Primeiro tempo em ritmo de treino custou ao Real Madrid derrota para time misto do Shakhtar

Jogar no Alfredo Di Stéfano sem público pode ser um desafio ao Real Madrid. O clima de treino ou jogo de preparação consequente de arquibancadas vazias e do uso de um estádio secundário se transferiu ao ritmo de jogo da equipe, e o Shakhtar Donetsk, mesmo com um time misto por causa de uma extensa lista de dez desfalques, aproveitou a moleza madridista para abrir 3 a 0 ainda no primeiro tempo. O Real acordou para o segundo tempo, mas a reação foi insuficiente. No final, vitória por 3 a 2 para os ucranianos na estreia de ambas as equipes na fase de grupos da Champions League.

[foo_related_posts]

Em todo o primeiro tempo, o Real Madrid não ameaçou o gol defendido por Trubin. A melhor oportunidade merengue veio só aos 30 minutos, mas a cabeçada de Jovic foi facilmente defendida pelo goleiro. O Shakhtar, por sua vez, estava em outra sintonia.

Tirando proveito da falta de intensidade da equipe de Zinédine Zidane, o time ucraniano se lançava em contra-ataques perigosos com alguma frequência. Aos 14 minutos, esteve perto de marcar em uma dessas transições ofensivas, mas Marlos chutou em cima de Courtois.

Aos 29 minutos, o gol veio. O lateral esquerdo Viktor Koniienko fez boa jogada individual, tocou para Tetê, e o brasileiro, pela direita, teve tranquilidade para bater rasteiro e vencer Courtois.

Quatro minutos mais tarde, o Shakhtar iria novamente às redes. Tetê foi bem pela direita, chutou forte, forçando Courtois a espalmar, e no rebote Varane brigou com Dentinho pela bola, mas acabou mandando contra a própria meta.

Mantendo o ritmo elevado e diante de um Real ainda fora do jogo mentalmente, o Shakhtar ampliaria mais uma vez. Aos 42 minutos, Tetê desceu em diagonal, da direita para a esquerda, arrastou consigo a marcação e tocou de calcanhar para o meio da área. Solomon chegou à bola antes da defesa do Real e bateu para fazer 3 a 0.

Na volta do intervalo, Zidane promoveu a entrada de Karim Benzema, inicialmente poupado, no lugar de Rodrygo. Com outro ânimo após a conversa de vestiário, o Real Madrid daria início à sua reação. A pressão alta começou a causar problemas ao Shakhtar, e logo sairia o primeiro gol do time da casa.

Aos nove minutos da etapa complementar, Modric, da intermediária, mandou uma bomba no ângulo esquerdo superior de Trubin, que sequer se moveu, para fazer um golaço e diminuir para 3 a 1.

Ainda exposto a contra-ataques, o Real viu o Shakhtar criar oportunidades de marcar o quarto e matar o jogo. Aos 11 minutos, Koniienko mais uma vez causou problemas ao subir pela esquerda, passando por Mendy, que jogou improvisado na lateral direita, e tocando para trás, onde Dentinho e Marco Antônio chegaram dividindo o chute e acabaram por mandar à direita do gol, rente à trave.

O Real Madrid chegou a seu segundo gol ainda aos 14 minutos. Vinícius Júnior acabara de entrar, substituindo Luka Jovic, e na mesma corrida em que se dirigiu ao ataque aproveitou para tomar a bola de um desatento Marlos, na frente da área do Shakhtar, avançar e bater para fazer o 3 a 2, exatos 14 segundos após pisar no gramado.

Em mais um bom contra-ataque, Dentinho deixou Tetê na cara do gol aos 18 minutos do segundo tempo, mas o ponta brasileiro fracassou na finalização, batendo em cima de Courtois. Aos 35, o Shakhtar chegou a balançar de novo a rede, com finalização de classe de Marlos por cima de Courtois após passe de Tetê. Entretanto, o ponta estava impedido na origem do lance, quando foi lançado por Dentinho, e o gol foi anulado.

O Real Madrid, que na segunda metade do segundo tempo havia de novo retornado ao jogo pouco intenso que mostrara na primeira etapa, ainda conseguiu sonhar com o empate. Nos acréscimos do jogo, Valverde chutou forte de fora da área, a bola desviou no meio do caminho e entrou para o gol. Entretanto, Vinícius Júnior, em posição de impedimento, bloqueava a visão de Trubin, e a revisão do VAR confirmou a anulação do gol.

Mesmo os desfalques de Sergio Ramos, Carvajal, Hazard e Odegaard não justificam o resultado. O Shakhtar Donetsk, afinal, jogava com dez desfalques, entre lesões e infecções por Covid-19, Taison, Ismaily, Konoplyanka e Matvienko sendo as principais ausências.

A derrota por 3 a 2 é um duro lembrete ao Real Madrid de que, sem a intensidade certa, qualquer jogo pode ser difícil nesta Champions League.