O presidente do Gillingham, Paul Scally, pediu que clubes da Premier League contribuam com £ 2,5 milhões para um fundo de ajuda aos clubes mais vulneráveis da Football League, que gere a segunda, terceira e quarta divisão inglesas. A sugestão veio em uma reunião para discutir como os clubes vão lidar com as implicações financeiras da crise causada pela pandemia da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Para Scally, o dinheiro ajudaria clubes da League One (terceira divisão) e League Two (quarta divisão) a aguentarem perdas sem precedentes de receitas e ainda acredita que a crise será “um momento de acerto de contas” para o esporte. Há conversas entre a Football Association (FA), Premier League, EFL e a PFA para determinar soluções realistas e sustentáveis. Antes das reuniões nesta semana, o presidente do Gillingham enviou uma carta a Rick Perryy, presidente da EFL, para pedir que faça lobby para que os clubes da Premier League auxiliem o fluxo de caixa da parte de baixo da pirâmide.

O Gillingham seria um dos beneficiados. O clube é da League One e tem cerca de 300 funcionários, além de uma folha salarial de £ 400 mil mensais. Scally acredita que os jogos com público não devem voltar a acontecer por pelo menos três meses e pode chegar até a seis meses sem partidas com públicos.

A EFL acertou um pacote de £ 50 milhões de receitas, antecipadas da TV e de patrocínios, para auxiliar os clubes até o final da temporada, além de ter permitido empréstimos aos clubes de dinheiro que os clubes receberiam no começo da próxima temporada.

“Uma das soluções seria se pudéssemos pedir aos clubes da Premier League para colocarem £ 2,5 milhões cada para um fundo de solidariedade para a League One e League Two. Isso nos daria cerca de £ 50 milhões e esses £ 50 milhões seriam provavelmente aqueles clubes na League One e League Two pelos próximos três meses, com o que eles estão perdendo”, explicou Scally.

“Quando a sua renda é entre £ 150 milhões a £ 250 milhões, ou mais, eu tenho certeza que £ 2,5 milhões por clube para ajudar a pirâmide do futebol a superar este tempo muito difícil não irá quebrar a maioria desses clubes, mas essa é uma discussão que Rick Parry terá em conjunto com a Premier League e a FA”, disse ainda o dirigente.

“Eu não quero ir passando o chapéu implorando porque não é o que devíamos fazendo, eu concordo com Rick nisso porque nós temos que olhar nossos próprios negócios e ver como podemos realinhar isso, mas mesmo depois de termos realinhado nossos negócios, eu não terei renda. Eu não estou querendo implorar, eu estou querendo apenas que aqueles dentro da nossa indústria que possam ajudar e possam ajudar clubes que são dirigidos de forma apropriada e não apenas gastar dinheiro com coisas estúpidas, que façam esse gesto”, explicou ainda Scally.

“De certa forma, este é um momento que nós precisamos olhar para o futebol como indústria, porque está completamente falta de controle, especialmente na Championship. A Championship tem donos que estão contentes em perder coletivamente £ 700 milhões pelos últimos três ou quatro anos; isso não pode ser um modelo sustentável. Se algua coisa boa sair desta situação horrível, como indústria, talvez seja o momento que olhamos nossos negócios e dissemos: ‘Nós temos que realinhar nossos negócios em algo que é normal’. Se ‘normal’ é a palavra certa, porque claramente clubes perdendo £ milhões por ano não é normal”, analisou o dirigente.

Presidente do Gillingham desde 1995, Paul Scally ainda afirmou que é um momento crucial para a indústria do futebol. “Eu acho que é o dia D para a indústria, um momento de acerto de contas para o futebol. Sempre dizem que é preciso uma crise para as pessoas perceberem onde elas estão na vida e talvez seja o momento que o futebol precisa para olhar para si mesmo, de cima a baixo, e se realinhar. Eu temo pelo futebol, mas em qualquer crise, às vezes você sai do outro lado mais forte coletivamente e individualmente e eu estou esperando que seja isso que aconteça”, continuou o dirigente.

Scally ainda falou sobre o fundo de £ 50 milhões estabelecido pela EFL para auxiliar os seus clubes. “A verdade é que 80% desse dinheiro vai para a Championship, 12% para a League One e 8% para a League Two. Mas isso já é o nosso dinheiro. É o dinheiro que temos para o fluxo de caixa para abril, maio e junho”, continuou o dirigente do Gillingham.

“Eles adiantaram esse dinheiro, o que irá nos ajudar a sobreviver neste mês, mas também significa que em abril, maio e junho nós não iremos receber, então nesses meses será ainda mais difícil. Parece bom e soa bem, e é uma boa medida da Football League nos ajudar neste mês, mas não é que eles acharam £ 50 milhões em uma árvore e nós todos iremos nos beneficiar desta grande colheita”, afirmou Scally.