Planejamento, boa estrutura, jogadores compromissados e de qualidade. A fórmula para o sucesso de uma equipe de futebol está aí para ser perseguida e copiada. O modelo por si só não significa a chegada ao objetivo, mas na maioria das vezes está presente. Em outras, no entanto, o futebol ignora totalmente a lógica.

Às vésperas de 2013, o Olimpia era um exemplo da desorganização. Após uma decepcionante sexta posição no campeonato paraguaio, o Decano convivia com meses de salários atrasados e o clima de insegurança imposto pelo presidente Marcelo Recanate. Com suas declarações polêmicas e cobranças públicas, o mandatário do clube paraguaio já havia afastado Maxi Biancucchi do clube e colocado em xeque a presença de Martin Silva e Juan Salgueiro para a temporada 2013. Segundo o presidente, nenhum deles podia reclamar de salários atrasados já que não correspondiam em campo…. Sem nenhum risco de ser injusto, é possível dizer que o maior mérito de Recanate no fim de 2012 foi escolher o técnico Ever Hugo Almeida como substituto de Gerardo Pelusso, que foi para a  seleção paraguaia.

Em janeiro de 2013, a menos de uma semana da estreia na primeira fase da Libertadores (Pré-Libertadores) e com os salários e premiações ainda atrasados, os jogadores ameaçaram realizar uma greve. A situação causou sérios temores na diretoria. Afinal de contas, o Olimpia tinha dois jogos contra o Defensor Sporting para nortear o ano inteiro. Se fosse eliminado, restaria novamente apenas a briga por uma glória nacional.

Na primeira partida, em Montevidéu, os uruguaios foram melhores, mas não conseguiram transformar a superioridade em gols. No fim, foi o pragmático e pouco inspirado Olimpia que venceu o confronto com um 2 a 0 em Assunção. Na sequência o nada gentil sorteio da fase de grupos deixou até os mais otimistas consternados e desesperançosos. Afinal de contas, o sexto colocado paraguaio estava ao lado de Newell’s Old Boys e Universidad de Chile no grupo 7.

A grande guinada veio em fevereiro quando as dificuldades financeiras e a pressão dos diretores fez com que Marcelo Recanate renunciasse ao cargo de presidente. Em termos administrativos pouca coisa mudou, já que Óscar Carísimo Netto fez – e ainda faz – uma direção temporária no clube, sem nenhum projeto senão a estabilização do departamento de futebol. A grande alteração, porém, veio no campo anímico, já que o vácuo de um protagonista – outrora um presidente falastrão – pôde ser ocupado por alguém do futebol. Mais que isso; alguém identificado com o clube e com a Libertadores: Ever Hugo Almeida, bicampeão continental pelo Decano, jogador com mais aparições na história do torneio e primeiro goleiro a marcar um gol na competição.

Os jogadores compraram a ideia e, com Almeida sendo o líder do elenco, conseguiram não só a classificação como o avanço no primeiro lugar da chave. Méritos dos atletas e do treinador que montou um 3-5-2 pragmático que apostava na capacidade de Juan Manuel Salgueiro e Juan Carlos Ferreyra de decidir lá na frente e na consistência de Martin Silva para garantir no setor defensivo.

Aos poucos a direção foi resolvendo a situação dos salários atrasados e o elenco, além de desempenhar com correção suas tarefas, se uniu e aproveitou a sinergia com a torcida para transformar o Defensores del Chaco em fator preponderante nos sucessos do time.

A descoberta de um câncer pelo jogador Sebastián Ariosa, foi um duro baque para o elenco alvinegro, mas tal qual era de se esperar, todos os atletas utilizaram o fato como uma motivação a mais para buscar o quarto título continental.

Assim o Olimpia conseguiu passar por Tigre, Fluminense e Santa Fe ate chegar à decisão da Libertadores. Assim o Olimpia espera desafiar novamente a lógica para vencer o poderoso e técnico Atlético Mineiro. O primeiro capítulo desta histórica final começa hoje. Com um protagonista claro fora das quatro linhas, mas que merece todos os méritos.