A iminente aquisição do Newcastle por um fundo de investimentos controlado pelo governo saudita não caiu bem com o presidente de La Liga, Javier Tebas, que alegou “roubo do futebol” pela falta de ação do país do Oriente Médio em fechar uma rede local de transmissões piratas que passa jogos do Campeonato Espanhol.

A BeoutQ, cuja semelhança de nome com a catariana beIN Sports não parece ser mera coincidência, tem contornado contratos de direitos de transmissão internacionais para passar ligas europeias como a espanhola e a Premier League na Arábia Saudita desde 2017, quando as relações entre os dois países racharam e que resultou em um bloqueio comercial e territorial ao Catar.

Os pedidos ao governo saudita por ações contra a BeoutQ foram ignorados, e a questão voltou às mesas de discussão com a proposta de compra do Newcastle. A estatal beIN Sport, uma das principais parceiras internacionais da Premier League, chegou a pedir que a liga inglesa bloqueasse a transferência de propriedade de Mike Ashley para os sauditas.

“Os direitos do futebol europeu – incluindo os direitos do Newcastle – têm sido sistematicamente roubados pela BeoutQ há três anos”, afirmou Tebas, à agência de notícias AP. “Agora, os sauditas querem se sentar na principal mesa, esquecendo os danos que têm causado por meio da BeoutQ. Se as liga os clubes de futebol não protegerem suas propriedades intelectuais, eles não terão nada. La Liga não poderia ser mais clara sobre isso: roubar transmissão do futebol  é roubar o futebol”.

A Anistia Internacional também questionou a participação do governo saudita na compra do Newcastle, por causa do histórico do país de violação de direitos humanos, um ponto no qual Tebas também já tocou anteriormente. Em janeiro, ele criticou a decisão de levar a Supercopa da Espanha para o país, citando o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi por representantes do governo na embaixada saudita em Istambul.

.