O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) acatou o recurso do Paris Saint-Germain contra a Uefa, que será impedida de reabrir o caso de violação do Fair Play Financeiro. Inicialmente, a Uefa avaliou que o clube tinha cumprido com as exigências, mas abriu uma revisão do caso. O PSG reclamou e recorreu ao TAS, que decidiu que a entidade que dirige o futebol europeu perdeu o prazo para revisar a decisão. Só era permitido à Uefa reabrir o caso em até 10 dias após a primeira decisão, o que não aconteceu.

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Na prática, isso significa que toda operação do PSG até o fim da temporada 2016/17 não pode mais ser revisada pela Uefa. Foi justamente em agosto de 2017 que o clube fez suas duas maiores contratações, que também são as maiores da história: Neymar, que veio do Barcelona por € 222 milhões, e Kylian Mbappé, que chegou inicialmente por empréstimo com uma cláusula de compra de € 180 milhões – uma clara tentativa de burlar o sistema ao jogar a contratação do astro francês para o ano fiscal seguinte.

Isso porque o Fair Play Financeiro basicamente regula que os clubes não podem gastar mais do que arrecadam. Duas contratações desse porte em uma mesma temporada fariam, sem dúvida, o clube ter um prejuízo maior do que o permitido. Embora a Uefa já considerasse que empréstimo com compra obrigatória deva ser incluída na operação do ano do empréstimo, o clube driblou a regra ao não colocar como compra obrigatória, mas colocar um fator condicional: se o PSG não fosse rebaixado, a compra seria efetuada. Um escárnio feito para contornar a regra do Fair Play Financeiro.

Depois da decisão divulgada pelo TAS, a Uefa divulgou um comunicado afirmando que iria analisar a decisão e “consideraria implantar o quanto antes for possível qualquer clarificação ou alterações às suas regras que possam resultar da análise do referido”. Mais do que isso, a entidade foi enfática em uma afirmação: “A decisão do TAS não coloca em dúvida os objetivos do licenciamento de clubes e do sistema do Fair Play Financeiro”, diz ainda o comunicado.

“O PSG notou a decisão em seu favor do TAS em Lausanne hoje”, diz comunicado do clube. “A decisão tomada no dia 13 de junho de 2018 está confirmada e o PSG agora pretende calmamente buscar o seu desenvolvimento”, continua a nota. “O clube afirma que sempre seguiu as regras e se esforçou para responder com calma e transparência às demandas da Uefa e ICFC [órgão interno da Uefa de análise financeira]”.

A Uefa tinha inocentado o PSG de qualquer violação em junho de 2018, mas reabriu o caso em setembro, muito por pressão após documentos do Football Leaks mostrarem que a entidade fez vista grossa em relação a PSG e Manchester City no que diz respeito à fiscalização do Fair Play Financeiro.

Em 2014, o PSG já tinha sido punido com multa e restrição na inscrição de jogadores nas competições europeias – em vez de 25 inscritos, só pode inscrever 21. Na época, a Uefa considerou que o contrato de patrocínio da Qatar Tourism Authority tinha um valor irrealmente inflacionado, segundo análise do seu painel de investigação independente.

Apesar de ter escapado da revisão do caso antigo, o PSG ainda está sendo analisado pelas finanças da temporada 2017/18. Isso significa que estamos falando de transferências de Neymar e Mbappé, se a Uefa considerar que o clube efetivamente tentou burlar as regras com o empréstimo do atacante da seleção francesa. Mesmo se a contratação de Mbappé for jogada de fato para a temporada seguinte, a compra de Neymar já é pesada o bastante para ser difícil de justificar a partir das próprias receitas. Se for encontrada alguma irregularidade, será complicado para a Uefa fazer vista grossa novamente.