Euro 2012: Grupo A

Polônia – Anfitriões apostam na nova geração

A Polônia enfrentará, frente ao seu povo, seu maior desafio na história do futebol. O país que já teve jogadores de destaque, nunca foi protagonista de uma grande competição. Para tentar realizar este sonho, o técnico Franciszek Smuda fez o máximo para montar um elenco forte. Criticado por naturalizar jogadores de origem polaca, como o alemão Boenisch e os franceses Perquis e Obraniak, Smuda convenceu a torcida que o time tem condições de alcançar pelo menos as quartas-de-final.

Time
Após testar diferentes formações, a escolhida foi o 4-2-3-1, apostando em aproveitar o bom momento dos três bicampeões alemães com o Borussia Dortmund: Piszczek, Blaszczykowski e Lewandowski.

Defesa
É a principal preocupação de Smuda. Perquis e Boenisch tiveram lesões que podem atrapalhar sua forma para o torneio. O jovem goleiro Szczesny conquistou a confiança de todos após ótimas atuações pelo Arsenal.

Meio-campo
Obraniak deve ser o encarregado pela articulação da equipe, mas uma boa opção no banco é Mierzejewski, jogador mais caro da história da Liga Polonesa quando vendido do Polonia Varsóvia para o Trabzonspor, da Turquia. Os volantes Murawski e Polanski são titulares e responsáveis por proteger os zagueiros.

Ataque
A estratégia é o contra-ataque rápido pelos lados, principalmente na direita, se aproveitando do entrosamento de Piszczek e Blaszczykowski. Os gols ficam a cargo de Lewandowski, autor de 33 gols na temporada. O dinâmico Rybus é uma arma perigosa pela esquerda.

Opções
As reposições da defesa são fracas, mas do meio para frente alguns jovens podem ajudar bastante a Polônia. O volante Matuszczyk fez boa temporada com o Dusseldorf na campanha de acesso para a Bundesliga. O jovem Wolski, de 19 anos, foi a revelação da liga doméstica pela criatividade e habilidade. Se precisar de mais força na área, Smuda conta também com Sobiech, que vem conquistando espaço pelo Hannover.

República Tcheca – Confiança no santo de casa

Um título, um vice, três semifinais. A Euro é sem dúvida a competição onde os tchecos conseguem seu melhores resultados. No entanto, em 2008 a eliminação veio logo na primeira fase e o passaporte para a Copa do Mundo da África do Sul sequer saiu do bolso. Para recuperar a reputação e o bom futebol, o técnico Michal Bilek resolveu preparar uma receita caseira. Sete dos 23 convocados atuam na Liga Gambrinus, o Campeonato Tcheco, e outros quatro saíram recentemente. A base é o Viktoria Plzen, campeão da temporada 2010-2011 e com bom desempenho na Liga dos Campeões.

Time
Bilek montou sua equipe no 4-2-3-1, o esquema mais utilizado na Europa no momento. O treinador acredita que tem jogadores com capacidade de alcançar um equilíbrio no meio entre força na marcação e saída rápida para o ataque. A escalação deve variar conforme o adversário, mas o time que vai a campo contra a Rússia, na estreia, é bastante ofensivo.

Defesa
Capitão e principal jogador do país, o goleiro Petr Cech chega embalado pelo título da Liga dos Campeões com o Chelsea. Na linha defensiva, Hubník e Sivok são zagueiros de imposição física. Nas lateral-direita, Theodor Gebre Selassie, de origem etíope, é o primeiro negro a defender o país. É destaque do atual campeão nacional, o Slovan Liberec. Na esquerda, Michal Kadlec é o dono da posição e o cobrador de pênaltis da equipe. Como opção ofensiva, Kadlec pode jogar na zaga, dando lugar ao veloz Limbersky na lateral.

Meio-campo
Tudo deveria passar pelos pés de Tomas Rosicky. Entretanto, uma vez mais, uma lesão atrapalha o desenvolvimento da carreira do talentoso articulador. Ainda reabilitando uma panturrilha, o meia deve ficar no banco pelo menos na estreia. Daniel Kolar será o substituto. Na contenção, Bilek opta por deixar Hubschmann no banco e começar com uma dupla mais técnica: Plasil e Jiracek. Nas extremas, Rezek e Pilar, ambos ex-jogadores do Plzen, devem iniciar o torneio.

Ataque
Principal problema dos tchecos, a falta de gols preocupa. Baros, artilheiro da Euro 2004, ficou 11 meses sem marcar pela Seleção, até o amistoso com a Irlanda, em fevereiro. Nas Eliminatórias, fez apenas um gol e o goleador da equipe foi o lateral Kadlec.

Opções
David Lafata, de 30 anos, vem recebendo oportunidades no ataque pelo bom momento que vive no Jablonec. Foi o artilheiro do último Campeonato Tcheco, com 21 gols. Outras alternativas interessantes são três jogadores do Viktoria Plzen: o lateral Limbersky, o volante-lateral Rajtoral e o extremo Petrzela.

Grécia – Em busca de um segundo milagre

Vivendo uma tremenda crise econômica e social, a Grécia vê em sua seleção de futebol uma chance de redenção. Campeões europeus em 2004, os gregos prometem mostrar que podem repetir o feito e usarão as mazelas do país como fonte de inspiração e união. O técnico português Fernando Santos comanda o processo de renovação da equipe, que conta com apenas dois jogadores do time que fez história em Portugal.

Time
Com apenas uma derrota em 21 jogos no comando, Fernando Santos montou um time bem mais fluido que seu antecessor Otto Rehhagel. Após começar no 4-4-2, o português reverteu para o 4-3-3. As principais características são a disciplina tática e a entrega.

Defesa
Os três goleiros convocados receberam oportunidades recentes, mas o preferido deve ser Sifakis, considerado o melhor do país, jogador do Aris Salonika. Os quatro defensores estão garantidos com a base do Olympiakos e mais Sokratis Papastathopoulos, do Werder Bremen. Assim como o time de 2004, sofre poucos gols, apenas cinco nas Eliminatórias.

Meio-campo
Os veteranos do time campeão europeu Katsouranis e Karagounis continuam dando as cartas no centro do campo grego. Nos últimos jogos, Fernando Santos escolheu o volante Maniatis para completar o trio, passando Ninis para o ataque e adotando uma postura mais cautelosa.

Ataque
Gekas reconsiderou sua aposentadoria da Seleção e será o centroavante mais uma vez. Ele já marcou 21 gols em 58 partidas pelo país. Pelos lados, o jovem driblador Ninis e o grandalhão Samaras completam o time. O oportunista Salpigidis fica como alternativa.

Opções
A Grécia tem uma geração promissora começando a ganhar experiência. Kyriakos Papadopoulos, titular do Schalke, deve assumir um lugar na zaga muito em breve. Na frente, os meias Fetfatzidis e Fortounis são candidatos a revelação.

Rússia – Experientes e ambiciosos

Em 2008, a Rússia foi a surpresa da Euro ao eliminar a Holanda e alcançar as semifinais. Jogadores como Arshavin, Zhirkov e Pavlyuchenko ganharam destaque e foram jogar na Premier League. Após o fracasso ao ficar de fora da Copa da África, o holandês Dick Advocaat pretende levar a equipe à sua quinta final continental. Experiente no comando de Seleções, o treinador foi escolhido pela ótima passagem no Zenit, onde conquistou um título nacional e a Copa da UEFA.

Time
Advocaat manteve uma postura conservadora desde que assumiu o comando e vai apostar na velha guarda russa. Mesmo vistos sob alguma desconfiança, Arshavin e Zhirkov continuam tendo papel  fundamental no time, formando um par interessante no lado esquerdo. A formação é o 4-3-3 com forte apoio dos laterais e extremos se movimentando muito ao redor do atacante central.

Defesa
Oito meses parado se recuperando de uma lesão de joelho farão com que Akinfeev deva começar a Euro no banco. O gol será protegido por Malafeev, do Zenit. Anyukov e Zhirkov são os donos da laterais e tem papel importante na tarefa ofensiva. O miolo de zaga pode sofrer com a lentidão de Aleksei Berezutski e Ignashevic, a dupla do CSKA Moscou.

Meio-campo
O triângulo titular de meio da Rússia treina e joga junto o ano inteiro no Zenit e será importante para uma boa campanha. Denisov e Zyryanov dividem a proteção da defesa e cobertura dos laterais. Shirokov, em grande fase, articula e chega na área para marcar gols.

Ataque
O jovem Dzagoev, o mais talentoso russo a surgir nos últimos anos, é capaz de desequilibrar se estiver em um dia inspirado. Porém, sua irregularidade ainda deixa pontos de interrogação sobre seu verdadeiro potencial. Arshavin será o capitão do time e referência técnica. O escolhido para ser o centroavante é Kerzhakov, do Zenit, autor de 32 gols na última temporada.

Opções
Se precisar de gols, a Rússia terá no banco os experientes Pavlyuchenko, que recentemente deixou o Tottenham e retornou a Moscou para defender o Lokomotiv, e Pogrebnyak, artilheiro do Zenit de Advocaat e hoje jogador do Fulham. O dinâmico Izmailov, do Sporting Lisboa, recebeu nova oportunidade e pode ser útil.

Palpite do Marcação Pressão   
Grécia mostrou na Copa do Mundo que precisa de renovação e o time ainda carece de maior talento individual. A República Tcheca é uma boa equipe, mas sem consistência e experiência internacional. A Polônia terá a seu favor o fator local e jogadores que vem de ótima temporada. A Rússia tem um excelente trio de meio e, se Arshavin e Dzagoev mostrarem o seu melhor, pode conseguir bons resultados. Passam Polônia e Rússia determinando o líder da chave no confronto direto.