Segundo documento vazado pelo Football Leaks, divulgado pelo jornal Guardian, da Inglaterra, em parceria com o site Mediapart, da França, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi, teria cometido irregularidades na transferência de Javier Pastore para o clube francês, em 2011.

Al-Khelaïfi teria assinado uma carta para o chefe de gabinete do governo do Catar, solicitando um pagamento de € 2 milhões ao empresário de Pastore, Marcelo Simonian, além de US$ 200 mil à empresa Oryx QSI, de propriedade de Khaled Al-Khelaïfi, irmão de Nasser, envolvida na negociação.

O artigo 7 do regulamento da Fifa sobre intermediários estipula que é proibido que um presidente de clube faça pagamentos a um empresário e que só o cliente desse intermediário pode fazer essa compensação. A Federação Francesa de Futebol, em resposta ao Guardian e ao Mediapart, reiterou que seu próprio regulamento também proíbe a prática, permitindo apenas que clubes e jogadores paguem um agente. “Um presidente de clube, portanto, não pode, pessoalmente, completar diretamente o pagamento de comissão a um agente”, dizia o comunicado da federação.

A carta de Al-Khelaïfi estava contida em documentos obtidos pelo jornal alemão Der Spiegel por meio do Football Leaks, cujo criador, o português Rui Pinto, está atualmente detido, aguardando julgamento e podendo pegar até dez anos de prisão.

De acordo com o Guardian, a carta sugere ainda que Al-Khelaïfi forneceu informações erradas ao juiz francês Renaud Van Ruymbeke ao dizer que não tinha autoridade para assinar documentos pela Oryx QSI, já que ela foi assinada pelo presidente do PSG em papel timbrado.

Van Ruymbeke indiciou Al-Khelaïfi por corrupção ativa em investigação separada sobre o processo de escolha da sede do Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 e 2019.

Na carta, Khelaïfi diz seguir instruções verbais “dadas por Sua Alteza Xeque Tamim bin Hamad Al Thani, herdeiro ao trono, que Deus o proteja e o conserve, em relação ao pagamento da comissão devida ao agente responsável pelo jogador Javier Pastore no valor de 2 milhões de euros (2.000.000) em troca de sua transferência do clube italiano Palermo ao Paris Saint-Germain, além dos encargos da Oryx QSI, no valor de US$ 200 mil (duzentos mil dólares)”.

A reportagem do Guardian então contatou os advogados do presidente do PSG, que primeiro defenderam seu cliente afirmando que países do bloqueio do Catar, incluindo Emirados Árabes, Arábia Saudita e aliados, estariam circulando desinformação e documentos fabricados para manchar a imagem da nação vizinha.

Eles acrescentaram que Al-Khelaïfi não admitiria a autenticidade do documento obtido pelo Football Leaks e que, ademais, prestaria queixa pela “falsificação (da carta) e pelo uso de falsificação na França”.

Marcelo Simonian, agente de Pastore, alegou não conhecer a empresa Oryx QSI e não ter negociado a transferência do jogador com Khelaïfi, mas, sim, com o diretor de futebol do clube, Leonardo. Simonian representava também o Palermo na negociação, e as leis proíbem que um empresário represente diversas partes em uma só operação.

Simonian negou qualquer infração, mas documentos do Football Leaks apontam que, um mês após a transação, um colega do agente contatou o advogado Emmanuel Moulin sobre a transferência de Pastore, pedindo que entrasse em contato com o PSG para reivindicar um dinheiro que o clube devia ao empresário, que estaria informado de tal pedido. O pagamento então teria sido confirmado no dia seguinte.

O escrutínio sobre as atividades de Nasser Al-Khelaïfi no comando do PSG vai crescendo, e, pelo andamento de histórias como essa e a da possível corrupção ativa em torno do Mundial de Atletismo, não é absurdo imaginar que outras acusações surjam mesmo no futuro mais próximo.