Não foi a rodada dos sonhos do PSV, mas a equipe de Eindhoven segue na acirrada briga com o Ajax pelo título do Campeonato Holandês. Com certa dificuldade para colocar a bola na rede, o time treinado por Marco Van Bommel viu no De Graafschap uma pedra no sapato. A vitória por 2 a 1 acendeu as luzes amarelas no Philips Stadion, por conta da tremenda ineficiência ofensiva.

Não tem sido um returno muito proveitoso para o PSV. Sempre forçado a correr atrás do placar, o alvirrubro construiu oportunidades suficientes para marcar, mas esbarrou em uma boa tarde do goleiro rival, Nigel Bertrams. Mesmo demonstrando volume para tal, os mandantes só passaram à frente no marcador aos 28 da etapa complementar.

O susto

Não era um jogo qualquer para o De Graafschap. Com 26 pontos, a agremiação da Guéldria precisava sair de Eindhoven com um ponto pelo menos para continuar vislumbrando a saída da zona de rebaixamento. A antepenúltima colocação fragilizou a situação do clube, mas não haveria nada melhor do que vencer um dos gigantes para recuperar a confiança.

Foi assim que os comandados de Henk De Jong encararam o confronto: vida ou morte. E isso ajuda a explicar a paciência que tiveram ao longo dos 45 minutos iniciais. Quando o jogo se aproximava da primeira meia hora, uma trama pela direita deu aos visitantes o primeiro e surpreendente gol: em cruzamento de Leeroy Owusu, o possante Delano Burgzorg se antecipou à marcação e testou para o barbante.

Em um dos poucos momentos em que a defesa do PSV foi efetivamente desafiada, o adversário obteve vantagem. Ainda que estivesse muito melhor em campo, o dono da casa falhava na tarefa de buscar o empate. A cada finalização errada, crescia a ansiedade e o nervosismo da equipe, fator que tem incomodado desde a derrota para o Ajax, em Amsterdã.

Os caras da virada

Não se deve desesperar quando o trio de ataque formado por Steven Bergwijn, Luuk de Jong e Hirving Lozano está em campo. E foi por meio deles que o PSV conseguiu igualar o placar e posteriormente alcançar a vitória. Com muito custo, é verdade.

Ao todo, foram 26 finalizações dos mandantes, sendo 10 no gol, 11 para fora e outras cinco bloqueadas pela defesa do De Graafschap. Enquanto isso, na meta de Jeroen Zoet, o único arremate certo foi o que originou o gol de Burgzorg.

Já que falamos de Lozano, o mexicano endiabrado, foi dele a jogada que resultou no pênalti que o PSV tanto precisava. Fabian Serrarens teve imensa infelicidade ao desarmar Nick Viergever dentro da sua área e adiantar demais a bola. Lozano bateu sua carteira e quando ia partir para o meio, foi derrubado. Sem sombra de dúvida o penal foi marcado. Bergwijn se encarregou de bater e fez. Mas ainda faltava um.

O capitão De Jong virou, oito minutos depois, para selar a contagem no Philips Stadion. E foi um gol de autêntico camisa 9. Denzel Dumfries carregou até a linha de fundo na direita, acompanhado por um defensor adversário. De Jong também estava marcado, mas o passe mirando o meio da área foi recebido com sucesso pelo centroavante, que deu apenas um toque e fez a festa em Eindhoven. Festa com sensação de alívio. A bem da verdade, o PSV poderia ter ampliado bem mais o resultado, mas o modo competitivo de Van Bommel parece desconhecer placares elásticos.

Atenção à estatística, também trazida pelo blog Espreme a Laranja, no Twitter, em tradução da Opta. De Jong conseguiu igualar a sua melhor marca na carreira: em 2015/16, o goleador também fez 26 gols e foi artilheiro. Com quatro jogos a disputar, a tendência é que ele supere a si mesmo e termine a temporada no topo dessa tabela.

A missão

Se antes a vantagem já foi de oito para os Boeren, hoje os dois líderes somam a mesma quantidade de pontos, com diferença de saldo a favor do Ajax. Com incríveis 106 gols marcados, a turma de Amsterdã vê o PSV ainda bem longe nesse critério, com 89 marcados. As defesas são parecidas, com 23 gols sofridos pelo PSV e 28 pelo Ajax. Como sempre, a Eredivisie será decidida no detalhes.

Até o fim do campeonato, o PSV terá o Den Haag (casa), Willem II (fora), Heracles (casa) e AZ (fora) para decidir sua vida. Quatro vitórias não garantem a salva de prata, já que o Ajax também precisa tropeçar para ser ultrapassado. Enquanto isso, os líderes encaram Groningen (fora), Vitesse (casa), De Graafschap (fora) e encerram contra o Utrecht, em casa.

Quatro rodadas em que se deve ficar de olho no desempenho dos dois gigantes. Até março, não parecia que o final seria tão disputado e seria natural esperar mais uma conquista do PSV. O que conta a favor de Marco Van Bommel e seus meninos é o desvio de interesse do Ajax, que ainda tem chances na Liga dos Campeões e também joga a final da Copa da Holanda, contra o Willem II. Quanto mais os de Amsterdã entrarem em campo nesse intervalo, melhor.

A questão física estará sempre favorável ao PSV até o desfecho da Liga. Mas será que a cabeça está no lugar para reverter esse quadro?