Presidente de La Liga: “O futebol espanhol precisa de € 490 milhões para pagar os gastos dos clubes”

O futebol espanhol está diante de um déficit de € 490 milhões nesta temporada, sob os impactos econômicos da pandemia de coronavírus, afirmou o presidente de La Liga, Javier Tebas, em um evento do jornal Marca. O valor aproxima-se do prejuízo estimado de € 600 milhões pelo seu correspondente na Serie a Italiana.

Segundo o dirigente, caso não fosse possível terminar a temporada anterior, que como as outras foi retomada entre junho e julho, após uma longa paralisação, haveria um prejuízo entre € 800 milhões e € 900 milhões por causa dos direitos de transmissão.

“Temos um excesso de € 500 milhões porque os clubes não podem tirar os jogadores dos contratos. Tem sido feito um exercício para reduzir as folhas salariais. Tínhamos previsto cerca de 45% em bilheteria e não será assim”, afirmou Tebas.

A Espanha ainda não permitiu o retorno dos torcedores aos estádios e, em meio a uma segunda onda de infecções do vírus, não há perspectiva de fazê-lo em um futuro próximo.

Tebas disse que os maiores afetados são Valencia, Barcelona e Real Madrid, mas que os prejuízos variam entre € 100 milhões e € 3 milhões dependendo do clube. “Para terminar a temporada, faltaria ao futebol espanhol € 490 milhões para pagar todos os gastos dos clubes. Estamos trabalhando para ver como consertaremos isso”, disse.

“O Valencia é criticado por vender jogadores, mas precisa fazer isso, e o Barcelona precisa baixar os salários dos jogadores para terminar a temporada. Não há outra opção”, acrescentou.

O dirigente afirmou que a administração da pandemia está mais complicada agora do que em julho. “Os primeiros testes de PCR que fizemos antes de treinar (depois do primeiro lockdown) deram positivo para apenas cinco jogadores e agora, entre comissão técnica e jogadores, são 260, sendo 137 em atletas, e não tivemos que suspender nenhum jogo, com exceção do caso do Alcorcón”, afirmou, em referência ao clube da segunda divisão que teve partidas adiadas depois de vários membros da equipe testarem positivo.

“Agora é mais difícil. Tivemos que mudar protocolos. Não usamos os vestiários porque são o maior risco de contágio”, explicou Tebas, que espera que o público retorne aos estádios antes mesmo de a vacina contra o coronavírus estar disponível a todos.

“Perdemos a essência do futebol a cada jogo sem público. Perdemos produto, valor… O surgimento da vacina dará esta data para podermos retornar. Espero que antes porque, quando a vacina for dada a pessoas idosas e outros coletivos essenciais, não haverá mais tanto medo do colapso sanitário e talvez possamos levantar essas questões”, disse.

Para piorar a situação financeira dos clubes, o governo espanhol achou que esta era uma boa hora para proibir os patrocínios de casas de apostas. “Em vez de proibir, teria que ter regulado. São € 90 milhões. Na Premier League, por exemplo, elas continuam. Perderemos talentos no campeonato”, reclamou Tebas.

Falando em Premier League, o dirigente ficou surpreso que a liga inglesa ainda tenha conseguido investir mais de € 1,2 bilhão em reforços na última temporada porque acredita que outras ligas passam por situações piores. O que ele ainda não acredita que acontecerá é a união dos maiores clubes da Europa em uma Superliga.

O ex-presidente do Barcelona, Josep Bartomeu, anunciou sua renúncia ao cargo dizendo que havia assinado um acordo em princípio para se unir à Superliga, chamada de “clandestina” por Tebas.

“A Superliga me parece uma piada. É impossível que haja um torneio se as grandes ligas europeias são contra. Eu a chamaria de ‘liga interplanetária’ porque é tão incrível que aparecerá um time de Marte para jogar”, brincou.

“É impossível que os grandes clubes que competiriam nela coloquem em risco o que ganham de La Liga e da Champions League. Teriam que encontrar um fundo de 12 bilhões de euros”.

“Quando Bartomeu explicou, um presidente de clube me disse: ‘Javier, eu não estava no mesmo bar que ele’”, encerrou.

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