José Mourinho está de volta so futebol e também ao futebol inglês. Desde a sua demissão do Manchester United, em dezembro de 2018, o português estava sem trabalhar. Foi o escolhido para substituir o demitido Mauricio Pochettino como técnico do Tottenham e assinou contrato até 2022/23. Um contrato de três anos e meio para um técnico que tem um currículo, de fato, invejável: são 25 taças conquistas, sendo duas delas Champions League, mas muitas também na Inglaterra, incluindo a Premier League, que conquistou três vezes, todas pelo Chelsea – curiosamente, rival dos Spurs.

Mourinho sempre foi conhecido por sua forma de gestão de jogadores. Nos seus melhores trabalhos, criou relações intensas com os jogadores. No Porto, no Chelsea e na Internazionale, deixou jogadores que morriam por ele em campo. No Real Madrid, conquistou muitos, mas dividiu muito o vestiário também. O mesmo pode ser dito quando retornou ao Chelsea, ainda conquistando taças, mas com alguns problemas. No Manchester United, o que se sentiu foi mais problemas de gestão de elenco do que méritos do português nesse sentido. Gerir um bom elenco será o seu desafio no Tottenham, que tem bons jogadores, como ele mesmo admitiu.

Em sua primeira entrevista como treinador do Tottenham, Mourinho encheu o clube de elogios. Falou sobre o elenco, ressaltando sua qualidade, e também da estrutura, o estádio e o centro de treinamento. Prometeu muita paixão, pelo seu trabalho e também pelo clube. Está habituado à Premier League, sem dúvida, e terá um enorme desafio em conduzir um clube sem uma taça sequer desde 2008, mas que bateu na trave do maior troféu possível na Europa, a Champions League na temporada passada, quando perdeu apenas na final para o Liverpool.

“Eu não poderia estar mais feliz e ansioso pelo desafio. O que eu posso prometer? Paixão, verdadeira paixão. Paixão pelo meu trabalho, mas também paixão pelo meu clube, essa é a forma como foi em toda minha carreira e eu quero tentar, obviamente, tudo para trazer alegria a todos que amam o clube”, afirmou o português.

“É um privilégio quando um técnico vai para um clube e sente aquela alegria em relação ao elenco que ele terá. Isso não acontece muitas vezes. Para ser honesto, na maioria das vezes, nós vamos para os clubes e sempre pensamos: ‘nós gostamos de alguns, eu não gosto o bastante’ e você pensa imediatamente sobre o que fazer para mudar, o que fazer para fazer uma abordagem entre suas ideias e o perfil dos jogadores”, declarou Mourinho.

“Este é um caso completamente diferente e estas não são palavras do momento, não são palavras sendo técnico do Tottenham, são palavras que eu disse e repeti nos últimos três, quatro, cinco anos, mesmo como um adversário”, continuou o ex-técnico do Chelsea e Manchester United.

Mourinho em suas fotos como novo técnico do Tottenham (Divulgação)

“Eu sempre falei sobre o potencial do clube, eu sempre falei sobre a qualidade dos jogadores, eu sempre falei sobre o trabalho magnífico que o clube estava fazendo em manter todos os bons jogadores que a maioria dos grandes clubes na Europa estavam procurando”, analisou o treinador.

“Eu realmente gosto deste elenco. É claro, eu não vou dizer nomes, eu não irei dizer a você sobre indivíduos porque isso é completamente contra meu conceito do que um time deve ser, mas eu gosto da habilidade do elenco”.

“Não há um técnico no mundo que não goste de colocar jovens jogadores e ajudar esses jovens jogadores a evoluir, não sou apenas eu. O problema é às vezes você chega a clubes e o trabalho que está abaixo de você não é bom o bastante para produzir esses jogadores, mas quando você os tem, os treinadores sempre estão felizes em desenvolvê-los, então eu olho para a nossa história e vejo que as categorias de base estão sempre dando talentos que o time principal precisa. É claro, eu estou ansioso para trabalhar com esse perfil”, afirmou ainda o técnico.

“Jogar contra o Tottenham em White Hart Lane sempre foi difícil, mas bonito, um dos lugares que eu costumava ir com paixão, mas também com respeito. Bons jogadores, bom estilo de jogo é algo que o clube desenvolveu na última década, então é verdade, mesmo como adversário, há sempre um imenso respeito entre o clube e eu. Eu encontrei com vocês em finais de Copas, em semifinais, em grandes partidas e manter esse respeito provavelmente estava no fundo da minha mente que um dia eu poderia ser um de vocês”, contou o português, que também já treinou o Real Madrid.

“Eu acho que vocês são muito humildes quando vocês dizem ‘bonito estádio’, muito humildes. Vocês têm que dizer que é o melhor estádio do mundo. Esta é a realidade”, sentenciou o treinador. “O centro de treinamento é inigualável. Provavelmente só pode ser comparado com alguns centros de treinamento de futebol americano. Você não pode comparar isso com futebol europeu de qualquer nível e eu estive na maioria dos melhores lugares. É impossível comparar, o mesmo com o estádio. É algo que tem que nos fazer muito orgulhosos, mas não apenas por isso, as condições que nós temos para trabalhar são absolutamente incríveis”.

Mourinho é uma raposa velha e sem dúvidas conhece muito de vestiário e gestão de grupos. Nem sempre, porém, conseguiu sucesso nesse sentido e os últimos trabalho mostraram problemas nisso. Seria errado dizer que o português é um técnico apenas defensivo, porque ele já fez trabalhos que foram em outra direção, inclusive na Internazionale campeã da tríplice coroa. O seu Real Madrid marcou mais de 100 gols, foi o melhor ataque de La Liga.

O seu Chelsea, última vez que ele conquistou uma liga, em 2014/15, manteve um bom equilíbrio e era o segundo melhor ataque e a melhor defesa. Só que já este trabalho, o que se via de Mourinho era uma retranca em jogos grandes. No Manchester United, seu time jogava mal a maior parte do tempo, um futebol que não só não era vistoso, como sequer era eficiente. Na temporada final pelo clube de Old Trafford, nem mesmo a defesa era confiável.

O Tottenham é um imenso desafio para o treinador português, mas também uma enorme oportunidade. Tem uma estrutura, tática e de elenco, que é excelente. Afinal, é um time finalista da última Champions League. Então, se ele conseguir ter uma boa gestão de elenco e mostrar alguma habilidade tática como ele já mostrou no passado, mas que não mostrou nos últimos anos, poderá ter sucesso. As suas palavras são de paixão. Resta ver como isso será visto pelo seu trabalho em campo.

A estreia de Mourinho acontece já neste sábado, às 9h30 (horário de Brasília), contra o West Ham, fora de casa. Certamente será uma imensa atração em todo o mundo ver o “Special One” de volta ao futebol e à Premier League.

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West Ham x Tottenham
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