Por conta dos insultos racistas de seus torcedores contra Kalidou Koulibaly, a Internazionale precisará disputar os seus dois próximos jogos como mandante pela Serie A com os portões fechados. A diretoria nerazzurra decidiu não recorrer da punição. Em compensação, tentará abrir o San Siro de outra forma. Em nota oficial, os interistas manifestaram sua intenção de ocupar as arquibancadas com crianças. O clube fez a solicitação para o compromisso contra o Sassuolo, que acontece em 19 de janeiro.

O pedido foi feito junto à federação italiana e à liga nacional, que organiza a Serie A. A Inter quer levar meninos e meninas que frequentam as escolinhas de futebol do clube, sem cobrar ingressos por isso. A intenção dos nerazzurri é, através das crianças, tentar transmitir seu engajamento contra o racismo e outros tipos de discriminação. “Essa é uma iniciativa importante, que envia uma forte e clara mensagem contra todas as formas de discriminação e violência”, escreveu a agremiação, em sua nota oficial.

A iniciativa não seria inédita no futebol italiano. Em 2013, a Juventus também foi punida por cânticos racistas de sua torcida contra o Napoli e, por dois jogos, teria que fechar o setor de seu estádio onde ficam os ultras. Todavia, a Velha Senhora pediu que o local fosse ocupado apenas por crianças e teve a sua solicitação atendida pela Serie A. Desta maneira, meninos e meninas encheram o setor, embora também tenham causado problemas: os xingamentos ao goleiro adversário renderam uma multa de €5 mil ao clube.

Após o jogo contra o Napoli, a Inter já havia se posicionado, desqualificando os racistas e apoiando o zagueiro adversário: “Gostaríamos de reafirmar que, desde 9 de março de 1908, a Inter representou integração, hospitalidade e progressividade. Estas características definiram a história de Milão – uma cidade que significa inclusão e respeito. Junto com a nossa cidade, sempre estivemos lutando para ajudar a criar um futuro livre de discriminação. Nós estamos comprometidos em promover esses valores onde quer que operemos e eles sempre foram uma fonte de orgulho para o clube. Daquela noite, 110 anos atrás, quando nossos fundadores nos colocaram em nossa jornada, nós sempre dissemos não para qualquer forma de discriminação. É por isso que nós nos sentimos obrigados hoje, mais uma vez, reiterar que quem não entende ou aceita a nossa história – a história deste clube -, não é um de nós”.