O Campeonato Francês pode não oferecer tantos desafios ao Paris Saint-Germain. Ainda assim, o time de Laurent Blanc tem esmagado os adversários com ainda mais imponência do que nas temporadas anteriores. E, na Liga dos Campeões, os parisienses também demonstram força para superar as campanhas mais recentes. Prova disso veio nesta terça, na abertura das oitavas de final do torneio continental. A vitória por 2 a 1 ficou barata pela maneira como o PSG dominou o Chelsea durante os 90 minutos. Não fosse Thibaut Courtois, em noite inspirada, o estrago poderia ser bem maior. Resultado que pode não ser dos confortáveis para a visita a Stamford Bridge, mas representou a superioridade dos franceses neste momento.

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A tônica do jogo mostrou sua face logo durante os primeiros minutos de bola rolando. O PSG propunha o jogo, dominando a posse de bola e pressionando no campo de ataque – especialmente com as saídas de Marco Verratti e Blaise Matuidi. O Chelsea, contudo, fazia bem o seu papel acuado na defesa. A equipe de Guus Hiddink contava com muita solidez na marcação, mal deixando os anfitriões se aproximarem da área. No máximo, arriscavam chutes de fora, que Courtois conseguia pegar. Além disso, os Blues espreitavam por uma chance no contra-ataque. E quase a tiveram em um erro de marcação de David Luiz, que deixou Diego Costa livre para cabecear. O centroavante arrematou no contrapé, mas Kevin Trapp fez milagre ao desviar a bola para o travessão.

Na base da insistência, o PSG teve a sua brecha aos 39 minutos. Mikel cometeu falta na entrada da área, e pagou caro por isso. Ibrahimovic soltou a bomba na cobrança e atingiu justamente o nigeriano, que desviou a trajetória da bola e acabou tirando Courtois do lance. O tento, no entanto, cobrou a iniciativa do Chelsea antes do intervalo. E os ingleses conseguiram espremer os franceses até arrancar o empate nos acréscimos. Diante de um clarão dentro da área, Mikel aproveitou o desvio após cobrança de escanteio para se redimir.

Na volta do intervalo, o segundo tempo até parecia que seria equilibrado. Diego Costa começou obrigando Trapp a realizar outra grande intervenção, enquanto Courtois salvou as chegadas de Ibra e Di María. Porém, o PSG logo voltou a distribuir as cartas do jogo. E, com o cansaço pesando mais sobre as pernas dos Blues, os espaços começaram a aparecer. Di María, sobretudo, fazia uma segunda etapa brilhante. Chamava a responsabilidade, criava espaços para os companheiros e também arriscava bastante a gol. Só não conseguiu marcar porque Courtois realmente vivia uma noite excepcional.

Porém, o camisa 11 decidiu graças a sua melhor qualidade, a visão de jogo. Edinson Cavani substituiu Lucas Moura. E, com apenas quatro minutos em campo, o uruguaio recebeu um lançamento primoroso de Di María, nas costas de Ivanovic. De frente com Courtois, deu um toque por baixo do goleiro. O suficiente para a vitória. Depois disso, os parisienses permaneceram pressionando bem mais. Pelo domínio, poderiam ter aberto uma diferença mais ampla no placar. Mas não pelo goleiro do Chelsea, que evitou o terceiro nos pés de Ibrahimovic, já nos instantes finais.

O Paris Saint-Germain sofreu apenas uma derrota nesta temporada: na fase de grupos, contra o Real Madrid, em partida na qual até criou mais chances de gol dentro do Santiago Bernabéu. No entanto, os testes foram raros para avaliar o real potencial do time neste momento. Que o Chelsea não esteja bem na Premier League, subiu bastante de produção sob as ordens de Guus Hiddink. E fez um bom jogo no Parc des Princes, especialmente no empenho defensivo. Mesmo assim, mal conseguiu conter o ataque parisiense. Que o ambiente seja outro em Londres, o favoritismo todo recai sobre os franceses neste momento, não só pela vitória, mas também pela maneira como jogou. E, por esta estreia nos mata-matas, a qualidade individual parece empenhada a levar o PSG longe na Champions. Di María que o diga.