Futebol é, indiscutivelmente, parte da cultura de qualquer país em que é relevante. No entanto, é muitas vezes tido como baixa cultura, popular, sem refinamento. E essa disputa veio à tona em Nápoles porque, em 16 de janeiro, o tradicional teatro San Carlo receberá um espetáculo em homenagem ao título italiano do Napoli, em 1987. O protagonista da obra será ninguém menos que Diego Armando Maradona, e tem gente achando que o palco não é o mais apropriado.

LEIA MAIS: Ídolo no Genoa e comparado a Milito, Pavoletti é o novo centroavante do Napoli

Evidentemente, a torcida do Napoli não está entre eles porque já esgotou os ingressos para o espétaculo, cujos detalhes estão sendo mantidos como segredo de estado. E pagaram caro: mínimo de 66 euros, máximo de 330 euros. O show será realizado em ocasião do aniversário de 30 anos do scudetto e, por isso, leva o nome de ‘Tre volte 10’ (Três vezes 10), também em alusão à camisa preferida por Maradona.

Estarão no palco, além do Pibe de Ouro, artistas populares, como o rapper Clementino, e outros jogadores do passado e do presente. Os direitos de TV foram comprados pelo Discovery Channel que, no entanto, não transmitirá o evento ao vivo. “Maradona, pela primeira vez em um palco teatral, dará o seu testemunho de amuor e de liberdade, colocando em luz sua verdade a sua incrível vida”, afirmou o diretor Alessandro Siano.

Roberto De Simone, maestro e compositor importante do cenário musical napolitano, acha tudo isso um absurdo. “Nem mesmo em um teatro de província”, afirmou, segundo o La Repubblica. “O San Carlo é internacional, tem uma história riquíssima, hospedou os maiores cantores e os melhores diretores de orquestra. Não é um lugar para o futebol. Em Londres ou Paris, isso seria inconcebível. Os napolitanos deveriam se interessar pelo teatro 366 dias por ano, não apenas quando vem Maradona”.

O crítico musical Francesco Canessa, no mesmo jornal, questiona que não há exemplos de espetáculos parecidos em outras grandes casas musicais da Europa. “O Real, de Madrid, não recebeu Cristiano Ronaldo, nem o Liceu, de Barcelona, Lionel Messi, assim como o Covent Garden não planejou um show em homenagem a David Beckham, escreve.

O prefeito de Nápoles e presidente do San Carlo, Luigi de Magistris, achou a reação altamente exagerada. “Não vejo nenhum problema. Maradona foi um grande do esporte e pertence à história desta cidade. Sou a favor de um teatro popular. Não há nenhum motivo para escândalo. Não é um lixo, certamente ninguém vai cantar”, afirmou.

Entre as críticas, além do nariz torcido à presença do futebol em um ambiente de alta cultura, está o caráter excessivamente comercial do espetáculo, até porque, o preço dos ingressos foi aumentado para a estreia de Maradona no mundo teatral.