Campeão e vice da Ligue 1 se enfrentaram no estádio Saputo, em Montréal, pelo Trophée des Champions. Era de se esperar, pelo menos algum equilíbrio, mas o duelo disputado no Canadá teve um Paris Saint-Germain anos-luz à frente do Lyon. A vitória por apenas 2 a 0 esconde a atual diferença abismal entre as duas equipes. Pode parecer prematuro demais, até por que a temporada mal começou, mas o OL já se vê mergulhado em uma crise de identidade.

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Os parisienses precisaram de somente 17 minutos de bola rolando para resolver a partida a seu favor. Os gols marcados por Serge Aurier e Edinson Cavani davam a impressão de que a goleada seria inevitável. Enquanto o PSG tocava a bola com uma tranquilidade ímpar, o Lyon se limitava a observar seus adversários, sem muito a fazer. Era um jogo reunindo onze homens e, do outro lado, um bando de crianças.

Cavani atuou aberto pela direita no 4-3-3 montado por Laurent Blanc. Mesmo jogando fora de sua posição preferida, o uruguaio deu conta do recado. E ele pode evoluir, já que a chegada de Di Maria deve fazer o treinador optar por um 4-4-2 com o meio-campo em losango, exatamente da forma como Cavani se sente mais à vontade. Blanc também elogiou a marcação de sua equipe, com forte pressão sobre os rivais ainda no setor ofensivo.

A turnê americana do PSG terminou com uma bela impressão para a temporada. Mesmo com a indefinição sobre o futuro de Zlatan Ibrahimovic, o time da capital demonstra um alto nível de exibições logo cedo. A síntese deste comprometimento tem seu melhor exemplo em Adrien Rabiot. Titular diante do Lyon, o meio-campista supriu com maestria a ausência de Thiago Motta. No total, ele teve 152 toques na bola, com 135 passes certos. Números impressionantes e que lembram os de seu companheiro Marco Verratti, referência no setor.

Se do lado do PSG há confiança, no Lyon predomina a dúvida. Os vice-campeões da Ligue 1 praticamente não ofereceram resistência e mostraram estar alguns degraus abaixo do nível apresentado pelos parisienses. A única defesa feita por Kevin Trapp, um dos reforços do clube da capital para 2015/16, aconteceu aos 44 minutos do segundo tempo, em uma finalização sem qualquer perigo de Samuel Umtiti. Muito pouco para um time que vai disputar a Liga dos Campeões e deseja prestar um bom papel na competição.

A preparação do OL foi desastrosa. Em seis partidas disputadas nesta pré-temporada, o time sofreu cinco derrotas (uma delas por 6 a 0 diante do Arsenal), marcou parcos dois gols e levou 14. Os desastres em campo refletem o ambiente conturbado dos lioneses, que já convivem com questionamentos do treinador e do presidente quanto ao comportamento de estrela de alguns jogadores e lesões.

A grande questão do momento no Lyon atende pelo nome de Alexandre Lacazette. O atacante não renovou seu contrato com o OL e, além do desgaste provocado por esta situação, também tem jogado muito mal. Nem de longe ele lembra aquele artilheiro fundamental para comandar um time repleto de garotos. De referência, Lacazette passou a ser uma figura contestada e começa a temporada com prestígio abalado.

Para piorar, o OL também sofre com ausências de jogadores importantes logo na reta inicial da Ligue 1. Maxime Gonalons, expulso contra o PSG, está fora do duelo da primeira rodada contra o Lorient. Clément Grenier e Gueïda Fofana, machucados, ficarão um bom tempo longe dos gramados. Com atraso, os lioneses agora tentam buscar soluções na janela de transferências. Uma bagunça completa que compromete desde já as chances de um bom desempenho. O time pode até dar a volta por cima mais tarde, mas tudo poderia ser mais simples se houvesse mais tato de quem cuida das questões internas do clube.

Eliminatórias do medo
Didier Deschamps, técnico da França (AP Photo/Dmitry Lovetsky)
Didier Deschamps, técnico da França (AP Photo/Dmitry Lovetsky)

O sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo-2018 foi cruel para a França. O caminho dos Bleus para a ida à Rússia se mostra longo e perigoso demais. Afinal, um grupo com Holanda e Suécia está bem longe de passar alguma tranquilidade. Isso sem contar a Bulgária, de tão tristes lembranças para os franceses. O risco de ver o próximo Mundial pela TV é, sim, bastante considerável.

Pela tabela, o início da caminhada francesa já suscita preocupações. Belarus (fora) e Bulgária (casa) podem muito bem aprontar alguma surpresa. Logo na terceira rodada, o duelo contra a Holanda em território adversário será crucial, ainda mais se a seleção tropeçar nos dois primeiros rivais. No jogo seguinte, a França recebe a Suécia. Ou seja: nada de moleza, nem respiro em caso de derrotas.

Por um lado, a França tem a chance de exorcizar um de seus fantasmas mais perturbadores dos últimos tempos. Basta voltar a 17 de novembro de 1993, quando os Bleus entraram em campo no Parc des Princes com a vaga para o Mundial nos EUA praticamente carimbada. Só se esqueceram de avisar Emil Kostadinov e seus demais companheiros búlgaros, que venceram por 2 a 1 e foram para a Copa. Uma lição que jamais sairá da mente dos franceses, por mais que a Bulgária tenha se enfraquecido.

Quando se fala na Suécia, a óbvia associação a Zlatan Ibrahimovic como estrela solitária está bem longe da realidade. Claro que o atacante concentra grande parte das atenções, mas a equipe conta com uma talentosa geração, que acabou de conquistar o título europeu sub-21 (e que se classificou para esta competição ao derrotar… a França). E o último duelo oficial entre suecos e franceses terminou com vitória dos escandinavos por 2 a 0 na Euro-2012.

A Holanda parte como grande favorita para a vaga direta na Copa-2018. Basta ver seu desempenho nos últimos Mundiais (vice em 2010, terceira em 2014) e a forma como passeou nas duas últimas eliminatórias. Em 18 jogos, foram nada menos do que 17 vitórias e um empate (!), com 51 gols marcados e apenas sete sofridos. A Oranje pode não assustar como em épocas recentes, mas sem dúvida se encontra em um estágio mais avançado do que o de seus rivais.