O presidente do Everton, Bill Kenwright, tentou salvar o Bury com uma proposta de £ 1 milhão do seu próprio dinheiro na reta final da crise para evitar que o clube fosse expulso da Football League, segundo revela The Athletic. A expulsão fez com que o clube deixasse a League One, equivalente à terceira divisão inglesa. A liga, porém, recusou a oferta, porque é contra as regras que uma mesma empresa ou pessoa seja acionista de dois clubes diferentes no futebol inglês.

A proposta foi feita por Kenwright à chefe da Football League, Debbie Jevans. A conversa aconteceu, segundo o Athletic, depois da derrota do Everton para o Aston Villa por 2 a 0, no dia 23 de agosto. Kenwright é um ex-ator e empresário do remo de teatro no Reino Unido. Está na diretoria do Everton desde 1989 e é um dirigente bastante experiente. Foi o principal acionista do Everton de 1999 a 2016.

A Football League adiou os cinco primeiros jogos do clube na League One e, posteriormente, acabou expulsando o clube da liga, no final de agosto. Os torcedores do Bury e do Bolton, dois clubes ameaçados naquela época, se reuniram ao redor dos estádios dos clubes para protestar. Os do Bolton em frente ao University of Bolton Stadium e os do Bury em frente ao Gigg Lane.

O desespero dos torcedores sensibilizou Kenwright, que pediu ao executivo-chefe Denise Barrett-Baxendalel se havia algo que eles pudessem fazer para ajudar o Bury. Kenwright vendeu a maior parte da sua participação acionária no Everton para Farhad Moshiri em 2016 e depois 2018 novamente, mas mantém 5% das ações do clube, além do cargo de presidente.

Por isso, a sua participação em um outro clube é contra as regras no futebol inglês. Afinal, os dois clubes podem eventualmente se enfrentar, não só em eventuais acessos e descensos, mas também em jogos de Copa da Liga e Copa da Inglaterra. Foi Barrett-Baxendale que fez a ponte entre Kenwright e Jevans. O encontro, então, foi realizado no Villa Park depois do jogo, quando os torcedores tinham deixado o estádio. Jevans polidamente recusou a oferta.

Segundo a Football League, é contra as regras da liga que um indivíduo tenha “um interesse ou influência em mais de um clube” e que os clubes são proibidos “direta ou indiretamente: emprestar, doar dinheiro, comprar recebíveis futuros ou garantir dívidas ou obrigações”.

Com isso, o destino acabou sendo mesmo esse: o Bury foi expulso e ainda há muita indefinição sobre o que acontecerá. Há a expectativa que o clube fosse levado a uma rápida liquidação após a expulsão e depois renascesse como o chamado clube fênix no futebol chamado de “non-league”, ou seja, abaixo da quarta divisão. Todos os clubes das quatro primeiras divisões inglesas estão vinculados à Football League (e os da primeira estão especificamente na Premier League). Clubes fora dessas primeiras quatro divisões, portanto, são chamados de non-league.

A prefeitura da cidade de Bury e alguns políticos locais não conseguiram persuadir a Football League para que o clube comece a próxima temporada na League Two, quarta divisão, uma divisão abaixo da que o clube estava e gerido pela instituição. Há muita preocupação que a falência do clube terá um impacto muito grande na economia local da cidade. Por isso, há um trabalho ainda em andamento para tentar minimizar os prejuízos.