Depois de tudo que aconteceu fora de campo, a final que deveria ser a maior de todos os tempos no futebol de clubes ficou menor. Sensação, para muitos, de que toda a politicagem, a violência e a mudança para Madri prejudicaram o clima e a expectativa pela decisão do título da Libertadores. E, de fato, foi estranho assistir a Boca Juniors e River Plate enfrentarem-se no Santiago Bernabéu, com tanta coisa em jogo. Mas, em campo, a partida foi interessante, especialmente nos minutos finais da prorrogação, com o River fazendo valer sua superioridade para se sagrar campeão sul-americano pela quarta vez, ao vencer o seu arquirrival por 3 a 1.

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Com toda as polêmicas extra-campo, nenhuma das quais deve ser minimizada ou esquecida, o troféu da Libertadores fica com um grande time. Forte coletivamente, sob o comando do ótimo Marcelo Gallardo, e com jogadores importantes de diversas gerações, seja o veterano Leonardo Ponzio, o maduro Juan Quintero ou o jovem Exequiel Palacios. O Boca Juniors, mesmo com um elenco de muita qualidade, fez frente ao adversário apenas no primeiro tempo e, no fim da prorrogação, na base da raça e do coração.

Tensão foi a palavra de ordem no primeiro tempo, e o ambiente diferente não ajudou ninguém a se se sentir confortável, embora as torcidas argentinas presentes no Santiago Bernabéu tenham dado sua contribuição para deixá-lo um pouco mais sul-americano. Ninguém queria errar e, portanto, ninguém arriscou. As melhores chances saíram de jogadas de bola parada.

Pablo Pérez teve duas para o Boca Juniors. O capitão, um dos mais prejudicados pelo ataque ao ônibus em Buenos Aires, apareceu duas vezes livre para recolher desvios. Em um escanteio, Izquierdoz escorou e Pérez pegou de primeira. Mas sem muita força, e Armani defendeu. Benedetto, então, cobrou uma falta na barreira. O rebote ficou com Pérez, pela direita. Na hora da batida, Casco conseguiu desviar de carrinho.

A bola era do River Plate, que a tocava de lado a lado, sem levar perigo a Andrada. O Boca, mais reativo e fechado, parecia melhor em campo e colocou isso no placar, pouco antes do intervalo. Depois de uma saída de gol estranha de Andrada, o River teve duas boas chegadas pela esquerda. Mas o primeiro cruzamento foi bloqueado, e o segundo não encontrou ninguém. O Boca recuperou a bola, e Nández puxou o gatilho, com um lançamento rasteiro. Pinola tentou o corte e furou. Benedetto recolheu, deu o drible em Maidana e tocou na saída de Armani para fazer 1 a 0.

 

No começo do segundo tempo, o River parecia ter melhorado. Pratto rolou para Fernández bater de canhota de fora da área, com muito perigo. Aos 12 minutos, Ponzio saiu para a entrada de Quintero, que qualificou o toque de bola do seu time. Mas os outros meias foram mais decisivos para o empate. Fernández era uma válvula de escape importante pela direita e, aos 20, abriu com Montiel, que cruzou para Pratto completar de cabeça. Sem muita força, Andrada agarrou.

O gol de empate foi muito bonito. Fernández tabelou com Palacios e entrou pela direita da grande área. Bastou rolar para Pratto encher o pé e balançar as redes: 1 a 1. O restante do tempo regulamentar decorreu em nervosismo e cartões amarelos para os dois lados, com uma inevitável prorrogação à espreita. Aos 40 minutos, Barrios levou um cartão amarelo que acabaria se tornando crucial.

 

Porque, logo no começo da prorrogação, o colombiano dividiu uma bola com o carrinho feito por Palacios e chegou por cima, pegando o jovem argentino com força. Andrés Cunha tirou o cartão amarelo do bolso e depois o vermelho. Boca Juniors com um a menos e 30 minutos de bola rolando pela frente. O River Plate obviamente expandiu o seu domínio, mas ainda terminou a primeira metade do tempo extra com uma postura mais cautelosa, uma imposição psicológica de qualquer prorrogação.

No terceiro minuto do segundo tempo, Quintero recebeu na entrada da área, pela direita, e encheu a canhota, com muita força. A bola ainda bateu na trave antes de balançar as redes de Andrada.

 

Sabe como no futsal o time que está perdendo adota a estratégia do goleiro linha? O Boca Juniors fez a mesma coisa. A dez minutos do fim, Andrada já estava na área para tentar o milagre. E pior: enquanto o Boca mantivesse a posse de bola, ele não parecia inclinado a voltar para debaixo das traves. Deu para compensar a inferioridade numérica e construir uma pressão interessante que culminou em escanteios e, a minutos do fim, em uma bola na trave de Leonardo Jara, aos 120 minutos de jogo.

 

Outra inevitabilidade era que a tática suicida do Boca Juniors abrisse a oportunidade de o River Plate matar a partida. No rebote de um escanteio, Pity Martínez foi lançado com campo livre e sem goleiro. Carregou a bola até a marca do pênalti e, com um tapa de perna esquerda, deu números finais à partida e à Libertadores que, depois de tribunais, adiamentos e infindáveis discussões e polêmicas, ficou com o River Plate.