Primeiro título e primeiras conclusões do PSG

Laurent Blanc viu o time da capital levar o Troféu dos Campeões e teve a noção de que alguns velhos problemas persistem na equipe, agora comandado por Blanc

Uma semana antes do início da Ligue 1 2013/14, o Paris Saint-Germain começou a temporada com o pé direito. Em uma virada emocionante nos acréscimos, o clube da capital ficou com o título do Troféu dos Campeões ao bater o Bordeaux por 2 a 1 no Gabão. Embora não seja uma taça que defina lá grande coisa sobre o futuro do time, a partida serviu para mostrar algumas deficiências do PSG logo de cara.

Vale lembrar que o Bordeaux entrou em campo sem alguns de seus principais jogadores. Mesmo assim, os girondinos tiveram o milionário elenco do PSG nas mãos durante boa parte do duelo. Muito bem organizado em campo, o Bordeaux soube aproveitar com eficiência os pontos fracos dos parisienses. Apesar da pompa e dos milhões de euros gastos em reforços, o PSG apresentou velhos problemas.

Christophe Jallet teve um dia para esquecer. Sem força para apoiar, ele ainda foi a alegria para Maurice-Belay e Poundjé. Ambos exploraram este corredor à vontade, com Jallet completamente batido no lance do primeiro gol e em outras jogadas ofensivas. A liberdade de Maurice-Belay foi a principal fonte para o Bordeaux pressionar a defesa rival. O PSG, por sua vez, demorava para engrenar.

Depois de um primeiro tempo árido, o PSG voltou do intervalo com uma postura mais dominadora. Com maior posse de bola do que o Bordeaux, os parisienses ainda se expuseram demais aos contra-ataques dos girondinos. Quando o jogo parecia definido, Blanc resolver apostar em uma formação mais jovem e promoveu as entradas de Verratti, Coman e Ongenda. As mudanças caíram como uma luva e a virada saiu – sofrida, mas saiu.

Em seu primeiro jogo oficial no comando do time, Laurent Blanc preferiu manter o esquema tático utilizado por Carlo Ancelotti, seu antecessor. Montada no 4-4-2, a equipe estava lenta demais nos primeiros 45 minutos. No ataque, papéis invertidos para Ibrahimovic e Lavezzi: enquanto o sueco teve uma apresentação discreta, o argentino chamou o jogo para si e se esforçava para criar alguma coisa.

E a velha novela persiste, seja no começo ou no fim da temporada. Pela enésima vez, Javier Pastore vagou em campo, dentro de uma realidade paralela e fora da noção adequada de tempo e espaço. Se em outras ocasiões o argentino conseguia se manter por não encontrar uma concorrência tão forte, agora sua situação sofre uma mudança radical com a chegada de Cavani. Em outras palavras, Pastore é o mais cotado para esquentar o banco para a entrada do uruguaio de € 64 milhões.

Por outro lado, Lucas deixou uma boa impressão sobre suas atuais condições físicas, algo imprescindível para um jogador com suas características. O ex-são-paulino mostrou-se incansável no apoio pelo lado direito, com avanços incisivos e objetivos. Além disso, foi dele a cobrança da falta que originou o gol decisivo de Alex nos acréscimos. O duelo no Gabão serviu para Blanc tirar algumas conclusões e ver que o PSG começa a temporada com trabalho a fazer, mas dentro de um bom nível de excelência.

Um contra a rapa

A Ligue 2 começou no primeiro fim de semana de agosto com um favorito absoluto, mas promete ser um dos torneios mais abertos das últimas temporadas. Com os retornos de Monaco e Nantes à elite, cabe ao Lens ser a bola da vez. Os Sang et Or apostam no retorno do presidente Gervais Martel para voltar à primeira divisão. Mais do que seu dirigente emblemático, o clube deposita suas fichas nos euros investidos pelo empresário azeri Hafiz Mammadov.

O Lens entra com o maior orçamento da Ligue 2 (€ 22 milhões). A chegada de Mammadov, dono do FC Baku e do Baghlan Group (que reúne empresas do ramo petrolífero, de gás e de transportes), permitiu ao clube sanar suas dívidas e partir com tudo rumo ao título. Os Sang et Or esperam que alguns ex-PSG rendam bem: o treinador Antoine Kombouaré, o jovem Alphonse Aréola (campeão mundial sub-20) e o experiente Daniel Ljuboja.

O Caen também pinta como favorito ao título e à promoção para a Ligue 1. Se o SMC perdeu o capitão Sorbon, o time terá outro jogador emblemático dentro do grupo: Jérôme Rôthen, de volta ao clube no qual foi revelado há cerca de 20 anos. Nancy, Brest e Troyes, rebaixados da primeira divisão, são outros candidatos fortes às três vagas do acesso.

O Auxerre ainda passa por um período econômico difícil, sem grandes investimentos em reforços. Repetir o discreto nono lugar em 2012/13 deve ser o grande desafio do AJA, que não pensa em voltar em curto prazo aos seus dias de glória. A goleada por 4 a 0 sofrida para o Metz, um dos caçulas da Ligue 2, dá bem o tom do sofrimento pelo qual a torcida deve enfrentar.

O AJA passa por um dos períodos mais críticos de sua história. Para começar, o time viu uma troca de treinadores como nunca. Desde junho de 2011, quando Jean Fernandez ocupou o cargo, o Auxerre vai para seu terceiro treinador. Laurent Fournier não terminou seu primeiro ano de contrato; Jean-Guy Wallemme foi demitido em dezembro de 2012, quase oito meses após sua contratação; e Bernard Casoni tenta fazer milagres com um time limitado.

Na parte administrativa, o Auxerre também passa por um período de transição. Guy Cotret assumiu a presidência, mas quem manda mesmo é o fundo de investimentos Paris Luxembourg Participations (PLP). Mesmo com este aporte, o AJA está com o cinto apertado. Se em sua última participação na Ligue 1 seu orçamento foi de € 40 milhões, na temporada 2012/13 foi de € 21,5 milhões, com grande redução da folha salarial.  Para 2013/14, a previsão é de um orçamento de € 17 milhões, mas com objetivo de chegar a… € 14 milhões.

SCO Angers, Dijon, Le Havre e Nîmes aparecem como possíveis candidatos à zebra e podem beliscar uma vaguinha no elevador rumo à Ligue 1. Laval, Châteauroux, Niort, Clermont, Istres, Arles-Avignon, Tours, Créteil e Metz brigam por posições intermediárias e se contentam com o papel de figurantes. Já o CA Bastia (não confundir com o SC Bastia) nunca esteve em uma divisão tão alta em sua história e, com o menor orçamento da Ligue 2, deve voltar para o National sem grandes sustos.