O presidente de La Liga, Javier Tebas, é um crítico contumaz do que ele chama de “clubes-estado”, como são PSG e Manchester City. Em uma visita à China, o dirigente falou sobre a importância do país para a liga espanhola, as ações que estão fazendo por lá, a questão dos streamings na transmissão de futebol e, claro, aproveitou para criticar os clubes que, na visão dele, são os maiores problemas do futebol europeu por tudo que causam, financeiramente, aos demais e ao futebol do continente como um todo.

A importância da China para La Liga

“Para nós, em termos econômicos, China e Estados Unidos, depois da Espanha, é o mercado mais importante. Na China há um segundo fator no tema audiovisual, na forma que os torcedores nos veem no mundo que está sofrendo uma transformação muito importante com o mundo da televisão paga por streaming. Temos que estar muito atentos ao que acontece e trabalhar porque não podemos desperdiçar 1,2 bilhão de habitantes, quando o presidente chinês está incentivando o futebol”, afirmou Tebas, em entrevista ao Marca.

Quando perguntado sobre a questão do quanto a China representava financeiramente, o dirigente deixou claro que os números aumentaram e se tornaram muito relevantes. “É só comparar com seis anos atrás. Para nós, há quatro anos a China deixou de ser um país exótico ou distante. Temos dois escritórios, 10 empregados trabalhando e dedicamos a eles muitas horas”, contou o presidente de La Liga.

“E sobre as receitas, os números marcam: no ano de 2013, a China representava € 4 milhões na nossa fatura audiovisual, agora são € 100 milhões. E é um dos lugares do mundo onde, neste momento e nos próximos anos, pode haver um crescimento rompa o mundo da TV paga que não existia há dois anos”, afirmou Tebas.

“Me parece um país incrível e com uma projeção impressionante. Trabalhamos para ter mais torcedores na China, nas podemos desprezá-los. Seríamos muito torpes se não entendemos que a China é uma parte fundamental da indústria do futebol”, sentenciou o dirigente.

Uma das ações de La Liga na China foi a abertura de uma academia de futebol em Kunming. Foi perguntado a Tebas o que se espera da ação. “Para crescer em qualquer mercado, também no chinês, é preciso estar na sociedade. Não apenas por retransmitir por satélite as partidas e ter os melhores jogadores, tem que ser parte da sociedade. A Academia que abrimos em Kunming é o maior projeto que realizamos na China. O que pretendemos é fazer parte da sociedade chinesa. Se queremos crescer, isso é fundamental”, explicou.

“Queremos ser a segunda liga depois do futebol local”

Um dos pontos mais importantes para estar no mercado chinês é óbvio: é preciso que os jogos sejam transmitidos. Os direitos de transmissão do Campeonato Espanhol na China foram comprados pela iQiyi, uma empresa de streaming. Pelas desconfianças dos espanhóis, o acordo prevê uma cláusula de saída no segundo ano.

“[O contrato de transmissão] Foi renovado em 2018 e tem uma característica especial por tudo que está acontecendo aqui, que é uma cláusula de saída no segundo ano, que foi o que mais nos custou negociar. Nós acompanhamos cada mercado porque cada um é diferente e aqui está acontecendo uma evolução ao mundo da TV paga por causa do streaming. Por isso, temos que ser o mais conhecido possíveis, por isso temos que estar próximos da liga chinesa, da federação chinesa… Dizemos isso em todos os países: queremos ser a segunda liga, depois do futebol local”, disse Tebas.

Concorrentes na China

“A NBA é o conteúdo esportivo que mais se vê. O presidente da Federação Chinesa de Basquete é Yao Min. A NBA é muito forte aqui. Logo depois está a Premier League, que aproveitou uma boa situação de mercado, e depois estamos nós. Mas estamos muito perto”, contou Tebas.

“Até este ano, e nos últimos três anos, ficamos à frente da Premier. Este ano, que a Premier League começa um novo contrato, estão cerca de € 30 milhões à nossa frente. Isso é porque a situação de mercado muda, o contrato de agora foi renovado, foi assinado, há dois anos, em um momento muito bom”, continuou o dirigente.

“A Premier esteve aqui com um contrato de € 20 milhões por ano, quando no nosso tínhamos € 80 e € 100 milhões. Nós ficamos cinco anos muito por cima por aqui. Agora veremos o que acontece, porque eles têm cinco anos de contrato e nós, se o mercado vá onde eu acredito que vá, poderemos melhorá-lo”, opinou o dirigente.

Quase metade do dinheiro de TV na Espanha vem do exterior

“Na Espanha, 42% do que recebemos da televisão, que é um total de € 2,2 bilhões, vem de fora do país. Na Espanha há equipes como Sevilla e Betis que 60% das suas receitas vêm da TV. Então, se 60% da sua receita depende disso e 42% chega de fora, nós temos que nos preocupar com isso”, disse o dirigente.

Neymar de volta?

“Sim, claro [que gostaria que ele voltasse para La Liga]. Neymar, com todas suas coisas, está entre os três melhores jogadores do mundo. Que ele venha de novo seria muito importante para La Liga, ainda que não seria algo determinante para a liga espanhola. O determinante é que joguemos 10 meses por ano, 20 equipes, todos contra todos e geremos, a cada fim de semana, paixão e alegria para os torcedores da Espanha e do resto do mundo. Um jogador como Neymar te dá seguimento em países que estão atentos a ele, mas não é um elemento essencial, como tampouco era Cristiano Ronaldo. [Lionel] Messi, por outro lado, é mais um elemento essencial porque é um patrimônio de La Liga”, disse o dirigente.

“PSG e Manchester City são o maior problema da Europa”

“O problema de equipes como PSG e Manchester City é o grande problema do futebol europeu. Por quê? Porque têm empresas por trás que não se importam em perder dinheiro. Os outros grandes como Barcelona, Real Madrid, Bayern… Tentam competir como seja com eles para que não saiam os melhores jogadores”, declarou o dirigente.

“Por isso acabam surgindo ideias como a Superliga Europeia, que a longo prazo se equivocariam, e outras propostas que acabariam causando um dano à indústria do futebol em geral. Então, esses ‘clubes-estado’ ou financiados por algum multimilionário são o perigo mais importante que tem o futebol europeu”, alertou o dirigente.

Perguntado se a Uefa está fazendo o bastante para controlar essas equipes, ele deixa claro o que pensa. “Não. Basta colocar um exemplo: o Milan foi penalizado ficando fora de competições europeias e o PSG não. O segundo órgão de controle econômico da Uefa disse que a punição do PSG precisaria ser revista, o PSG recorreu desta decisão e a Uefa parece não ter feito todo o possível para investigar”, afirmou Tebas.

“Quanto ao Manchester City, se falou de muitas coisas que fizeram, mas não sabemos nada. Deve haver alguma mudança no sistema de governança do futebol europeu e mundial porque o futebol, à parte de ser um esporte, é também uma indústria”, opinou o dirigente, sempre muito crítico em relação ao modelo de clubes como PSG e Manchester City.

Perguntado então se acha que o PSG cometeu alguma irregularidade, ele afirma de forma categórica. “Claro. Como é um clube-estado, se inventa patrocínios. O exemplo mais flagrante a respeito do PSG, denunciado por La Liga, era um suposto patrocínio do ‘Turismo do Catar’ por um valor de € 50 milhões. Claro, como no Catar os turistas são abundantes… [risos]”.

“Para comparar, as Bermudas, um país máximo turístico, que tem mais ou menos a mesma população do Catar, investe apenas dois milhões de euros para se promoverem. Não só isso, também tinham um patrocínio de um banco catariano que deve ter um escritório apenas e pagava € 70 milhões”.

Perguntado sobre o Manchester City, ele seguiu fazendo críticas. “O seu foi a denominação do nome Etihad Stadium, que é pago com valores que não são praticados no mercado. Pensaram que nós no resto da Europa éramos tontos e por isso nós os denunciamos”, disse Tebas.

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