A pandemia da COVID-19 tem nos oferecido imagens terríveis, mas eventualmente vemos algo que nos emociona. Surgiu nesta sexta-feira um vídeo de profissionais do NHS (National Health System) cantando o “You’ll Never Walk Alone”, música que é cantada pela torcida do Liverpool. Algo que emocionou o técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, que falou em entrevista ao site do clube sobre como ficou emocionado.

O vídeo mostra funcionários do NHS dentro do setor de UTI de um hospital, enquanto outros funcionários, do outro lado da porta, se unem e cantam juntos a conhecida música tão entoada em Anfield Road. Os profissionais estão equipados para proteção de um vírus que mudou completamente o mundo.

“Meu inglês não é bom o bastante para dizer. É extraordinário, é ótimo”, afirmou. “Ontem me mandaram um vídeo de pessoas no hospital, nos arredores da área de UTI, e quando começaram a cantar ‘You’ll Never Walk Alone’, comecei a chorar imediatamente. É inacreditável”.

“Isso mostra tudo, essas pessoas não apenas trabalham, mas elas têm alegria. Eles estão acostumados a ajudar as pessoas, nós precisamos nos acostumar a isso porque especialmente nós temos nossos próprios problemas e tudo mais. Mas é o trabalho deles, eles fazem diariamente”, continuou o técnico do Liverpool. “Eles se colocam em perigo, se você quiser, porque ajudam pessoas doentes, com deficiências graves, então não posso admirá-los mais e apreciá-los mais, realmente não posso”.

Com o futebol parado, Klopp falou sobre os últimos momentos que o time ainda jogava e como as coisas já tinham mudado antes que as medidas de quarentena fossem adotadas. O técnico contou como foram os últimos dias de rotina normal antes que tudo fosse paralisado com o distanciamento social.

“Foi há duas semanas, mas parece que foi há muito tempo que jogamos contra o Atlético e na quinta tivemos um dia de folga. Eu lembro, nós todos sabíamos da situação, com o coronavírus ao redor do mundo, mas nós ainda estávamos ‘no nosso túnel’, se quiser, e até então, não tinha chegado à nossa cabeça na Inglaterra”, contou o jogador.

“Nós jogamos com o Bournemouth no sábado, nós vencemos, então no domingo o [Manchester] City perdeu, então a informação para nós era: ‘duas vitórias para o título’. Mas então, na segunda de manhã, eu acordei e ouvi sobre a situação em Madri, eles iriam fechar as escolas e universidades a partir de quarta, então foi realmente estranho nos prepararmos para aquele jogo, para ser sincero”, contou o alemão.

“Eu normalmente não tenho problemas com coisas ao meu redor, eu posso construir barreiras à direita e à esquerda quando eu me preparo para um jogo, mas naquele momento, foi realmente difícil”, continuou. “Na quarta, nós tivemos o jogo, eu amei o jogo, eu amei o que eu vi dos rapazes, foi realmente, realmente um bom desempenho mais do que o resultado – nós não fizemos gols o suficiente, nós tomamos gols demais, isso está claro, mas entre esses dois principais pedaços de informação, foi um jogo brilhante”.

“Na quinta nós estávamos de folga, então na sexta quando nós chegamos, já estava claro que não era uma sessão. Sim, nós treinamos, mas foi mais uma reunião. Nós tivemos muitas coisas para falar, muitas coisas para pensar, coisas que eu nunca pensei antes na minha vida”, continuou Klopp.

“Ninguém sabia exatamente – e ninguém sabe exatamente – como isso irá continuar, então a única maneira que nós podíamos fazer era organizar isso o melhor possível para os rapazes e garantir que tudo estivesse organizado da melhor maneira possível e garantir que estivesse da melhor maneira possível em um período tão curto, na pequena área que somos responsáveis. Foi o que fizemos em um curto período de tempo, então mandamos os rapazes para casa, nós também fomos para casa e aqui estamos”.

“Dissemos isso com bastante frequência e acho que todo mundo sabe que o futebol não é a coisa mais importante do mundo. 100% não é. Neste momento, isso está claro. Mas a única forma de termos o futebol de volta o mais breve possível, se é isso que as pessoas querem, temos que ser mais disciplinados o quanto antes for possível, e passo a passo, teremos nossa vida de volta”, afirmou o técnico.

“É assim que é. Não há outra solução no momento, ninguém tem outra solução. Nós temos que ser disciplinados, nós temos que manter distância de outras pessoas. Nós ainda podemos fazer algumas coisas, não muitas, mas nós precisamos nos acalmar um pouco. Sim, fora a economia tem que continuar nós iremos começar de novo. Mas quanto menor for o número quando sairmos novamente, o número de pessoas infectadas, é isso que eu entendo, melhor. Não será mais como ninguém depois das próximas semanas, mas a curva será achatada, isso é a coisa mais importante”, declarou o treinador.

“Temos que dar às nossas pessoas nos hospitais, nossos médicos a chance de tratar as pessoas com problemas sérios com total concentração. Temos que dar às pessoas tempo para construir ventiladores, temos que dar às pessoas tempo para encontrar soluções. Haverá um momento em que outras pessoas inteligentes encontrarão uma vacina para o vírus. Mas até então, temos que garantir o melhor possível para todas as pessoas que estão por aí”, continuou o alemão.

“Você ouve agora cada vez mais que não são apenas os idosos e os mais fracos – não é só isso, existem pessoas mais jovens envolvidas que também podem morrer por causa disso. Não é sobre isso, é apenas sobre mostrar coração e um pouco de sensibilidade e fazer a coisa certa: fique em casa o tempo que for necessário. E então, a certa altura, jogaremos futebol novamente, 100%. Eu não poderia desejar mais por algumas razões realmente boas, como você pode imaginar. Na verdade, mal posso esperar, mas tenho que ser disciplinado e tento ser o máximo que posso”.

É importante mantermos as pessoas em casa para superarmos os problemas, como a China já parece ter conseguido. Há muito pela frente. E precisamos aguentar para que tudo volte ao normal.