Campeões não costuma perdoar quem falha assim.

Bundesliga: Frankfurt em festa

Com cinco vitórias e um empate nos últimos seis jogos, o Eintracht Frankfurt é a grande, a imensa, a enorme surpresa desse início de Bundesliga. O time do técnico Armin Veh está redondinho, exibindo uma força coletiva muito interessante, sobretudo no setor ofensivo. O meia Alexander Meier, que está na equipe desde 2004, é o comandante dentro de campo, além de ser ídolo da torcida. Aos 29 anos, Meier vive o melhor momento da carreira e tem até o nome pedido na seleção alemã.

O Frankfurt só está atrás do Bayern Munique, que soma 18 pontos em seis jogos. A última vítima foi o Werder Bremen, derrotado em casa por 2 a 0. O volante brasileiro Luiz Gustavo abriu o caminho da vitória com um golaço de fora da área, o segundo dele na temporada. Sóbrio na marcação, ele já faz por merecer uma chance na seleção brasileira, sobretudo em um momento no qual não se pode contar com Lucas Leiva e Rômulo, lesionados.