José María Giménez tinha apenas 19 anos quando disputou sua primeira Copa do Mundo, em 2014. Ainda era reserva no Atlético de Madrid, disputando apenas uma partida na conquista do Campeonato Espanhol em 2013/14. Entretanto, demonstrou uma personalidade imensa no Mundial do Brasil. Reserva contra a Costa Rica, tomou o lugar do lesionado Diego Lugano e foi titular nos três compromissos seguintes na competição. Personalidade esta que sobrou em seu desenvolvimento com os colchoneros e se viu, mais uma vez, em Copas. Giménez fez ótima partida contra o Egito e, ao final, acabou premiado com o gol que determinou a vitória por 1 a 0.

Se a dupla de ataque do Uruguai carrega a fama, não se pode menosprezar o trabalho da dupla de zaga dos charruas. Diego Godín e Giménez formam uma parceria excelente, e não apenas nos jogos da Celeste. É algo que se vê muitas vezes nas partidas do Atlético de Madrid, com dois defensores que se complementam. Entre a liderança e a firmeza do veterano e a energia e a solidez do garoto, os dois se comunicam muito bem. União que ajuda a formar uma das melhores defesas do futebol europeu e, consequentemente, também das seleções nacionais.

Giménez cresceu demais depois da Copa do Mundo de 2014. Virou uma peça importantíssima na rotação de Diego Simeone. A última temporada guardou algumas dificuldades, por seus problemas físicos. Ainda assim, ajudou o Atleti como zagueiro, lateral direito ou volante. E se recuperou a tempo de seguir como um dos esteios do Uruguai no Mundial. Se as laterais não transmitem tantas certezas assim à Celeste, entre jogadores que buscam seu espaço e outros veteranos em declínio, é no miolo de zaga que segurança se centra. É o que se viu ao longo dos 90 minutos contra o Egito.

A defesa uruguaia em parte do tempo atuou bastante recuada, mas desempenhou o seu papel. Poucas vezes os egípcios conseguiram ser realmente perigosos, sem forçar Fernando Muslera a grandes defesas. E a capacidade de marcação da “simbiose colchonera” valeu demais. Desarmaram, cortaram linhas de passe, evitaram contra-ataques, bloquearam chutes, afastaram cruzamentos. Foram excelentes em praticamente todas as ações. E, mais do que isso, contribuíram ao ataque. Ante a passividade do meio-campo, Godín saiu com a bola dominada em direção ao ataque com certa frequência, ainda que suas tentativas não tenham rendido tanto.

Muito necessário na saída de bola, Giménez não tentou servir de válvula de escape. Mas suas aparições na área foram importantes nos minutos finais. Decisivas. Depois de uma tentativa, tornou-se o salvador aos 44 do segundo tempo. A cobrança de falta de Carlos Sánchez chegou pedindo para ser cabeceada. Godín estava no resguardo, mas foi o jovem quem subiu mais do que dois marcadores e testou firme, finalmente tirando a bola do alcance de Mohamed El Shenawy. O herói celeste da vez.

A imagem da vibração de Giménez fica. O zagueiro comemorando intensamente, até ser soterrado por titulares e reservas que saíram em disparada para abraçá-lo. É um reconhecimento merecido àquele que parece o digno herdeiro à linhagem de grandes defensores uruguaios. Agora, com um jogo de Copa do Mundo para que os torcedores sempre exaltem o camisa 2.


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