Desde que assumiu a presidência da Fifa em 1998, Joseph Blatter nunca teve concorrência na disputa pela reeleição. Na eleição de 2011, Mohamed Bin Hammam tentou concorrer, mas desistiu da candidatura depois de ser condenado por corrupção. Desta vez, a concorrência deve existir de fato. Depois do francês Jérôme Champagne anunciar a candidatura, é a vez do príncipe Ali Bin Al Hussein declarar que também será candidato e, assim, disputará com o suíço pelo comando da entidade de dirige o futebol mundial. E o discurso é de mudança e críticas à falta de transparência da Fifa.

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“Eu quero a presidência da Fifa porque eu acredito que é hora de mudar o foco de controvérsia administrativa de volta para o esporte”, declarou o presidente da Federação de Futebol da Jordânia e um dos vice-presidentes da Fifa. “Não foi uma decisão fácil. Veio depois de uma consideração cuidadosa e muitas discussões a respeito da Fifa com colegas nos últimos meses. A mensagem que eu ouvi, repetidas vezes, foi que é hora de uma mudança. O jogo do mundo merece um órgão de gestão de classe mundial – uma Federação Internacional que é uma organização de serviço e um modelo de ética, transparência e boa governança”, declarou ainda o jordaniano.

Ali Bin Al Hussein sabe que este talvez seja o momento mais fragilizado na história de Blatter desde que ele assumiu a presidência da entidade. Os escândalos pela escolha do Catar como sede da Copa de 2022 emergem a cada mês com novos problemas, denúncias e acusações de corrupção. O recente episódio do relatório de Michael Garcia, que poderia trazer uma sensação que a Fifa tem feito algo para mudar a sua imagem, fez justamente o contrário.  Com tantos questionamentos sobre a falta de lisura da Fifa, patrocinadores começaram a abandonar a entidade.

“As manchetes deveriam ser sobre futebol, não sobre a Fifa”, disse o príncipe Ali. “A Fifa existe para servir ao esporte que une bilhões de pessoas de todas as partes do mundo, pessoas de diferentes e divergentes associações políticas, religiosas e sociais, que se unem na apreciação do jogo do mundo”, declarou ainda o dirigente.

Presidente da Federação de Futebol da Jordânia desde 1999, Ali é o fundador da Federação de Futebol do Oeste Asiático, que tem 13 membros. Aliado de Michel Platini, o príncipe deverá procurar apoio da Europa e partes da Confederação Asiática de Futebol (AFC). No entanto, para concorrer ao cargo máximo da FIFA, seu nome deve ser indicado por cinco federações. Se conseguir mesmo o apoio de Platini, que claramente passou a se opor a Blatter, Ali terá acesso às 54 federações de futebol do Velho Continente, o que pode ser um diferencial político. Isso, claro, além do apoio que deve tentar conseguir no seu próprio continente.

A disputa deve ser dura. O próprio presidente da AFC, o xeique Salman Bin Ibrahim Al Khalifa, do Bahrein, apoia fortemente Blatter. Champagne, que tem boas ideias, precisará de apoio para se candidatar e isso parece algo que ele ainda não conseguiu e só tem até o dia 31 de janeiro para alcançar. É a data limite para a indicação de candidatos. A eleição será no dia 29 de maio, em Zurique, durante o congresso da Fifa.

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