O Campeonato Italiano está considerando a hipótese de ter que terminar a liga com menos jogos. Uma das hipóteses é terminar com playoffs e até um formato com os oito melhores colocados, no modelo que a Champions League fez para terminar a temporada. Embora os dirigentes queiram evitar mudar o formato, o Ministro do Esporte fez críticas que levaram Lega Serie A e FIGC (Federação Italiana de Futebol) a ter que considerar a possibilidade de não ser possível cumprir o formato atual.

Tivemos dois jogos que não aconteceram no fim de semana, ambos relacionados a casos da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus. O Genoa está com 22 infectados, sendo 17 deles jogadores. O jogo contra o Torino, no último fim de semana, teve que ser adiado. O Napoli também não entrou em campo, mas este não por adiamento, ao menos oficialmente. O clube foi proibido de viajar pela autoridade de saúde da região da Campânia. O jogo contra a Juventus, em Turim, não foi disputado, ainda que a Velha Senhora tenha inclusive ido a campo. A posição do clube é que o Napoli não cumpriu o protocolo, por isso deveria haver o WO. Explicamos esse caso neste texto.

Segundo o Corriere dello Sport, a FIGC começou a trabalhar na hipótese de ser necessária uma mudança de emergência. O Ministro do Esporte da Itália, Vincenzo Spadafora, fez uma cobrança pública em relação a isso em uma entrevista ao Corriere dela Sera nesta terça-feira. O Ministro do Esporte ressaltou que “ninguém vive a mesma vida como há um ano, e o atual formato do futebol, incluindo as Copas e ligas nacionais, talvez sejam otimistas demais”.

Para Spadafora, o melhor momento para definir um plano B, caso o calendário não possa ser cumprido, seria antes do início do campeonato. Isso, obviamente, não aconteceu. Os dirigentes sempre foram bastante reticentes em mudanças no formato dos campeonatos. O principal motivo é a TV, que paga caro – e já tentou reduzir o valor pela interrupção dos jogos, o que gerou prejuízos em todos os setores. No Brasil, por exemplo, o Campeonato Italiano não foi exibido na sua reta final, depois do fim do acordo com o DAZN, dono dos direitos no Brasil.

Segundo revela o Corriere dello Sport, Gabriele Gravina, presidente da FIGC, e o presidente da Lega Serie A, Paolo Dal Pino, asseguraram ao Ministro, Spadafora, que as duas opções estão sendo consideradas, tanto playoffs quanto criar uma fase final com os oito melhores times. A hipótese de uma fase final reduzida poderia diminuir o número de jogos de 380 para 340 ou 350, dependendo de quando a parada acontecesse.

Os times se enfrentariam apenas um reduzido número de adversários, relacionados à sua posição na tabela de classificação naquele momento, para estabelecer uma classificação final levando em conta as rodadas anteriores antes de concluir com a disputa do Scudetto em um playoff e a repescagem contra o rebaixamento.

O plano B seria uma fase final no molde da Champions League 2019/20, talvez com jogos em casa e fora e vantagens para os quatro primeiros colocados na tabela, baseado no formato já usado na Serie B italiana.

São hipóteses estudadas, mas longe de serem garantidas. O jornal italiano ressalta que uma das grandes questões ainda não definidas é justamente como ficaram os direitos de TV. Seria preciso uma consulta às donas dos direitos, especialmente na própria Itália, para definir o que seria feito caso esses planos sejam necessários. Além disso, outra questão que fica pendente é como seriam definidas as vagas europeias.