O Paris Saint-Germain era muito favorito para ser campeão da Copa da França, nesta sexta-feira. E foi. Conquistou seu 13º troféu da competição, a sua quarta Dobradinha, junto com o título da Ligue 1. Mas não foi nada fácil. Mesmo com um jogador a menos durante a maior parte da partida, o Saint-Étienne lutou, deixou cada gota de suor no gramado e ameaçou com o empate até o último lance da sua derrota por 1 a 0.

Havia uma diferença fundamental na maneira de encarar essa partida. Ao PSG, era apenas mais um título na época mais vitoriosa de sua história e, em seu primeiro jogo oficial desde março, precisava pegar ritmo para o retorno da Champions League, em agosto. Ao Saint-Étienne, era o jogo da vida. A primeira final de Copa da França do maior campeão nacional desde 1982. A chance do segundo título de primeira divisão em um período parecido, depois da Copa da Liga de 2012/13. A vitória na semifinal havia gerado uma comemoração insana.

O time abordou o jogo como uma chance única. E passou dos limites em diversos momentos. Foram 34 faltas, índice bem alto para o futebol europeu, e dez cartões amarelos. O PSG também acabou entrando na ond, com 14 dessas infrações e quatro advertências, mas quem ditou o clima mais violento da final foi o Saint-Étienne. E acabou sendo punido por isso.

Loïc Perrin esta há mais de duas décadas no Saint-Étienne, contando a passagem pelas categorias de base, e havia dito antes do jogo que esta possivelmente seria a última vez que vestiria a camisa verde. E se foi, não era a despedida que o zagueiro de 34 anos imaginava.

Aos 25 minutos do primeiro tempo, foi merecidamente expulso por uma entrada dura em Kylian Mbappé, que precisou ser substituído e retornou ao gramado de muletas e bota ortopédica. O capitão do Saint-Étienne ficará um pouco mais decepcionado consigo mesmo porque, até o cartão vermelho, seu time estava muito bem no jogo.

Antes do primeiro minuto, Mbappé rolou para Neymar que, sem goleiro, desviou para fora, mas o lance havia sido parado por impedimento. O Saint-Étienen respondeu rapidamente. Romain Hamouma roubou a bola pela esquerda e tocou para Bouanga, que entrou na área pela esquerda e bateu cruzado. Acertou a trave de Keylor Novas.

Neymar rompeu o equilíbrio do jogo ao abrir com Mbappé e entrar na área para pegar o chute cruzado do companheiro francês. Bateu forte e ainda acertou o travessão antes de marcar o único gol da decisão. Mas o Saint-Étienne não arrefeceu. Aos 15, Bouanga tabelou com Hamouma e exigiu ótima defesa de Novas, que também precisou trabalhar em uma cabeçada de Bouanga.

Moulin fez uma linda defesa, no outro lado, em uma bomba de Di María, antes de começar a confusão por causa da entrada de Perrin em Mbappé. Foi um carrinho muito duro, que machucou o francês a ponto de ele precisar ser trocado por Sarabia. Claude Puel remontou sua defesa com a entrada de Moukoudi no lugar de Maçon.

O Saint-Étienne conseguiu resistir à parte final do primeiro tempo e voltou do intervalo determinado a pelo menos tentar levar o jogo para a prorrogação, apesar da inferioridade numérica. Atacou até que bastante, levou perigo na bola parada, pediu pênalti em algumas jogadas. Mas ficou vivo na partida apenas porque o PSG não conseguia matar a partida, com Moulin fazendo pelo menos três boas defesas na primeira meia hora da etapa.

E por não conseguir matar a partida, correu riscos na reta final. Mesmo com uma a menos, o Saint-Étienne controlou os últimos dez minutos, aproximadamente. Teve faltas perigosas nas laterais da área, sequência de escanteios, tentou ganhar um pênalti no grito. É verdade que Novas não precisou fazer nenhuma grande defesa, mas deve ter ficado nervoso com a bola rodando a sua área durante tanto tempo.

A primeira reação do Saint-Étienne ao fim do jogo foi naturalmente de decepção. Dava para ter retirado pelo menos uma prorrogação, mas a expulsão de Perrin pesou demais. Com o tempo, terão o alento de que fizeram tudo que podiam.

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